Zé do Caixão 1×03 — Episódio Três

Os detalhes desnecessários de Zé do Caixão se amontoam e causam um desconforto no terceiro episódio.

Que cada moeda que caia na sua mão te leve mais perto do inferno!” — DO CAIXÃO, Zé

Há uma cena no terceiro episódio de Zé do Caixão que descreve um problema que eu tenho com a atual direção da série. Em um momento, Mojica encontra Mário, seu sócio interpretado por Felipe Solari, no meio de um momento íntimo com uma das atrizes do próximo filme. Ela acha que ele a ama. Na verdade, isso é parte de um plano para manter ela mais dócil e fazer o processo de filmagem ser mais fácil.

Como um detalhe, esta sequência de eventos contribui para o clima geral da série, do mundo cafajeste de Zé do Caixão. Mas no episódio em si, ela acaba sendo uma sequência bem longa, que acaba deixando o episódio mais chato e faz com que Mojica, o personagem, pareça mais e mais um vilão.

Talvez essa é a direção que a série está tomando. A cena final mostra claramente uma intenção de explorar a linha tênue entre Mojica e o personagem que criou, e desde o primeiro episódio Zé do Caixão declarou que Mojica não era uma boa pessoa.

Mas há um constante sacrifício, ao menos neste episódio, do ritmo geral da série por estes detalhes que acabam não fazendo impacto nenhum. Se a intenção era mostrar Mojica se tornando o Zé, então a cena final faz esse papel muito melhor, sem deixar o telespectador com o desconforto de ver a atriz chorando.

O episódio inteiro está cheio de detalhes que acabam estragando o movimento da série. Novamente, os problemas entre Mojica e Dirce aparecem, mas eles são resolvidos quase instantaneamente. E o conflito entre os filmes de Zé do Caixão e a ditadura é relegada à uma ou duas cenas.

Há uma terrível falta de foco. Passamos do meio da série e está difícil dizer qual é o objetivo final. Será que é, como vimos no primeiro episódio, retratar um momento histórico no cinema brasileiro? Ou os roteiristas querem mais é dissecar a mente de Mojica e seu personagem?

Com três episódios faltando, é fácil se perguntar o que vem por aí. Até os anos 90, Zé do Caixão foi meio que relegado a uma posição de personagem secundário de outros filmes, um apresentador de histórias macabras. Pode ser que a série lide com o modo como Zé do Caixão virou famoso no exterior, onde ele é considerado um dos grandes monstros do cinema de terror, similar a Frankenstein ou Dracula.

Antes de Zé do Caixão ir brincar em outras caixas de areia, a série precisa sentar e pensar no que ela é sobre. Mais cenas randômicas sem resultado entre Mojica e Dirce não vão ser o suficiente para segurar o telespectador entre um intervalo ou outro. Episódio Três prova isso com o modo como a lentidão do episódio tira um pouco do esplendor da performance de Matheus Nachtergaele.

Mesmo com todos esses problemas, Zé do Caixão ainda é um show técnico, seja na cinematografia, nos cenários ou na trilha sonora. Só falta a carne narrativa pra complementar esse suculento osso.

O que você achou do terceiro episódio de Zé do Caixão? Deixe a sua nota e comente.

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