UnReal 1×01 — Return

Primeiro episódio carrega no drama ao mostrar os bastidores de um reality show.

Esse emprego é o c* de Satanás!” — GOLDBERG, Rachel

O primeiro reality show estreou em 1973, nos EUA. Nomeado An American Family (Uma Família Americana), e a proposta era acompanhar a rotina de um casal e seus filhos. O programa tornou-se um sucesso, ganhando depois uma dramatização da história chamada Cinema Verité, da HBO, em 2011.

Depois de 42 anos, os realities shows continuam fascinando os telespectadores. A simulação da realidade é tão bem sucedida que há um número crescente de novas ideias: seja o confinamento de quase famosos em uma fazenda até uma competição para escolher a drag queen mais fabulosa dos EUA.

Com o sucesso dos shows da realidade, era esperada a criação de uma série sobre o fenômeno. UnReal estreou em junho deste ano nos EUA, com dez episódios e uma renovação já confirmada. No Brasil, a previsão do canal Lifetime é estrear a série em janeiro de 2016. Criada por Marti Noxon (Buffy, a Caça Vampiros) e Sarah Gertrude Shapiro, a série dramatiza a gravação da nova temporada de Everlasting, um reality semelhante ao The Bachelor, que, para quem não sabe, mostra um solteiro com cara de príncipe encantado que precisa escolher uma nova pretendente entre um grupo de mulheres bonitas e dispostas a dizer o “Sim. Eu Aceito!”

Constance Zimmer é a produtora executiva inescrupulosa.

Mesmo com infinitas possibilidades de comédia com algo que parece tão surreal que só poderia criar momentos cômicos, a série é dramática e expõe o lado cruel da televisão, orientada totalmente por um modelo de consumo machista, fetichista, sexista e baseado na idade, onde uma mulher de 30 e poucos anos é chamada de MILF (que eu não sabia o que significava e só fui descobrir por causa da série).

O piloto já mostra um lado mais que ácido e vai fundo ao descortinar os bastidores do programa. Com personagens bem definidos, somos apresentados à protagonista: a produtora eficiente que surtou na penúltima temporada e volta como freelancer. Toda a ação é concentrada em Rachel Goldberg (Shiri Appleby, das saudosas Life Unexpected e Roswell). O lado doce de Shiri ajuda a compor uma personagem que nos cativa. Já no piloto descobrimos por que ela surtou e como pode, mesmo tendo princípios, ser uma produtora inescrupulosa.

Vocês ganham um bônus para cada cena de nudez”. — ZIMMER, Constance

Os roteiristas optaram por fazer um primeiro episódio sem muitas novidades e invencionices. São 44 minutos em que somos apresentados ao príncipe encantado Adam (Freddie Stroma, mais conhecido por participar de Harry Poter e O Enigma do Príncipe), inglês herdeiro de uma rede de hotéis, que caiu em desgraça e aposta no reality para salvar a imagem, e às principais concorrentes: a MILF citada anteriormente, uma interiorana virgem, a mocinha atirada, uma brasileira (que reforça nossos piores clichês) e uma negra, Shamiqua.

Além dos personagens do próprio reality show e da produtora, somos apresentados também à equipe do programa, com destaque para a diretora/produtora executiva, Quinn King (Constance Zimmer, de House of Cards e Agents of Shield), mostrada como uma mulher totalmente sem caráter e que domina a arte de entreter os telespectadores da maneira mais baixa. Interessante perceber que a própria Lifetime, responsável pela exibição da série, é muito famosa pelos realities shows mais “criativos” do momento.

O mais cativante do primeiro episódio, que consegue fisgar e deixar com uma sensação de que iremos acompanhar os dez capítulos até o final, é a aceitação dos criadores em assumir a crítica e o drama. O cenário (a mansão onde é filmado o show) é cafona, com flores de plástico, numa tentativa de deixar claro o quão cafona é um programa sobre escolher pretendentes e o quão plastificada é a televisão, com seus modelos e simulacros de beleza.

E os personagens estão todos num tom acima, exacerbando a ideia de surreal, de irreal. E ao abraçar o drama (e não a comédia), a série convida a pensar. Afinal, esses programas só existem ainda pois há audiência. Ou seja, também somos responsáveis.

Você cortou a minha vilã e não posso fazer meu show sem uma vilã”. — ZIMMER, Constance

Com muitas tiradas e críticas ao momento atual (como a questão do racismo ainda existir nos EUA, mesmo sendo um país governando por um presidente negro), UnReal não é apenas a crítica pela crítica. É algo muito divertido. Em tempos de guerra de audiência no Brasil e discussão sobre mudança de temática das novelas, a série vai fundo na questão do gosto popular, escancarando nossa predileção pelas vilãs, por exemplo.

UnReal é a dramatização de um show da realidade, que nada tem de real. Mas tem gente bonita para todos os gostos e gêneros. As atrizes são belas e os atores parecem ter saído de páginas de revistas de moda. Será que os bastidores dos realities brasileiros são assim? Opinem…

Não deixem de assistir e seguir aqui no Box de Séries as próximas reviews desta série.

[taq_review]

Sobre o Autor

Avatar

BOXPOP

Site especializado em cultura pop, fundado em agosto de 2007. Confira nossos podcasts, vídeos no youtube e posts em redes sociais. Interessados em contribuir como autor no site podem entrar em contato: contato@boxpop.com.br

Deixe um comentário

clique para comentar

Esse site utiliza o Akismet para reduzir spam. Aprenda como seus dados de comentários são processados.

OUÇA O BOXCAST

VIDEOCAST

Lidio Mateus, o brazilian singer da internet, comenta todos os bafos e segredos de sua carreira.

Tem série nova na HBO e os bastidores dela foram recheados de TRETAS. A gente conta todas neste vídeo.

Esse é o filme que vai ganhar o Oscar de filme estrangeiro. Neste vídeo comentamos Parasite. Assista!

SEJA UM PADRINHO!

Contribua!

OUÇA ACABEI DE LER