AHS: Asylum 2×13 — Madness End [Season Finale]

Ele se tornou um nome muito conhecido. Como um Heath Ledger, um vilão de Hollywood. Ele era um monstro cruel, que costumava matar e torturar para não se sentir impotente. Fim de papo.” — Lana, sobre Dr. Therdson

Uma ótima série merece um ótimo desfecho. E podemos dizer com segurança que foi o caso de AHS: Asylum, com o encerramento de todas as histórias possíveis.

O que eu não esperava era que Johnny fosse mesmo o filho da Lana. A série desafiou a ciência em vários momentos, e colocou na mesa alguns assuntos difíceis para discutirmos. Freud, o pai da psicanálise, discute, em alguns textos, se comportamentos pacifistas podem ser natos ao ser humano. A ciência comportamental questiona, então, se o comportamento oposto, a agressividade, também pode ser nato ao ser humano, dependendo de sua condição genética.

AHS 2x13 Bloody Face

Para Johnny, que não conheceu o pai e muito provavelmente não teve suprido o afeto materno nos lares adotivos por onde passou, a busca pela identificação genética e o se encontrar dentro de uma família falou mais alto. Uma conjunção de fatores levaram o filho de Bloody Face a desenvolver a psicopatia, doença que atinge mais homens do que mulheres, tendo componentes genéticos, familiares, neurológicos e sociais.

Fechar o ciclo da série com Johnny sendo o assassino da season premiere é brilhante. Mostra o quão bem faz a série ser definida em uma temporada.

Como na temporada passada, apenas um personagem sobrevive à Briarcliff até o momento atual: Lana. E se pararmos para pensar, faz todo sentido: depois de mostrar ao mundo os horrores do manicômio, ela se torna uma jornalista de sucesso. Mas isso só foi possível pelo seu ímpeto ganancioso, o que a fez entrar em Briarcliff pela primeira vez. Após uma épica jornada de tratamentos nada ortodoxos, a busca da cura de sua escolha sexual, o abuso sofrido pelo grande serial killer da época e a fuga, Lana se encaixa no papel da heroína perfeita.

AHS 2x13 lana

E são raras as histórias na qual a heroína é gay. E mais raras ainda, na TV, tramas nas quais estes personagens tenham finais felizes. A controversa trajetória de Lana mostra o quão falível somos como seres humanos. Lá no fundo, salvo o terror fantástico que inclui extraterrestres e monstros mutantes, ela alcança a grande ambição humana: realização pessoal e profissional.

Mais uma vez Ryan Murphy nos mostra que a escolha da década de 60 não foi aleatória, e sim muito bem pensada. Foi nessa década que a TV começa a se tornar um meio de comunicação de massas, presente em mais de 90% das casas norte-americanas. Os anos 60 foram responsáveis por uma revolução no modo de fazer TV, com o advento do vídeo tape, da popularização dos apresentadores e dos programas que expuseram a realidade na TV, deixando um legado que é visto até hoje. Julia Child e o seu programa The French Chef (1963) norteia até hoje o modelo de programa de culinária. E Lana usou a TV para denunciar Briarcliff e para se tornar uma estrela.

E sister Jude? Acredito que a loucura não seria o melhor final para ela, mas a morte, perto de pessoas que a dariam conforto, um final digno. A história de Jude Martin, de abandonada no altar pelo noivo, cantora de cabaré, prostituta, freira e louca, teve seu final apoteótico quando ela retorna à família, de onde, quando garota aos 18 anos, sempre havia sonhado estar.

AHS 2x13 Jude

Depois de ela ter tomado tantos tombos da vida, ser acolhida por quem ela havia despejado todo seu sadismo é de conformar a bondade no coração de Kit Walker, que somente os ET’s enxergaram. Talvez, o grande triunfo de Kit era ter um coração bom, dentre tantos outros personagens marcados pela maldade. Em terra de cego, quem tem um olho é Rei. Por isso, também, que os ET’s deram a ele dois filhos amorosos e inteligentes, e um final na nave mãe.

(Repararam em quem é o filho de Kit e Grace? Brady Allen, que está também no elenco de Atividade Paranormal 4. )

A ousadia e a cadência determinada são os pontos fortes de AHS. Ter planejado principio, meio e fim em 13 episódios é um luxo que a série tem, e que tem se mostrado muito eficiente, pois torna a obra coesa e é garantia de qualidade. Acredito que até para os atores seja interessante viver um personagem por temporada, para o exercício da arte. Este formato pode atrair nomes do cinema de peso, com o atraiu Jessica Lange. Para esta temporada, deixo meus aplausos para Lily Rae, Zachary Quinto e Frances Conroy, que roubaram a cena por diversas vezes e nos presentearam com grandes atuações. Que venha a terceira temporada, que será ambientada em NYC e nos dias atuais.

Espero que tenham gostado das críticas. Até a próxima fall season!

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