Tyrant: o peso da tradição familiar

Eu estava errado. Deveria ter sido você. Deveria ter sido você, Bassam” — AL-FAYED, Khaled.

Dos produtores de Homeland, chega esse interessante drama chamado Tyrant, a nova série do canal FX. Criada por Howard Gordon, Gideon Raff e Craig Wright, a série tenta lançar um olhar ocidental sobre um país do Oriente Médio marcado por um governo corrupto, a pobreza da população e a revolta dos extremistas.

Barry ou Bassam (Adam Rayner) é o filho do ditador de Ma’an, um país do Oriente Médio. Por discordar dos rumos políticos de seu pai, muda-se para os Estados Unidos, onde constrói uma carreira como pediatra e uma família bonita, tipicamente formada por um casal de filhos e uma esposa loira; o típico american way life. Dezenove anos depois, ele, junto com sua família, retorna ao país para o casamento do sobrinho.

O piloto foi extremamente eficiente em apresentar os personagens, sem incorrer em didatismos forçados bastante comuns em diversos pilotos. Apesar de lançar mão de um flashback para exemplificar como foi a infância de Barry, Wright, o roteirista desse episódio, conseguiu contrastar bem a personalidade de Barry com a dor irmão Jamal e, de quebra, reservou um final surpreendente que definiria para sempre a vida dos dois.

Tyrant Thumb

A família de Barry não é tão perfeita quanto o sonho americano exige. Molly (Jennifer Finnigan) é a esposa dedicada, companheira, mas não conhece exatamente o homem com quem se casou. Emma (Anne Winters) é a filha adolescente e, obrigatoriamente em séries americanas, rebelde. Sammy (Noah Silver) é o filho deslumbrado. É o típico clichê, mas que continua funcionando muito bem.

Se Molly parece desconhecer o marido, ela também desconhece seus próprios filhos. Se Emma ainda não apresentou nenhum arco narrativo significativo, o mesmo não se pode dizer de Sammy. Durante uma das tradições para a despedida de solteiro do primo, em uma sauna, o jovem flerta com outro rapaz. E na festa de casamento, ele foi ainda mais atirado. Resta saber como o tema será tratado na série, já que a homossexualidade é considerada crime na maioria do Oriente Médio.

Jamal (Ashraf Barhom) desponta como mais um tipo asqueroso e odioso da TV. Logo em sua primeira cena estupra uma mulher casada com o marido e os filhos da mesma escutando tudo na sala de estar. Também tira a pureza da nora em plena festa de casamento. E, para completar o pacote, bate na esposa dentro de um hospital. Barhom construiu um tipo muito forte, uma composição impecável. E, de quebra, está muito bem na forma física. A cena da luta dentro do banheiro com o ator nu lembrou Marcas da Violência, de Cronnenberg. Fantástica.

O pano de fundo político também não foi deixado de lado. As cenas colocando a miséria das vilas de Ma’an em contraponto com a suntuosidade do palácio do presidente evidenciaram um país afundado na corrupção.

Resta saber se Bassam será o líder ideal para conduzir o futuro dessa nação. Afinal, se durante todo o tempo o espectador pensou que ele era um homem diferente, duas atitudes tomadas por ele mostraram que Bassam não é o cara tão centrado que demonstrou.

Tyrant tem tudo para ser uma série competente, levando em consideração o histórico de seus criadores e o material apresentado no piloto. Fica a expectativa de que a recepção morna do público americano não prejudique a continuidade do programa.

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