Zé do Caixão 1×01 — Episódio Um

Matheus Nachtergaele é a grande atração no fascinante primeiro episódio do histórico Zé do Caixão.

Olhe, Sira, este bando de escravo, sendo guiado por charlatões!” — MOJICA, José

Apesar do título da série ser Zé do Caixão, o personagem principal não é o coveiro que já faz parte da cultura brasileira, mas sim seu criador: José Mojica Marins. O objetivo da série, como o slogan diz, é mostrar a vida do diretor que fez da morte uma arte.

Como está contando a história de uma pessoa histórica, Zé do Caixão já bate de frente com alguns obstáculos. O gênero da docu-série dramática muitas vezes parece uma versão visual de um livro de história e não uma história propriamente dita. Como é que a série vai se diferenciar da página da Wikipédia de Mojica?

A resposta para esta pergunta é Matheus Nachtergaele. O ator desaparece no papel de Mojica, e após cinco minutos parece que você está assistindo o diretor rejuvenescido.

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Em vez de só contar a história da criação do Zé do Caixão, Nachtergaele dá ao personagem de Mojica uma humanidade desigual. Ele se interessa pelo que faz o homem Mojica sorrir e chorar, e sua performance é o que conecta a série como um todo.

Não é só de Nachtergaele que a série se faz. Ela também serve como um olhar interessante para o cenário da produção cinematográfica brasileira nos anos 50, um mundo que não recebe muita atenção quando comparado a todos os filmes e séries feitos sobre o cinema nos Estados Unidos por ano.

Ao demonstrar o conflito entre Mojica, dirigindo um faroeste com sensualidade e violência, e os cidadãos religiosos da pequena cidade, Zé do Caixão mostra algo bem brasileiro. Dá pra ver que essa história só poderia ter acontecido aqui.

Nachtergaele usa essa chance para desenvolver o seu personagem. Seja em cenas onde ele imagina monólogos contra o povo da cidade, ou em momentos onde tenta agradar o delegado e o padre, ele transforma Mojica na imagem do jeitinho brasileiro.

Uma boa fotografia é necessária para mostrar todo o esplendor do elenco, e o diretor Vitor Mafra consegue transformar uma pacata cidade no interior de São Paulo em um cenário que parece ter saído do cinema: de um drama tenso a um filme de terror B.

O roteiro passa por alguns probleminhas, com certos personagens e encontros parecendo muito convenientes para serem reais. Uma cena em que Mojica recebe a cartola que um dia será parte do visual icônico de seu personagem é ficção demais.

Zé do Caixão também usa uma outra arma para retratar a realidade de Mojica: a nudez. Nunca é usada em excesso, e sim para enfatizar certos momentos importantes para o personagem. É um autocontrole admirável, especialmente considerando o comportamento do Mojica personagem.

É muito difícil imaginar alguém que não gosta do personagem vendo a série, mas se você se interessa pela história do cinema no Brasil, ou se gosta de ver alguém dando show de atuação, o primeiro episódio é um prato cheio. E vem muito mais por aí!

O que você achou de Zé do Caixão? Deixe a sua nota e comente.

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