20 minisséries e novelas sobre a História do Brasil

No dia da Independência do Brasil, relembre algumas novelas e minissérie que contaram a história do nosso país ao longos dos séculos.

Romances impossíveis, vinganças engenhosas, lutas políticas, as tramas das novelas e minisséries se parecem com a História do Brasil, e por isso, é comum viajar no tempo com os folhetins que vemos na TV.

Você pode até não ser muito fã de História, mas com certeza já percebeu alguns costumes, moda e momentos que marcaram nossos 516 anos de história. Que tal relembrar algumas atrações que, além de nos prender na frente da telinha, também nos ensinaram um pouco do passado do Brasil?

A Muralha (2000)

A Muralha foi lançada em janeiro de 2000, na Rede Globo, ainda quando a emissora apostava em minisséries no período de “férias”. A trama, adaptada do romance de Dinah Silveira de Queiroz, foi escrita por Maria Adelaide Amaral, João Emanuel Carneiro e Vincent Villari, com direção geral de Denise Saraceni. A história se passa no Século XVII, durante a expedição dos bandeirantes pelo centro-oeste e sudeste brasileiro. Em busca de riquezas, os aventureiros liderados por Dom Braz Olinto (Mauro Mendonça), tinham como missão atravessar a muralha — uma referência à Serra do Mar, em São Paulo. A estreia, que marcou também o início das comemorações pelos 500 anos do descobrimento do Brasil, foi um sucesso para a emissora, com 44 pontos de audiência. Leandra Leal, Leonardo Brício, Regiane Alves, Caco Ciocler, André Gonçalves e Tarcísio Meira — como o icônico Dom Jerônimo Taveira — estavam entre as estrelas principais do elenco.

A Padroeira (2001)

A faixa das 18 horas na Globo sempre foi conhecida por ter tramas mais familiares e religiosos, como o caso de A Padroeira, lançada em 2001. Com 2015, a novela de Walcyr Carrasco, dirigida por Roberto Talma e Walter Avancini, era ambientada em 1717 e tinha como inspiração o romance As Minas de Prata, de José de Alencar. Embora o enredo principal fosse a devoção dos pescadores à Nossa Senhora Aparecida, a padroeira do Brasil, o romance impossível de Valentim e Cecília roubou a cena. O tema coube ao horário, mas não agradou muito, por isso foi modificada logo no início com a inserção de Susana Vieira (Dorotéia), Rodrigo Faro (Faustino), Daniel de Oliveira (Padre Gergório) para movimentar a trama. Por fim, o que ficou marcado foi a música de Joanna, A Padroeira, que foi uma das aberturas da novela.

Xica da Silva (1976)

Eleita uma das melhores novelas brasileiras, Xica da Silva se tornou uma das referência da agora extinta Rede Manchete. Baseada no livro Xica Que Manda de Agripa Vasconcellos, Walcyr Carrasco — com o pseudônimo Adamo Angel — levou para a televisão a história da escrava que se torna livre ao casar com o Contratador João Fernandes, um dos homens mais ricos do Brasil, ainda colônia de Portugal. Quase 40 anos antes de Verdades Secretas, Carrasco deixou o Brasil boquiaberto ao exibir Tais Araújo, então com 17 anos, seminua em horário nobre — fato que aconteceu quando a moça completou a maioridade. Mas não foi só ela: Adriane Galisteu, a Clara, também mostrou o corpão na telinha. Isso sem falar na vilã Violante, que consagrou Drica de Moraes.

Liberdade, Liberdade (2016)

A minissérie inspirada em Joaquina, Filha do Tiradentes, de Maria José de Queiroz, foi mais um sucesso da nova faixa das 23h na Rede Globo. A atração foi assinada por Márcia Prates teve 67 episódios, e um spinoff, A Lenda do Mão de Luva, com Marco Ricca como protagonista. A trama acompanha Joaquina da Silva Xavier (Andreia Horta), a filha do inconfidente Joaquim José da Silva Xavier, o Tiradentes, após ele ter sido enforcado por ordem da Coroa Portuguesa. Além da desigualdade racial e de gênero, o folhetim ainda tratou sobre a homossexualidade no século XVII, que ao contrário do preconceito de hoje em dia, era tratado como pecado pela Igreja Católica.

Quinto dos Infernos

Quinto dos Infernos (2002)

No ano em que a Independência do Brasil comemorava 180 anos, Quinto dos Infernos trouxe com muita comédia os maiores mitos dessa parte da nossa história. A minissérie de Carlos Lombardi, dirigida por Wolf Maya, contou com nomes magistrais da comédia: Betty Lago era a tenebrosa Imperatriz Carlota Joaquina, André Mattos foi o lento Dom João VI, Marcos Pasquim o sensual Dom Pedro I, Nair Bello como a Marquesa Giovana di Pesto, e outros. Além dos bastidores do poder, a atração ainda tinha um forte núcleo popular como os apaixonados Chalaça (Humberto Martins) e Manuela (Danielle Winits).

Escrava Isaura (1976 / 2004)

A Escrava Isaura foi um dos sucessos de Gilberto Braga na Rede Globo, que marcou também a carreira da atriz Lucélia Santos, a protagonista da novela. Inspirada no romance de Bernardo Guimarães, o folhetim das 18 horas conta a história da filha de uma escrava com um feitor, que, com a morte da mãe, é criada pela sua dona, Gertrudes, esposa do Comendador Almeida. Com a morte dos seus senhores, Isaura fica na mão do perverso Leôncio, que acaba com o seu sonho de liberdade. O sucesso de Escrava Isaura foi tanto, que até hoje é uma das novelas mais vendidas para o exterior (já foi exibida em cerca de 80 países). Em 2004, a Record reviveu o romance com Bianca Rinaldi no papel principal (após ter convidado Mel Lisboa e Cléo Pires).

Escrava Mãe (2016)

40 anos de Escrava Isaura, Escrava Mãe, produzida pela Record, vem contar a história de Juliana, a escrava que deu luza à personagem criada por Bernardo Guimarães. Mas diferente da sua antecessora, a nova produção tem uma papel mais ativo do negro, como a personagem Condessa Catarina (Adriana Lessa), que mostra à protagonista que ela pode ser alforriada (mesmo desejo da filha).

Lado a Lado (2012)

A novela de Claudia Lage e João Ximenes Braga foi um dos sucessos recentes do horário das 18h. Com a proclamação da República em 1889, e a abolição da escravidão um ano antes, o Brasil lidava com as desigualdades sociais, raciais e de gênero, a base para a trama de Lado a Lado. Tudo isso é contado através dos romances entre Laura e Edgar, e Isabel e Zé Maria, vividos por Marjorie Estiano, Thiago Fragoso, Camila Pitanga, e Lázaro Ramos, respectivamente. Lado a Lado foi a primeira novela brasileira a ganhar um Emmy Internacional.

Força de Um Desejo (1998)

Força de Um Desejo era tão fora dos padrões para a faixa das 18 horas, que demorou uma década para ir ao ar. O projeto inicial se chamava Amor perfeito, e foi escrito por Alcides Nogueira, em 1988. Assim como a maioria das tramas de época, foi inspirada em romances do Visconde de Taunay — A Retirada da Laguna, Inocência e A Mocidade de Trajano — com menções à Guerra do Paraguai e ao movimento abolicionista, no fim do século XIX. O casal principal, Esther (Malu Mader) e Inácio (Fabio Assunção) tinham como desafio a profissão da moça, cortesã, que não era bem vista pela família tradicional do rapaz. O sucesso de Força de Um Desejo se expressou na encomenda de mais 47 episódios, se tornando a terceira novela mais longa da Globo!

Sinhá Moça (2006)

Com tema de abertura cantado por Leonardo, Sinhá Moça foi mais uma novela que marcou o horário das 18h. A história se passa em 1886, na cidade de Araruna, durante o final do reinado de Dom Pedro II. A obra de Benedito Ruy Barbosa, inspirado no livro homônimo de Maria Dezonne Pacheco Fernandes, conta o romance da jovem Maria das Graças Ferreira Fontes (Débora Falabella) com o Dr. Rodolfo Garcia Fontes (Danton Mello), nascido através da luta pelo fim da escravidão. Tudo isso dificultado pelo pai da moça, o Barão Ferreira de Araruna (Osmar Prado). Assim como sua primeira versão, o folhetim foi um sucesso, e um dos fatores foi a personagem Ana do Véu, interpretado pela então estreante Ísis Valverde. Todo mundo queria saber quem estava por trás daquele pano!

Esperança (2002)

Esperança teve a dura missão de substituir o sucesso que foi O Clone, e bem que tentou. Com texto de Benedito Ruy Barbosa e Walcyr Carrasco, Esperança protagonizada por Reynaldo Gianecchini e Priscila Fantin se passava na década de 1930, e mostrava a segunda imigração italiana para o Brasil, após os desastres causados pela Primeira Guerra Mundial e a recessão da economia por conta da quebra da bolsa de valores americana, em 1929. Discussões políticas eram frequentes na pensão da Mariusa (Regina Maria Dourado). A novela chegou a sofrer ameaças do Ministério da Justiça por ter cenas de nudez!

Terra Nostra (1999)

Um dos maiores sucessos do mestre Benedito Ruy Barbosa, Terra Nostra mostra a chegada do século XX no Brasil. A trama mostra o romance de Giuliana Splendore e Matteo Battistella, vividos por Ana Paula Arósio e Thiago Lacerda, durante o primeiro movimento migratório italiano para o Brasil, após a unificação da Itália, em 1870. O sucesso foi expresso não só na audiência, mas também no exterior, com a compra de seus 211 capítulos por nada menos que 95 países. Além da revelação de Maria Fernanda Cândido, a novela ainda gerou diversas paródias pela Casseta & Planeta Urgente!, como o Testa Nostra.

A Casa das Sete Mulheres (2007)

Muito antes do empoderamento feminino ganhar força, A Casa das Sete Mulheres levantou a questão, ainda no início dos anos 2000. A minissérie de Maria Adelaide Amaral e Walther Negrão tinha como pano de fundo as revoltas regenciais, mais precisamente da Revolução Farroupilha, ocorrida no Rio Grande do Sul. O elenco principal tinha Camila Morgado, Mariana Ximenes, Eliane Giardini, Daniela Escobar, Samara Felippo, Nívea Maria e Bete Mendes, além de Werner Schünemann como Bento Gonçalves, Thiago Lacerda e Giovanna Antolelli como o casal Giuseppe e Anitta Garibaldi.

JK (2006)

Antes de viver um dos maiores traficantes de drogas que o mundo já viu, Wagner Moura deu vida ao ex-presidente Juscelino Kubitschek, na minissérie JK, exibida em janeiro de 2006. Em duas fases (na segunda, o presidente é vivido por José Wilker), narra desde a infância de JK, em Belo Horizonte, até sua chegada à presidência da república, em 1956, a construção de Brasília e por fim, sua morte, em 1976.

Anos Dourados (1986)

A minissérie de Gilberto Braga Anos Dourados recriou o cotidiano, a moda e os costumes da década de 1950. A história acompanhava o romance de Lurdinha (Malu Mader) e Marcos (Felipe Camargo), ela estudante normalista do Instituto de Educação, e ele do Colégio Militar, duas instituições bastante conhecidas pelos cariocas até hoje. A trama mostrava o encontro dos conservadores, com os novos modelos familiares que chegam nessa época, junto com as transformações políticas em meio a Guerra Fria.

Amor e Revolução (2011)

Após sucesso com Mutantes — Caminhos do Coração na Record, Tiago Santiago assinou com o SBT para criar um bloco de novelas, e um de seus trabalhos foi a trama de época Amor e Revolução. Como típica história “Romeu e Julieta”, a novela acompanhou o romance de Maria Paixão e José Guerra, uma guerrilheira e um militar, durante a Ditadura brasileira. O folhetim ainda contou com o primeiro beijo lésbico da emissora, entre as personagens Marcela e Marina, e recebeu forte reação negativa da classe militar, que pediu a sua extinção.

Cidadão Brasileiro (2006)

Cidadão Brasileiro é a odisseia de um homem que vive os principais momentos da história brasileira. O protagonista Antônio Maciel nasceu em 1928, trabalha na lavoura do interior paulista nos anos 30, ajuda na construção de Brasília, na década de 50, e vive os terrores da ditadura militar, na segunda metade do século XX. Gabriel Braga Nunes deu vida ao personagem principal, que conheceu até o movimento hippie, representado por Fernanda Nobre e Ticiane Pinheiro.

Lembra de mais alguma novela, série ou minissérie sobre a história do Brasil? Conta ai pra gente nos comentários.

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