Vinte anos de Sakura Card Captors

20 anos da valente Sakura, que aceitou a missão de encontrar as Cartas Clow em Sakura Card Captors.

Cartas Clow, quando seu lacre de proteção for violado, ao mundo virá à desgraça [introdução do livro Clow]

Sakura icone

Lembro de assistir Sakura Card Captors pela Globo. Era por volta do ano 2000, passava de manhã na Angel Mix e depois Bambuluá. Via meio escondido, afinal, era um desenho considerado “para meninas”. Mas com o perdão do termo, era F@#A pra C$#¨%$@.

Aí, discretamente (eu lembro até hoje que eu estava na quarta série no fundamental, atual quinto ano), um dia revelei meu segredo para um amigo. “Eu assisto Sakura Card Captors”. Logo em seguida ouvimos um “eu também”, e outro “eu também”. Então descobrimos que todos os meninos da sala de aula curtiam Sakura, muito mais que as meninas. Assim começava minha trajetória com a jovem Sakura Kinomoto.

Autoras

O mangá Sakura Card Captors foi criado em 1996 pela CLAMP, um grupo de mangakás formado somente por mulheres que entre outras obras, criaram Guerreiras Mágicas de Rayearth, xxxHolic, Tsubasa Reservoir Chronicles, entre outros. No ano de 2000, a editora JBC realizou suas primeiras publicações de mangá no Brasil (no sentido de leitura oriental) e lançou Sakura Card Captors junto de Samurai X (Rurouni Kenshin).

O Enredo

Sakura foi o primeiro mangá que comprei e colecionei. Tenho até hoje as 24 edições do mangá (relançado em 12 edições no ano de 2013). Foi ele quem abriu as portas para a minha extensa coleção de mangás (dezesseis anos de coleção, imagine como está meu quarto), mas acima de tudo para aquele que vos escreve, foi o roteiro dele que fez com que eu até hoje fosse apaixonado por mangás e lhes direi o porquê.

O mangá acompanha a história da garota Sakura Kinomoto, filha de Fujitaka Kinomoto e irmã de Touya, cujo melhor amigo é o jovem Yukito. Sua melhor amiga é Tomoyo e elas estudam na escola primária de Tomoeda. Sua vida se transforma após abrir um livro da biblioteca de seu pai, onde sai dele Kerberos, um ursinho de pelúcia amarelo com poderes e que fala. Porém, Kerberos está assim pois está sem seus poderes — a sua forma real é um tigre-alado e ele é Guardião das Cartas Clow. Vinte cartas criadas por um mago que tem diversos poderes, como controlar os elementos (carta fogo, carta água, etc.), cartas que envolvem a natureza (carta bosque, carta trovão…) e as duas cartas mais fortes que controlam o Ying e o Yang (carta luz e carta escuridão).

Kerberos faz Sakura se tornar uma caçadora das cartas e lhe dá um báculo. Porém, na sua jornada, ela cruzará o caminho de Lee Shoran, o sobrinho do criador das cartas que veio de Hong-Kong para salvar o mundo da desgraça das cartas. Logo em seguida, será uma professora substituta, Kaho Mizuki, sacerdotisa de um templo que está de volta da Inglaterra para cumprir uma missão misteriosa.

Após coletar as vinte cartas, Sakura é desafiada a cumprir o Juízo Final. É revelado que o Yukito (amigo de seu irmão e crush da Sakura) é na verdade Yue, o segundo guardião das cartas e que ele é incumbido da missão de julgar se ela merece ser a nova dona das cartas. Porém, se ela perder, uma desgraça acontecerá, e todo mundo que teve contato com algumas das cartas, perderá qualquer sentimento de amor que tem.

Sakura enfrenta Yue, mas ainda não tem poderes o suficiente para derrotar ele. Então, Kaho Mizuki a ajudará e lhe dará um sino que contem o poder da lua e com isso Sakura conseguirá derrotar Yue e se tornar a nova dona das Cartas Clow. Nesse instante, Sakura entra em um breve transe e encontra o verdadeiro Mago Clow que lhe diz “pode ser que eu vá incomodá-la em breve, mas estará tudo bem com você”. Assim termina o primeiro arco dessa série.

Ágape, Eros e Philia

Os gregos tem mais de dez palavras para expressar a palavra amor (enquanto nós, descendentes da língua latina, temos somente o amor para falar de amor, ou Love, amoré, amour, etc), entre elas as palavras Ágape que significa o amor de Deus, de criador para criatura e vice-versa. Também Philia, que é o amor fraternal, aquele amor que você se doa até doer e não precisa de beijo, carícias sensuais e nem do sexo para se expressar. Por último, explico aqui o Eros, o amor sexual, a paixão, aquele fogo que arde sem se ver, aquele contentamento descontente (complete aqui com o resto do texto de Camões).

As cartas criam um laço com seu dono, então por isso que o castigo final é justamente elas perderem o laço que criaram com ele e em troca, todo mundo que teve um contato com elas, também perderá isso, esse sentimento de amor supremo, o Ágape, do qual alimenta todos os outros sentimentos relacionados ao amor que temos e criamos ao nosso redor.

Nós temos também o trio formado por Sakura, Yukito e Shoran; pode parecer estranho à primeira vista que Shoran mesmo tendo dez anos, é apaixonado por um garoto de dezoito anos de idade. Mas é sobre o Philia que estamos falando, um amor inocente que não tem nada de sexual. Justamente, é a dificuldade de entender que amor é esse que faz com que tanto Sakura quanto Shoran disputem a atenção do Yukito e não entendam que sentimento é esse que aflora sobre eles. Justificado depois pelo fato de que Yukito por ser o guardião das cartas, atraia magicamente os dois.

Em seguida temos o casal Kaho Mizuki e Touya. Eles viveram por muito tempo o Eros (mesmo ela sendo mais velha e professora dele), mas chegou um ponto que os dois entendem que acabou e Mizuki prevê para Touya que no dia que ela voltasse ao Japão, ele já estaria gostando de outra pessoa. Fato que o próprio Touya confirma ao dizer que tudo o que Kaho previu no passado se tornou realidade.

Esses “segmentos” de amor, faz com que o roteiro seja tão rico, mesmo com o pano de fundo da aventura da caça às cartas Clow. Passando pelo casal Rika e Professor Terada, que é um casal polêmico (afinal ele tem mais de vinte anos e ela tem doze), mas a sutileza que as autoras usam, faz com que não haja malicia nessa trama e sim um amor puro, que eles vão esperar o tempo necessário para concretizar.

Sutileza acaba sendo a palavra chave, pois também percebemos que a Tomoyo tem uma queda por Sakura e que Touya e Yukito também nutrem sentimentos um pelo outro (trama que será mais aprofundada no segundo arco da história). Mas em momento algum a Clamp escancara isso como relações de homossexualidade. Elas trabalham o Philia e o Eros de uma maneira que foge dos padrões de nossa cultura ocidental de estereótipos e trabalha conceitos de amor da maneira mais singela e verdadeira. Afinal, o amor é o laço que une as pessoas (e não a orientação sexual, são coisas diferentes).

Tudo isso, você encontra em Sakura Card Captors. São esses laços de amor que vão construir esses personagens e trarão uma profundidade para a história, que enquanto as crianças veem a menininha que caça cartas, os mais velhos vão ver como o Amor vai construir a relação entre essas pessoas e que viver sem ele é a desgraça que seria pior que a destruição do mundo.

Observação

Sakura Card Captors cosplay de Alice

Hoje Sakura Card Captors completa vinte anos de publicação. Registro aqui a minha homenagem à esse mangá que marcou minha vida e convido você a ler ou assistir ao anime que também é excelente. “Liberte-se!”

No Brasil, Sakura Card Captors foi publicado em doze volumes no ano de 2012, pela editora JBC. Esse texto abordou o arco das Cartas Clow, formado do volume um ao seis.

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