Veja 10 cenas marcantes de novelas brasileiras

De humor pastelão ao terror, essas cenas marcantes de novelas dão muito o que falar até hoje. Confira!

Cenas marcantes de novelas é o que não falta na nossa dramaturgia brasileira, que conta com mais de 800 novelas no acervo. Fato é que aquelas que são sempre muito repercutidas ou lembradas não saem da nossa memória e muito menos das nossas conversas…

Depois de relembrar 8 cenas de brigas em novelas, BOXPOP reúne agora 10 cenas marcantes de novelas, indo dos anos 70 até os dias atuais. Veja!

Charlô e Otávio discutem durante café da manhã — Guerra dos Sexos (1983)

Firmando um estilo de escrita inspirado no cinema, ao mesmo tempo que usava do lúdico escrachado à crítica bem-humorada do cotidiano, é claro que Sílvio de Abreu, na época ainda como autor, teve a ideia de reunir dois ícones do nosso teatro, Fernanda Montenegro e Paulo Autran, para cenas de brigas no maior pastelão, com direito a muita torta na cara. Essa cena do café da manhã é até hoje lembrada, tendo sido regravada na nova versão da novela em 2012.

Charlô (Fernanda Montenegro) e Otávio (Paulo Autran) se detestam e fazem de tudo para manter distância um do outro. Quando um tio milionário morre, deixando uma herança incalculável para seus sobrinhos, eles se veem obrigados a conviver juntos, já que o impõem uma condição: para ficarem com a fortuna, os dois terão que morar na mesma casa e trabalhar na mesma empresa.

Carlão morre abraçado à uma mala de dinheiro — Pecado Capital (1975)

Outra novela de nossa dramaturgia que teve uma 2ª versão e com uma cena marcante: a morte de Carlão, abraçado à mala de dinheiro, encontrada em seu táxi.

Janete Clair inovou para os padrões da época, já que trouxe um herói pouco convencional, que morre no fim da história. Carlão (Francisco Cuoco) é um motorista de táxi que vive um drama de consciência depois que assaltantes de banco em fuga esquecem em seu carro uma mala com o dinheiro roubado: não sabe se a entrega à polícia, correndo o risco de ser acusado de cúmplice do roubo, ou se usa o dinheiro para resolver seus problemas.

Feita às pressas, devido à proibição de Roque Santeiro pela censura, Pecado Capital fez um enorme sucesso ao buscar o realismo e trazer o universo suburbano carioca a partir de um triângulo amoroso formado por um taxista, um viúvo rico e uma jovem operária que sonha melhorar de vida.

Gabriela pega pipa presa no telhado — Gabriela (1975)

Adaptação livre de Gabriela, Cravo e Canela (1958), de Jorge Amado. Gabriela (Sônia Braga) é uma das vítimas da seca. Moça de natureza livre e impulsiva, ela consegue trabalho como cozinheira na casa do “turco” Nacib (Armando Bógus), com quem vive uma sensual história de amor.

Gabriela não demora a despertar a atenção do homens de Ilhéus — e a inveja das mulheres –; devido à sua sensualidade e beleza.

Assassinato de Odete Roitman — Vale Tudo (1988)

Vale Tudo é uma de nossas principais novelas, já que dialoga muito com o público de seu tempo. Na verdade, até hoje, tem diversos assuntos atuais, que talvez — infelizmente — não mudaram no nosso Brasil, como a inversão de valores, a corrupção ou a falta de ética. É por isso que tem muitas cenas marcantes.

Para falar do assassinato de Odete Roitman, por exemplo, não poderíamos escolher apenas uma cena, mas sim trazer a sequência de cenas que explicam sua misteriosa morte.

Gilberto Braga, autor da novela, já declarou em entrevistas por diversas vezes que o assassinato de Odete Roitman foi criado no fim da novela para movimentar um pouco a novela, que já estava com a maioria das tramas rumo ao desfecho.

Seu assassinato gerou um grande mistério na trama. O Brasil inteiro parou para saber “quem matou Odete Roitman”. O assassino era um personagem que ninguém esperava: Leila (Cassia Kis Magro), mulher do mau-caráter Marco Aurélio (Reginaldo Faria), diretor da TCA. Leila atira em Odete pensando se tratar de Maria de Fátima, que se tornara amante de seu marido.

Embora hoje em dia isso não seja mais tão impactante, ainda em Vale Tudo, a cena de Marco Aurélio dando uma banana para o Brasil, também está entre as mais emblemáticas de nossa dramaturgia, ao fugir do país depois de aplicar um golpe financeiro.

Beijo gay em Amor à Vida — Amor à Vida (2013)

Amor à Vida dissipou um pouco a polêmica do beijo gay masculino em novelas — apenas dissipou, já que ainda há muito o que avançar nesse sentido, visto que outros países retratam personagens e seus romances de uma forma muito mais naturalista, o que demonstra o quanto o público ainda é muito conservador.

Em Amor à Vida, isso foi conseguido porque Walcyr Carrasco foi hábil em construir os personagens Niko e Félix, fazendo com que o público torcesse pelo amor dos dois, fazendo com que o amor fosse capaz de mudar o vilão. O beijo delicado, natural, um pouco mais que um selinho, acontece após um café da manhã, no dia-a-dia de um casal, selando o afeto que um tem pelo outro.

Camila raspa a cabeça — Laços de Família (2000)

Atualmente em exibição no canal Viva, Laços de Família tem uma cena marcante que até hoje vem à nossa memória: Camila (Carolina Dieckmann) raspa a cabeça, após descobrir que tem leucemia, em uma sequência de jump cuts — um salto na imagem a partir de cortes de uma mesma cena em tomadas diferentes.

Fernanda morre após levar tiro de bala perdida — Mulheres Apaixonadas (2003)

A cena em que Fernanda (Vanessa Gerbelli) é vítima de bala perdida foi muito aguardada, pois o destino de Fernanda estava previsto para os capítulos iniciais da trama e acabou demorando para acontecer: os espectadores se afeiçoaram a história de Fernanda com sua filha Salete (Bruna Marquezine).

Téo (Tony Ramos) e Fernanda são vítimas de balas perdidas durante uma troca de tiros no Leblon, bairro da zona sul do Rio de Janeiro, onde se passa a novela. Téo é atingido na cabeça e sobrevive depois de uma cirurgia; Fernanda não resiste, após alguns dias internada em estado grave.

Téo tira Fernanda do carro, em vez de os dois ficarem agachados. Isso trouxe a discussão pela mídia de como reagir a casos como esse. A cena em si parecia parte de crônica de jornal, algo muito recorrente nos tempos áureos de Maneco no horário nobre.

Explosão de shopping — Torre de Babel (1998)

A explosão do shopping Tropical Towers, em São Paulo, marcaria a vingança de José Clementino (Tony Ramos) a César Toledo (Tarcísio Meira). Seu plano é destruir o grande empreendimento de César, mas sem ferir inocentes: os explosivos só seriam detonados assim que o shopping estivesse vazio. No entanto, a explosão acontece misteriosamente antes da hora, deixando muitos feridos e matando várias pessoas.

Embora prevista na sinopse, como Silvio de Abreu sempre defende quando perguntado sobre a explosão, o acontecimento serviu com uma mexida substancial na história, já que a violência afastou o público logo na primeira semana de exibição: José Clementino (Tony Ramos) mata sua mulher e o amante com uma pá, contrariando a imagem de bom moço que conquistou ao longo de sua carreira.

Muitos personagens incompreendidos pelo público acabaram deixando a trama durante a explosão, como o casal de lésbicas Rafaela (Christiane Torloni) e Leila (Sílvia Pfeifer), o drogado Guilherme (Marcello Anthony), vindo de uma família de classe média-alta e o violento Agenor (Juca de Oliveira).

O perfil de Tony Ramos, inclusive, também foi alterado: de um homem vingativo nutrido por sentimentos ruins, ele passou por uma redenção ao descobrir o amor com Clara (Maitê Proença).

A partir daí, a trama prioriza o suspense e o policial, descobrindo-se o culpado pela explosão apenas no último capítulo: Sandrinha (Adriana Esteves), revelação feita por Luzineide (Eliane Costa), que passou a novela inteira sem abrir a boca.

Senador Caxias discursa para plenário vazio — O Rei do Gado (1996)

O Rei do Gado trazia muitas questões que inquietavam seu tempo, assim como Vale Tudo e era uma novela rural com um romance que dava gosto de acompanhar, assim como não é Velho Chico.

Nesta cena específica, temos uma crítica social muito clara: o incorruptível senador Roberto Caxias (Carlos Vereza), político dedicado e defensor das minorias, que não falta a uma sessão no Congresso Nacional, defendendo a reforma agrária, discursa em uma sessão do plenário praticamente vazia: quem está lá, parece não estar (um senador lê jornal, outro fala ao celular e tem ainda aquele que dorme).

Carminha enterra Nina viva — Avenida Brasil (2012)

Essa cena foi épica no fenômeno Avenida Brasil: Carminha (Adriana Esteves) decide enterrar Nina (Débora Falabella) numa cova, deixando apenas com o rosto para fora, contando com a ajuda de Lúcio (Emiliano D’Ávila), após descobrir que a empregada, na verdade, é Rita, sua ex-enteada que abandonou no lixão e está de volta para se vingar da madrasta, responsável pela morte de seu pai Genésio (Tony Ramos).

É claro que João Emanuel Carneiro e a equipe da novela beberam da fonte de Tarantino, Jogos Mortais e The Walking Dead, flertando com um toque do gênero terror.

Essas são apenas algumas das muitas cenas marcantes que a teledramaturgia brasileira tem. Você lembrou de mais alguma que poderia estar na nossa seleção? Deixe seu comentário e conte para gente! Até a próxima coluna!

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