Um suspense tenso, inquietante e eficiente em Rua Cloverfield, 10

Rua Cloverfield, 10 chega aos cinemas provando que um bom filme se faz com um elenco afiado, um roteiro eficaz e muito, mas muito suspense.

Rua Cloverfield,10 Poster

Não se faz mais filmes de suspense como antigamente. Saudosismo ou não, a questão é que, atualmente, em um único trailer de dois minutos, podemos antecipar todo o desenrolar de um longa. Isto definitivamente não ajuda. Para os mais atentos é possível observar situações, reviravoltas e desfechos que poderiam facilmente serem reservados para o grande momento de ver o filme.

Por um lado temos o risco de comprar um ingresso — nem sempre barato — para um filme que não conhecemos. Daí a necessidade de saber exatamente o que se vai assistir. Do outro lado, a estratégia dos estúdios em seduzir o público — inseguro — com uma prévia generosa do filme. Quase nunca funciona, trailers sempre enganam, mas a verdade é que estão cada vez mais completos, e isso parece ser algo permanente. O máximo que conseguimos com isto é estarmos um passo a frente da historia, como se fosse realmente necessário, pressupondo quando tal cena — vista no trailer — vai finalmente desenrolar.

Neste ponto, Rua Cloverfield, 10 buscou diferenciar-se dos demais lançamentos e manteve uma eficaz onda de mistério em torno de sua produção e lançamento. Sua estreia foi na contramão da formula hollywoodiana de sucesso, sem grandes campanhas, informações excessivas ou trailers tão reveladores. E a contar pela recepção de público e critica, funcionou perfeitamente.

Sem muito alarde, anunciado apenas como possível continuação de Cloverfield: Monstro, filme de 2008, grande hit produzido pelo atual Midas do cinema norte americano JJ Abrams, foi conquistando público e crítica com uma historia simples e assustadora — Michelle, uma jovem garota, após sofrer um acidente de carro, desperta em um abrigo subterrâneo com dois homens que garantem a ela que o mundo foi dizimado por bombas nucleares e que ali, abaixo do solo, é o único lugar seguro onde a vida ainda é possível. A tensão está criada, temos uma boa e inquietante história, amparada por seu trio de atores, liderados por um sempre brilhante John Goodman, ao lado de Mary Elizabeth Winstead e John Gallagher Jr.

Mary Elizabeth Winstead as Michelle in 10 CLOVERFIELD LANE; by Paramount Pictures

Mais informações poderiam comprometer a diversão, afinal o cinema ganha muito quando reserva surpresas ao público. Deve-se deixar levar a um novo e assustador universo ficcional sem muitas prévias do que poderá acontecer. O negócio é aventurar-se. O público, acostumado com blockbusters e suas fantasias sob medida, merece um reencontro com este tipo de filme, que resgata a fábula sombria e nos remete àquele momento em que nos ajeitamos na cadeira, não por estarmos desconfortáveis, mas por estarmos com medo, envolvidos no que estamos assistindo e querendo mais. Exatamente como foi idealizado por seus criadores, da excelente trilha sonora à belíssima fotografia, tudo foi planejado para que você possa embarcar neste jogo psicológico e tenso, embalado em um genuíno suspense como há algum tempo não se via. Aproveite!

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