Zé do Caixão 1×02 — Episódio Dois

A veracidade e a magia se misturam quando Zé do Caixão conta a origem de seu personagem título.

No Brasil nós têm as mulher mais bonita… e os monstro mais horrível.” — MOJICA, José

Será que, na vida real, após rejeitar uma série de atores para o papel de Zé do Caixão, José Mojica Marins adentrou uma sala, leu um dos monólogos do filme para si mesmo, colocou capa e chapéu, atuou na frente de seus sócios e decidiu que ele interpretaria o personagem principal, tudo em um espaço de cinco minutos?

Provavelmente não. Só que isso não faria uma boa série.

Zé do Caixão define seus interesses no segundo episódio. Em todos os quarenta e cinco minutos, houve apenas uma cena dedicada a Mojica como pessoa, e não Mojica como diretor. Todo o resto foi dedicado à história por trás do filme que revelou Zé do Caixão para o mundo. Como série, Zé do Caixão está interessado mais no Mojica que transformou o cinema brasileira, não o Mojica que tinha um romance com Dirce.

Isso em si não é ruim. Se o lado diretor de Mojica fosse mal desenvolvido, a série como um todo iria desmanchar instantaneamente. Mas é tudo feito com tanta qualidade que quando Zé do Caixão solta de Mojica diretor, a série empaca. Felizmente, é só uma cena, e Zé do Caixão logo corrige seu caminho e volta para o que interessa o público.

O episódio em si (que não tem nome), é como um Greatest Hits da origem do Zé do Caixão. Alguns detalhes são ignorados (se me lembro corretamente, Mojica foi dublado por outro ator no primeiro filme do Zé do Caixão) e a série tem alguns problemas estabelecendo a progressão do tempo (do nada meses se passam, por exempl), mas os momentos históricos que são retratados recebem uma atenção tenebrosa.

Novamente, a direção de Vitor Mafra ajuda a transformar cada momento em um filme B. Isso é mais visível na cena do sonho, história que Mojica já contou várias vezes, mas que agora se torna um pesadelo aterrorizante com momentos de humor mórbido, desde o vulto em roupa preta arrastando Mojica pelo chão ao cenário que do nada se transforma em cemitério.

Nachtergaele continua a dar um show de atuação, especialmente agora que ele pode entrar no papel de Zé do Caixão. Certo que só vimos apenas cenas do ator como o coveiro, mas não seria ridículo pedir um novo filme do Zé com Nachtergaele no papel principal (justamente porque José Mojica não quer ser mais associado com o personagem, e pensa até em matar ele em um novo filme).

Apesar de tudo continuar no seu devido lugar, a nudez retorna sem nenhum sentido. É tão rápida e fraca que parece algo que foi colocado lá só pra atiçar uma parcela do público. Os atores coadjuvantes, infelizmente, não tem muito o que fazer neste episódio. Não é só porque Nachtergaele rouba qualquer cena com seu Mojica, mas também porque os roteiristas não estão interessados nos homens e mulheres que populam o mundo de Mojica.

Como um todo, Zé do Caixão continua um fascinante retrato de um homem importante para o cinema brasileiro. Não é um retrato tridimensional, sim, mas talvez um personagem mais profundo e profundo distrairia o público da parte mais importante dessa história: o nascimento do primeiro monstro de cinema brasileiro.

O que você achou do segundo episódio de Zé do Caixão? Deixe a sua nota e comente.

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