A vida longa e próspera de Jornada nas Estrelas

Por Erika Ribeiro

A primeira temporada de Jornada nas Estrelas (Star Trek — The Original Series) foi ao ar em 1966, em uma segunda tentativa já que seu piloto original (The Cage — 1964 ) foi recusado. Nesse piloto a USS Enterprise trazia como membros de destaque o Capitão Pike, uma mulher como primeiro imediato e Spock, sendo estes dois últimos os únicos a ser reaproveitados na nova versão da série.

Quem ver hoje pode achar diversos furos na trama e rir dos efeitos, mas para a época foi um grande avanço tendo em vista que Perdidos no Espaço era a referência principal de ficção cientifica televisiva. A ficção tendo por base a ciência real era algo inovador no meio TV, sendo Star Trek pioneira nesta nova visão. Muitos plot hoje recorrentes em seriados saíram daí.

O objetivo de Gene Roddenberry, o criador da série, era levantar questões morais, as fraquezas problemas e mazelas da humanidade através de viagens fantásticas que tornavam o debate mais palatável para grande público.

Dentre as tendências novas ou melhor utilizadas em Star Trek (TOS) destaco:

O nepotismo nas séries: Quando Gene Roddenberry pos sua mulher, Majel Barrett, para ser a primeira mulher imediato na historia de uma série com premissa militar e depois foi “convidado” a por ela em outro “cargo”. Afinal, apesar de a série ser no futuro e no espaço a produção dela era realizada nos EUA e nos anos 60, onde a mulher não tinha direito a muita coisa — A Jaula (The Cage) 1964.

A Sra.Barrett-Roddenberry continuou na série mesmo assim, e agora, acumulando os cargos de enfermeira Chapel (a loira samambaia) e de voz do computador pessoal do capitão. Tori Spelling (Barrados no Baile) agradece.

O lado negro da força/evil twin: Quando vemos Kirk ser “dividido” e ter seu lado mal separado do bom se levanta a questão de que ninguém é só bom ou ruim e de que os dois lados precisam coexistir para a nossa sobrevivência. Fora que neste mesmo episódio é lançada a incrível técnica do rímel, usada recentemente por Richard Alpert, em LOST — O Inimigo Interior.

O uso de andróides com aspecto humano e personagem inútil para justificar uma trama meio perdida: A história besta da Enfermeira Chapel e seu ex-noivo perdido é usada como desculpa para por “andróides” na trama. O enredo lembra os cylons, de Battlestar Galactica, no momento em que se discute sobre a humanidade dos mesmos e até dos humanos que os fizeram — E as Meninas, de que São Feitas?

O uso de Flashback como meio para explicar uma trama: A reutilização de cenas do piloto não aprovado em um novo episódio duplo foi feito para criar roteiros de forma mais rápida e diminuir custos. Pelo menos a desculpa deles foi melhor que a usada em LOST— A Coleção: Partes I e II.

A continuidade de uma historia em outra série/ou filme: Como se a história resolvida naquele capítulo tivesse continuidade no universo e mais a frente novos personagens dentro da continuidade daquela linha temporal passassem pelo mesmo local ou situação, usando referências claras a trama inicial — Semente do Espaço X Jornada nas Estrelas II: A Ira de Khan.

A descoberta de que o público acredita que o mocinho pode fazer qualquer coisa: Precedendo MacGyver, Kirk constrói uma bazuca de bambu capaz de lançar diamantes — Arena.

Reutilização de bons atores: O ator Mark Lenard que viveu um Capitão Romulano, voltaria mais tarde como Sarek, pai do Sr. Spock. Isso inspirou muitos seriados e novelas mexicanas — O Equilíbrio do Terror .

Mundo a paralelos: Um tipo de mundo paralelo muito usado é aquele em que um mesmo personagem possui duas (ou mais) versões de si mesmo que podem transitar entre dimensões. No caso dessa primeira temporada é levantada a hipótese de ruptura do tempo espaço culminando na destruição de mundos — O Fator Alternativo.

Viagem no tempo: Essa é uma questão a parte, já que a viagem no tempo era algo recorrente nessa temporada, tudo bem que nem sempre havia uma explicação razoável para o modo como ocorria esse pulo temporal, mas desconsiderando esses deslizes esta premissa, quase,sempre resultava em excelentes enredos como quando é levantada a questão de dever/poder ou não mudar o passado. Nesse episódio a mera chegada dos viajantes do futuro já causa uma mudança nos fatos daquele tempo — Cidade à Beira da Eternidade .

A contestação da moralidade e das atitudes típicas da época como já vimos em BSG, LOST, Contratempos cada uma com seu estilo e temas. E em Jornada muitos episódios levantaram questões importantes como: Qual o valor da guerra? (Um Gosto de Armagedon e Missão de Misericórdia); Quem somos realmente? ( O Inimigo Interior e Tempo de Nudez); O poder corrompe? (O Estranho Charlie e Onde Nenhum Homem Jamais Esteve); O ser humano possui uma natureza predatória? (vários); A virtualidade é o caminho mais fácil para nos desumanizar? (Um Gosto de Armagedon); Até onde vai o direito individual sobre o social? (O Punhal Imaginário); O que é certo e o que é errado? ( A Coleção, Partes I & I e Missão de Misericórdia) e muitos outros assuntos que merecem nossa reflexão.

Cancelamento precoce e injusto: No melhor estilo My Name is Earl, Studio 60 On The Suset Strip entre outras. Essa série lançou tendência ao ser injustamente cancelada em sua 3ª temporada (1969). Jornada só se transformou em sucesso (que deu origem a mais 4 séries e a vários filmes) durante suas reprises. E só voltou a ativa após o lançamento de Guerra nas Estrelas (Star Wars, 1977) quando resolveram ressuscitar a série através de filmes.

Jornada Nas Estrela possui a vantagem de ser entendível mesmo que os episódios sejam vistos em separado, por isso convido vocês a irem “onde o homem jamais havia estado”. Que vejam a série passando por cima das restrições de efeitos especiais, os problemas orçamentários e que as interpretações próximas as do teatro. Observem a história básica de cada episódio e assistam o início de, quase, tudo o que temos hoje nas séries e filmes de ficção cientifica.

Recomendo a quem quiser começar ver os seguintes episódios: The Naked Time (Tempo de Nudez), Balance of Terror (O Equilíbrio do Terror), A Taste of Armageddon (Um Gosto de Armagedon), Space Seed (Semente do Espaço), Errand of Mercy (Missão de Misericórdia) e The City on the Edge of Forever (Cidade à Beira da Eternidade). Estes, com certeza, trarão um bom entendimento da série clássica e de sua mitologia básica.

Espero que gostem e vida longa e próspera para todos nós !!

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