TWD 7×03 — The cell

Embora intenso, The Cell nos deixou a sensação de que havia muito mais a ser explorado.

Daryl” — DIXON, Daryl

A relação entre os fãs de The Walking Dead e o show é interessante. Há um ciclo entre a empolgação inicial, cansaço e revolta com os episódios até a midseason finale, para reiniciar o ciclo em fevereiro, quando a série retorna.

Após 6 temporadas, já devíamos estar acostumados à necessidade dos produtores: 1) de dividir os episódios em núcleos (baseados nos pontos de vista de personagens específicos); 2) reafirmar constantemente, através de episódios “conceituais” (quase perdemos o início do episódio achando se tratar de mais um comercial da Fox), que TWD não é apenas uma carnificina pós-apocalíptica, mas um drama sobre a condição humana em situações extremas.

The Cell foi um episódio completamente filler? Não, mas que poderia ter sido bem mais recheado com informações sobre o Santuário, sim, poderia. O fato é que nunca estamos plenamente satisfeitos. Se as reclamações sobre a calmaria de The Well foram abafadas pela aparição do Reino, Ezekiel (e Shiva!), parece que The Cell não conseguiu a mesma defesa, mesmo sendo focada no “queridinho dos fãs”.

Se bem que é preciso rever este título para Daryl Dixon. Há tempos os fãs já perceberam que ele está meio perdido na trama. Foram-se as temporadas em que houve um arco realmente interessante para ele, embora isso não justifique necessariamente que ele tenha que morrer (já perdemos um dos “Atlanta Five”, favor roteiristas, não nos maltratar matando mais um). O que falta a Daryl é uma história relevante para ele.

Esses três primeiros episódios foram sobre transformações: Rick teve seu espírito quebrado. Carol teve suas convicções mexidas. E Daryl foi confrontado com as consequências de seu ciclo de autopiedade. Os Salvadores sabem como abalar alguém psicologicamente. Imagine-se sem conseguir dormir, com uma música dos infernos tocando constantemente, ver-se despido (literalmente), humilhado, comparado a um animal (vide sua alimentação), sofrendo de tal forma a chorar tanto que chegue ao ponto de vomitar. Fora que, o personagem esteve mais sujo do que nunca! Dava agonia ver as crostas grudadas na pele dele.

Aliás, parabéns ao Norman Reedus. Há algum tempo sua atuação não mostrava tanta intensidade (talvez seja porque o cabelo não deixe mais ver suas expressões direito), mas dessa vez o “menos” falou muito até culminar na explosão de seu choro real.

Mais uma vez a linha do tempo não ficou clara e não sabemos o que nos espera em Alexandria. Focar tanto tempo na tortura fez o episódio parecer preenchido de vácuo? Sim, em alguns momentos. Poderia ter tido alternância com o núcleo de Alexandria, por exemplo? Talvez se isso tivesse acontecido, o clima de opressão do Santuário não teria sido tão bem representado. Embora tenha sido interessante ver as pequenas pistas deixadas ao longo do processo e o silêncio de Daryl, seria empolgante conhecer um pouco mais do Santuário e seus moradores.

Outro parabéns para Austin Amelio. Se não conhecemos muito do santuário, pelo menos pudemos ver um pouco mais de Dwight e entender realmente suas motivações. Parece que para ele, a única forma de se manter seguro é ajoelhar-se diante Negan. Por isso, ao fim do episódio não parece que ele realmente odiasse Daryl, mas sim estivesse tentando salvá-lo, quebrando-o a ponto de ele se render.

Foi possível sentir a intensidade do conflito interno do Dwight sempre que estava diante de Negan, em sua aventura pela estrada ao confrontar seu amigo fugitivo e, principalmente, sempre que ele encontrava com sua Sherry (Christine Evangelista). Havia uma tristeza no olhar dos dois, misturada ao conformismo de saber da impossibilidade em mudar aquela situação.

Negan, um espetáculo a parte. Mesmo tendo aparecido em poucas cenas, seu tom de voz, postura e expressão não deixam dúvidas sobre o poder que ele exerce ali dentro. Sua provocação constante mostra que a relação com o Dwight está longe de ser amigável. Mesmo que o diálogo “Quem é você?” não existisse, não haveria como negar quem era o chefão.

Muito além da tortura de Daryl, The Cell nos deu a entender que a relação entre este e Dwight será fundamental para a guerra que se prepara no horizonte. As músicas do episódio dialogavam diretamente com os destinos dos dois personagens. A cena ao som de Crying de Don Mcleans foi tocante, cuja letra parecia falar muito a Dwight e associada à foto de Glenn morto (golpe baixíssimo), conseguiu atingir o ponto de ruptura de Daryl.

Por mais que Daryl não tenha ajoelhado diante de Negan, uma só palavra tendo mais força do que todo um discurso, não se pode dizer que ele esteja inteiro, mas que prefere ser leal à sua dor. A posterior explosão de Dwight e a resposta serena de Daryl, foram atitudes que mais do que nos dizer quem o prisioneiro é, nos sinaliza quem o salvador pode vir a ser.

E então, o que acharam do episódio? Comentem aí embaixo.

Enquanto isso, segue a promo do próximo episódio, onde, finalmente, veremos Alexandria:

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