Tyrant: uma visão otimista do Oriente Médio

O filho de um ditador do Oriente Médio retorna para o lugar onde nasceu após vinte anos vivendo nos EUA, e descobre que voltar para solo norte-americano pode não ser uma opção a curto prazo. Produzida pelo FX e desenvolvida pelos roteiristas de Homeland (Gideon Raff e Howard Gordon) e Six Feet Under (Craig Wright), Tyrant estreou com uma visão otimista dos conflitos no território árabe, sem deixar de lado o drama vivido pelas pessoas daquela região.

O ponto de partida é a viagem de Bassam ‘Barry’ Al-Fayeed (Adam Rayner) e sua família para a festa de casamento do sobrinho no fictício país Abbudin, lugar onde ele não desejava retornar. A chegada de Bassam acontece na mesma época em que uma grande crise política abate o país, e faz com que ele mude não apenas os próprios planos, mas use sua influência para ajudar o novo presidente a mudar os rumos de sua pátria de origem.

O EPISÓDIO PILOTO

Sabe quando uma série aposta tanto no seu potencial que o episódio piloto até parece uma produção cinematográfica? Não é a toa que o primeiro capítulo é um dos melhores. O roteiro constrói uma estrutura específica durante os 60 minutos para somente no final desconstruir um mote essencial para o desenvolvimento do enredo de forma que o público não prevê. Claro que isso não existiria sem uma grande equipe por trás das câmeras. Tyrant foi criada pelo premiado diretor e roteirista israelense Gideon Raff, de Homeland e Hatufim/Prisioners of War, que escreveu o episódio. A direção ficou por conta de David Yates, responsável por quatro dos oito filmes da série Harry Potter. O resultado é um dos melhores pilotos produzidos nos últimos anos.

O IRMÃO INSTÁVEL

Jamal Al-Fayeed é o irmão mais velho do protagonista Bassam (Adam Rayner), que se torna presidente da fictícia Abbudin em decorrência da morte do pai. O personagem é interpretado pelo ator israelense Ashraf Barhom, que consegue representar toda a complexidade que o papel exige. Jamal é o tipo de pessoa que tem poder para agir como quiser, o que muitas vezes faz com que ele cometa verdadeiras barbaridades. Por outro lado, pode ser também uma pessoa completamente diferente quando o assunto é família, como bem mostra a relação dele com o irmão.

CONTEXTO POLÍTICO

O Oriente Médio é um verdadeiro mosaico cultural e político. Logo, quando a ficção resolve retratá-lo, o resultado tem tudo para ser satisfatório. Tyrant estreou em um momento em que o contexto da região está presente nos jornais do mundo inteiro. Nos últimos quatro anos, a Primavera Árabe tem feito uma verdadeira revolução em países como Egito e Líbia, como a queda dos governantes Hosni Mubarak e Muammar Al-Gaddafi. A série aposta na barbárie dos tiranos, e ao mesmo tempo sugere um leve otimismo quanto ao futuro desses países.

OS FILHOS (QUASE) FIGURANTES

Parece que é sempre uma peleja para os roteiristas tentarem descobrir o que fazer com os filhos dos protagonistas de uma série dramática. Eles existem principalmente para dar profundidade e possibilidades narrativas aos personagens, mas muitas vezes acabam apenas ocupando espaço. Sammy (Noah Silver), filho de Bassam, é o mais sortudo dos jovens adultos. O cara ganhou um plot que se desenrolou na primeira metade dos episódios, mas não passou disso. A trama do relacionamento homossexual poderia se tornar um duradouro enredo paralelo, já que a maioria dos países árabes criminaliza as relações sexuais entre pessoas do mesmo sexo.

Já Ahmed (Cameron Gharaee), filho de Jamal, tem apenas dois objetivos básicos na trama. O primeiro deles é o casamento, motivo pelo qual Barry volta a Abbudin, que acontece logo no piloto; o segundo é dar projeção para a storyline da família da esposa com seu pai. Ruim mesmo é a situação de Emma (Anne Winters), irmã de Sammy. A moça não ganhou nenhuma possibilidade narrativa durante nove episódios da temporada, recebendo um plot relevante mas completamente previsível apenas no fim da temporada.

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