TWD 7×02 — The Well

The Well é a calmaria após a tempestade em The Walking Dead.

Onde há vida, há vida.” — EZEKIEL, Rei.

Finalmente, depois de tantas especulações, chegamos ao Reino e o clima idílico do segundo episódio desta temporada trouxe algumas reclamações por parte do público. A verdade é que ainda não tínhamos nos recuperado dos acontecimentos da premiere. Predominava aquela sensação de que alguma coisa ruim iria acontecer a qualquer momento, como Negan aparecendo atrás de uma árvore empunhando uma Lucille sedenta por sangue. Mas nada disso aconteceu.

Depois de conhecermos o desfecho do encontro do grupo do Rick com Negan, chegou o momento de saber o que aconteceu com Carol e Morgan. Para alguns, foi um episódio arrastado, que poderia ter sido resumido em alguns minutos. Talvez até tenha sido um pouco longo, afinal, já conhecíamos todo o dilema envolvendo os dois (ex?) habitantes de Alexandria. Mas, acima de tudo, The Well serviu para sedimentar o contraste entre os habitantes do Reino e todos os outros sobreviventes até o momento.

Para os que não esperavam, apenas, sangue e zumbis, esse episódio trouxe de forma orgânica informações preciosas sobre a nova comunidade. Não foi preciso que Ezekiel (Khary Payton) pegasse seus hóspedes pela mão e fizesse um city tour pelo lugar. Fomos apresentados ao reino pelos olhos surpresos de Carol e encantados de Morgan, dentro da própria dinâmica cotidiana dos moradores daquele lugar.

O único momento com ares de “grande revelação” foi a primeira aparição de Ezekiel… E não poderia ter sido diferente! Uma figura como aquela tinha que ter uma grande apresentação. A interpretação de Melissa Mcbride diva ao conhecê-lo (e, principalmente, a reação dela após sair da presença dele) trouxe basicamente a reação de qualquer um de nós (público) se tivéssemos encontrado aquela figura em algum lugar. Se em nosso contexto social a figura do líder do Reino, e todo o cenário que o circunda, parece realmente inacreditável, imagine-se dentro de um apocalipse zumbi!

Todavia, ao longo do episódio, vamos percebendo que Ezekiel não é, apenas, uma figura excêntrica. Sua liderança é consciente, segura e, principalmente, harmônica. Os habitantes do reino confiam nele e o seguem pelo carisma que transmite. O roteiro também deixou claro que não se pode questionar sua inteligência, pela forma como ele lida com os salvadores.

Também foi possível perceber de imediato os personagens significativos daquele lugar: Jerry (o melhor mordomo desde Alfred, do Batman) que certamente terá um papel maior do que, apenas, alívio cômico; Richard, que parece ser o braço direito de Ezekiel; e Benjamin, cuja história parecer vir para dar um sentido à filosofia do Morgan (que parecia estar bem solta na trama).

Já a dinâmica entre Carol e Ezekiel funcionou muito bem. Após a 6ª temporada, não se conseguia vislumbrar uma forma de Carol curar-se de seus traumas, mas o diálogo entre os dois personagens pareceu deixar uma semente de nova perspectiva na alma da rainha do apocalipse zumbi e colocá-la no caminho, se não da cura, mas de uma convivência mais pacífica com seus próprios demônios.

E por falar em rainha… parece que os produtores realmente levaram a brincadeira dos fãs à sério, porque rolou um flerte entre Carol e Ezekiel. Tudo bem que não foi algo extremamente explícito… Essa impressão pode ter sido por ambos terem se reconhecido enquanto “mentirosos”. Ou melhor, talvez tenha sido só a impressão dos fãs dos quadrinhos, considerando que suas cenas foram compatíveis com as de Michonne na HQ, que não poderá assumir o romance com o Rei, por motivos de: estar de romance com o protagonista, né?

A questão é que Carol e Morgan finalmente abandonaram suas posições radicais e o arco envolvendo a flexibilidade em seus códigos de conduta parece ter sido concluído. E, como não falar de Sheeba Shiva? Essa tigresa que apareceu tão pouco, mas já conquistou legião de fãs com sua fisionomia serena e majestosa? É preciso dar os parabéns à equipe de CGI da série. O talento da equipe de maquiagem já é super reconhecido, mas quanto ao CGI sempre deixou a desejar (considerando as cenas de explosão que sempre foram meios fakes), mas Shiva conseguiu convencer (além de trazer um prêmio do PETA ao show por não usar um tigre de verdade nas gravações).

O que ficou confusa foi a linha do tempo, pois, como Morgan falou levaria no mínimo uma semana para Carol se recuperar e não foi explicado se isso aconteceu dentro do previsto. Portanto, à essa altura, Negan já teria ido à Alexandria, o que deixa a pergunta: quanto tempo será necessário para que as histórias dos personagens se cruzem novamente?

Em um episódio longo para a quantidade de acontecimentos, TWD dá sequência à vida além de Alexandria, nos isolando dos acontecimentos brutais e deixando a sensação de que o mal ainda está a espreita.

A seguir a promo do próximo episódio, onde, finalmente, conheceremos o território de Negan:

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