A aula de história dada por Até o Fim

Até o Fim nos traz uma excelente aula de história sobre a Presidência de Lyndon Johnson, com ótimos atores e uma direção perspicaz de Jay Roach.

Assim que as conspirações acerca de quem teria mandado matar John F. Kennedy começaram, a máfia italiana, a CIA e (como de costume) os russos apareceram como os principais suspeitos, mas o vice-presidente à época, Lyndon B. Johnson não escapou de tais mexericos, principalmente, pelos republicanos. Entretanto, com a sua missão de reunificar o país e dar continuidade a brigas importantes que JKF começara antes de morrer, no fatídico 22 de novembro de 1963, o “presidente por acidente” tinha preocupações muito maiores do que boatos.

Período na qual Até o Fim (All The Way) se debruça para trazer ao telespectador a mais pura e perfeita aula de história que a HBO já nos contara em toda sua existência, colocando ainda em perspectiva que já foram lançados Bessie, Game Change, Hemingway & Gellhorn e entre tantos outros. Todavia, isso não é mérito apenas do canal, muito pelo contrário, pois o ex-Presidente de Programação Michael Lombardo tivera o excelente timing para aprovar a produção e nada mais.

Quem merece nossas reverências aqui são a todos os integrantes da equipe que ajudaram a tornar esse telefilme possível, desde a camareira até o exímio e espetacular Jay Roach, que não cansa de me surpreender desde quando nos contou os bastidores da fascinante eleição presidencial americana de 2008. Entretanto, mesmo sabendo que todos merecem seu reconhecimento, tenho que dedicar um espaço mais do que especial para falar e exaltar do quão brilhante esteve Bryan Cranston.

Posso até parecer imparcial por dizer que sou fã do ator desde quando ele protagonizou o primeiro episódio de Breaking Bad, até porque é normal que pessoas na qual gostamos mexam com nossas opiniões, entretanto, fica impossível assistir Cranston encarnando Johnson com uma vontade, com uma garra e uma qualidade tão impressionante, sem ter a oportunidade de glorificar tamanha excelência em compor um personagem e confundir o telespectador, pois em determinando momento fica impossível dizer se aquilo é uma imagem real ou continua sendo o filme.

Melissa Leo foi outra grande surpresa nesse filme, pois mesmo limitada a já restrita figura de Primeira Dama, conseguiu dar um suporte importantíssimo para Bryan, que também beneficiou-se da gigantesca presença de cena de Frank Langella e Bradley Whitford, um ator que vem conquistando seu espaço junto ao grande público, mas já nos trouxe grandes momentos principalmente no que se refere a sua performance em Transparent.

Apesar de tantos pontos positivos que merecem ser destacados com exaustão, o roteiro, que adaptou a peça homônima da Broadway e vencedora de dois prêmios Tonys, consegue ser didático para ao telespectador que não entende muito bem o linguajar político usando com bastante propriedade nos diálogos, mas por outro lado, não perde tempo explicando o que são delegados, a convenção do partido e entre outros.

Fica implícito, entretanto, a transformação que o partido democrata começou a ter a partir do governo do Presidente Lyndon Johnson, mais precisamente com a aprovação dos Direitos Civis, até porque, para quem não sabe, este era o partido do Klu Klux Klan e que dominava o sul dos Estados Unidos justamente pelas suas políticas segregacionistas. A última vez que o Mississipi, a Carolina do Sul e o Alabama elegeram um democrata Presidente foi em 1976 com Jimmy Carter, a Georgia com Bill Clinton em 1992 e entre outros.

Em suma, podemos sintetizar Até o Fim como um retrato histórico, enriquecedor, delicioso, brilhantemente filmado, sabiamente escrito e maravilhosamente bem atuado. Ainda estamos em maio, mas me arrisco a dizer que este é um dos grandes candidatos a vencer quaisquer Emmy que seus produtores desejem escreve-lo. Até mesmo Anthony Mackie, numa mediana interpretação Martin Luhter King, tem capacidade de lutar por uma indicação.

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