Tyrant 1×04 — Sins of the father

Eu não acho que possa subjugar um povo por 20 anos e esperar o Nelson Mandela sair da prisão todas as vezes. […] Se puder trazer qualquer um pra mais perto e ganhar sua confiança, já é uma vitória” — AL FAYEED, Molly.

A noção de liberdade é extremamente relativa. Povos lutam para ser livres de um governo tirano e acabam adotando como líderes pessoas igualmente tiranas. É como sair de uma prisão para entrar em outra. É exatamente isso que os habitantes de Ma’an estão vivendo.

Chegou o aniversário de 20 anos de um massacre ocorrido no país em que vinte mil vidas foram dizimadas. Um crime de guerra que percorreu a juventude de Bassam enquanto ele estudava nos Estados Unidos. Um crime que o assola na atualidade enquanto ele tenta fazer seu irmão Jamal não repetir os mesmos pecados do pai.

Ihab Rashid vale-se da miséria de seu povo para fazer crescer sua suposta luta pela liberdade. Acaba arrebanhando uma multidão cansada de tanto sofrimento e carente por mudanças. Pessoas que enxergam nele o líder necessário para derrubar a tirania imposta pelos Al Fayeed. Até mesmo jovens acreditam nisso, incluindo Samira. No entanto, a pergunta do pai da moça é pertinente. Ihab é a solução ideal? O que prova que ele é diferente dos Al Fayeed?

Tyrant 1x04

O fato é que as coleiras continuam sendo as mesmas. Ihab aproveita a situação precária de um pai de família e o induz a atear fogo no próprio corpo para transformá-lo em um mártir e assegurar sua luta. Saber que aquele homem aceitou tirar vida para dar aos filhos e à esposa melhores condições não faz de Ihab Rashid um bom homem. No fim das contas, ele e Jamal são as duas faces de uma mesma moeda.

Jamal permanece impotente. Em todos os sentidos. A impotência sexual do personagem é a metáfora perfeita para a sua impotência no poder. Há duas forças gravitacionais opostas em seu governo: o General Tariq que quer resolver tudo na base da violência e Bassam que acredita no poder do diálogo e da diplomacia. Para o bem de Ma’an, o presidente tem sempre pendido para o lado do irmão.

Molly teve um desempenho muito bom no episódio, apesar de aparecer pouco. Como já comentado nas reviews anteriores, ela atua como o porto seguro de Bassam, a pessoa capaz de manter a sanidade do marido em tempos tão insanos.

Emma também mostrou que está seguindo os passos da mãe e do pai. Mesmo que sua personagem esteja um pouco perdida, foi fundamental vê-la confrontando o primo diante do descaso com a pobreza do povo de Ma’an.

Após fazer um oral em Sammy, Abdul sumiu, não atendeu mais o telefone e nem respondeu as mensagens do moço americano. Naturalmente, isso deixou Sammy completamente desesperado. Inicialmente, ao responder que foi apenas uma única noite, Abdul quase se fez acreditar que tudo não tinha passado mesmo de uma ficada. Porém, no decorrer da noite, a verdade veio à tona. Ser gay em um país fundamentalista como aquele e não pertencer à realeza é um grande problema. Apesar disso, o relacionamento dos dois ainda não deve ter tido um ponto final.

Em tempos de guerra em Israel, uma série como Tyrant é muito relevante e atual. Sem dúvida, um ótimo acerto da mid season. E mais um episódio incrível.

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