White Collar: a genialidade da ladroagem

“Você sabe o quanto o FBI poderia se beneficiar comigo sabendo lutar?” — Caffrey, Neal
“Eu acho que Nova York é extremamente mais segura com Neal Caffrey sem mais uma habilidade.” — Burke, Peter.

Para comemorar com excelência o Dia da Mentira, o que seria melhor do que resenhar sobre White Collar e seu sagaz, sedutor e brilhante (e mentiroso) protagonista? Séries procedurais nunca foram minhas preferidas, e talvez nunca serão, mas o drama policial dos EUA focado em crimes de colarinho branco apresenta um leque de diferenciais que apresenta grande capacidade para cativar e atrair a atenção de muitos, sejam eles fãs ou não deste estilo narrativo. White Collar é engenhosa, criativa e dinâmica, e mesmo um pouco inconsistente, toma posse de um alta qualidade extinta entre as séries do gênero.

White Collar Season 3 poster

Neal Caffrey, um inteligente falsificador e habilidoso bandido, após ser capturado pelo agente Peter Burke, é condenado à prisão perpetua. Para escapar de sua condição, Neal firma uma aliança com o agente do FBI, oferecendo sua ajuda para capturar perigosos criminosos em troca de uma liberdade limitada. Agora, Neal vive como agente federal, lutando em nome da justiça para finalmente começar sua jornada de redenção que, talvez, nunca terminará.

Se você já teve a felicidade de conferir um episódio de White Collar, provavelmente é de seu conhecimento o melhor da série: seu núcleo de personagens e respectivos atores. Desde mafiosos a mocinhos federais, ou cativantes aliados e pessoas do passado, fica firmada a maior prova de que seu conjunto de personagens é excepcional. Dentre caráteres diferentes, todos apresentam sua unicidade, sem deixar de serem carismáticos e enigmáticos. Não obstante, os intérpretes constroem muito bem as personalidades que vivem nas telinhas, garantindo uma ótima avaliação quando o assunto é o elenco. Fruto disso, somos presenteados com uma ótima química entre personagens e atuações fantásticas.

nealwhitecollar

O outro ponto forte de White Collar é e era (entenda depois o porquê da conjugação no passado) seu roteiro. Dinâmica, inteligente, criativa e cômica: estas são as qualidades de White Collar e sua narrativa.

Dinamicidade é um elemento fruto da proposta estrutural do enredo. White Collar é ágil e dinâmica graças à oscilação das muitas camadas e arcos movimentados semanalmente, onde tudo é trabalhado de forma brilhante sem o famoso embromation, a arte do falar muito e não sair do lugar…

A ironia e o tom cômico arrojado encaixados em meio às tramas, ótimos diálogos e relações entre seus personagens adicionam leveza no clima investigativo dos eventos semanais, o que acarreta em um fluir menos denso ou cansativo para maior naturalidade no desenvolver. Se existe algo ruim em série investigativas, esse mal é a persistência na tentativa de criar certa tensão super carregada, nem sempre necessária. White Collar encontra a cura para esse defeito na onipresença do sarcasmo delicioso implantado explicitamente nas mais diversas maneiras; um ótimo investimento para uma atmosfera bem proveitosa e diferente do usual.

Não ser sempre interessante é um mal que assombra toda série procedural, e White Collar também sofre disso. Ainda sim, a série consegue reverter essa falha de forma muito inusitada. Os casos, mesmo quando não convincentes, são vítimas de uma criatividade impecável no desenvolver e sempre se concluem de forma sagaz e inesperada. Tanto a criatividade quanto a inteligência, uma dupla de méritos já citada, são membros onipresentes na história, e assim, White Collar sempre apresenta um motivo para nos manter interessados.

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É uma pena White Collar não ser um mar de rosas. Uma confissão: seria arduamente difícil apelar para a imodéstia caso essa coluna fosse publicada nas primeiras duas temporadas de White Collar. O roteiro apresentava uma consistência inigualável, casos incomparáveis e a fórmula para a série perfeita estava em mãos. A queda de qualidade e perda de rumos se deu a partir do momento em que fatores secundários interferiram na proposta inicial: crimes e redenção.

Em uma tradução clara, a quarta temporada foi o abismo. Transformar o arco central da temporada em uma trama familiar com um fundo levemente investigativo resultou em uma grande perda de caráter; de repente, a série era um drama light com elementos policiais. De fato, esse equívoco não é apenas culpa do quarto ano da série, uma vez que essa nova atmosfera começou a ser experimentada no final de seu ano secundário, mas concretizou-se fielmente quando já era uma veterana mais experiente. Assim, White Collar construiu lentamente sua ruína e, hoje, os efeitos colaterais acarretaram neste samba sem rumo com a identidade perdida.

Prolongar a série indica a falha mais recente no roteiro. Para não envolver spoilers em meio à resenha, a crítica final é que White Collar não soube a hora de parar e com o sucesso lá fora, não aprenderá tão cedo.

“Você está animado porque alguém copiou você?!” — Burke, Peter
“Plágio e adoração insincera são a mesma coisa.” — Caffrey, Neal

Mesmo seguindo por caminhos estreitos recentemente, os vestígios da antiga White Collar ainda a fazem uma série boa. A narrativa se mantém satisfatória e os personagens seguram bem as rédeas dos capítulos. Para os não fãs de séries procedurais, White Collar é uma ótima porta de entrada para o gênero, e para o velho fã, a série mais famosa dos EUA é mais uma a infilltrar-se na lista de séries favoritas e entreter-te por quatros boas temporadas.

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