Tyrant 2×02 — Enter the fates

Enter the fates mostra que Abbudin é uma terra árida, física e metaforicamente

Allahu akbar. Allahu akbar. Deus é bom. Deus é bom.” — AL-FAYEED, Bassam

O deserto é o cenário ideal para expressar a pequenez humana diante da vastidão. É também a metáfora perfeita para a aridez da vida. Estar em um deserto é tentar buscar um refúgio, uma ajuda, e não encontrar nada. Os lampejos de salvação podem ser apenas miragens, ilusões, truques daquele que deseja o definhamento.

Os personagens de Tyrant estão todos no deserto, seja ele o físico, seja ele o metafórico. A polissemia da imensidão de areia e sol é mais sentida por Bassam. Abandonado no meio das dunas pelo próprio irmão, ele luta por sua sobrevivência.

Apesar de todos os desafios físicos impostos pelas tempestades de areia e pelas mudanças bruscas de temperatura, todas as intempéries marcam a mudança interior dessa personagem e como ele precisará de forças para conduzir Abbudin para o doce oásis da liberdade. E é nesse momento de grande desespero que ele recorre a Deus e à fé.

Enter the fates

Do outro lado do mundo, lidando com a morte do marido, Molly também encara seus demônios interiores e busca na fé, na confissão, na igreja, a busca para seu consolo. Nesse momento, os paralelos entre ela e o marido são especiais. O ser humano só recorre a Deus quando enfrenta problemas. O consolo no divino é reconfortante e a coral de crianças entoando Ave Maria enfatizam esse aspecto.

Molly abrindo a carteira em busca de dinheiro para fazer donativos para a igreja e só encontrar notas com a figura de Jamal é de um simbolismo singular. Nesses momentos, Tyrant consegue construir muitos significados e ser mais que uma série de americanos imaginando o Oriente.

Acontece que a série nos brinda com uma das mais poderosas imagens sobre a situação de Abbudin. Quase todo o episódio foi conduzido no deserto. Além do martírio de Bassam, Jamal insiste em proferir um discurso para selar sua união com os chineses no deserto. Uma nova possibilidade de eliminar o mal e mais um banho de sangue, manchando as areias com a luta de um povo que clama por paz.

O grande problema é que Jamal não entende metáforas, não entende o discurso literário e atem-se demais ao real, ao literal. Sua insistência em conduzir Abbudin com punhos de aço, não irá trazer o progresso. Ao contrário, só causará um derramamento de sangue ainda maior como sugeriu o final do episódio. Além, é claro, de um rompimento com a China, esse gigante interessado em impulsionar economias abaixo da linha do Equador.

O episódio ainda trouxe de volta a lembrança de Abdul, o jovem rapaz por quem Sammy, filho de Bassam, se interessou. Apesar de apenas uma ligação telefônica, fica a expectativa para que o relacionamento dos dois ganhe novos contornos. No entanto, tal contato foi muito inesperado e pode reservar surpresas muito ingratas.

A segunda temporada de Tyrant continua racional e fria em seus movimentos. Os contornos políticos mostram-se mais maduros e o drama novelístico parece ter sido substituído por uma construção narrativa mais substancial. Fiquem com as cenas do próximo capítulo.

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