Carrie, A Estranha é a incrível primeira obra de Stephen King

Em Carrie, A Estranha, o autor explora o terror psicológico de maneira brilhante.

Parte dela estava realmente convencida de que tudo não passava de um sonho do qual ela acordaria, sentindo um misto de pena e alívio.” WHITE, Carrie

Carrie é uma jovem atormentada pelos colegas de escola e por sua própria mãe, uma fanática religiosa. Sua aparência pouco convencional somada ao fato de ter sido criada naquele ambiente louco são os fatores que influenciam o bullying que ela sofre.

Mas ela não é uma adolescente comum, Carrie possui o dom da telecinésia, ela pode mover objetos com a mente. Após as brincadeiras ultrapassarem os limites, em seu baile de formatura, ela percebe que através desse dom ela é capaz de punir a todos.

Nenhuma de vocês se lembrou de que Carrie White tem sentimentos? Será que vocês alguma vez pararam para pensar?” DESJARDIN, Rita

Como o próprio Stephen King cita: “A função do terror é levar o leitor de um livro ou o espectador de um filme a viver seu nível humano mais primitivo e essencial”; e de fato, embora o livro em questão não assuste, ele cumpre esse papel citado.

Carrie, A Estranha é uma obra sobre os limites do ser humano, a narrativa não assusta, mas choca. Sem que necessite utilizar de clichês para isso, apenas a escrita crua e violenta faz com que o leitor se compadeça da personagem.

Importante ressaltar o quão brilhantemente a narrativa foi construída. A história segue a linha de tempo normal, enquanto que trechos de livros e depoimentos sobre um determinado incidente, envolvendo diretamente a protagonista, são pontualmente colocados no texto.

Esse modo de escrita torna a leitura bem mais dinâmica, explica os dons de Carrie ao leitor sem que pareça algo forçado. Vários personagens têm ponto de vista na história, o que é muito interessante, pois nos dá diferentes perspectivas e nos coloca no centro da trama.

Os personagens são muito bem desenvolvidos, outro ponto positivo. Você tem a noção de que tudo que a protagonista fez foi sua maneira de auto-destruição, Carrie é humana e, assim como nós, tem seus limites e cabe ao leitor decidir se suas atitudes foram erradas ou justificadas.

Portanto, não havia outra coisa a fazer. Ou a gente ria ou chorava, mas como seria possível chorar por Carrie, depois de todos esses anos?” WATSON, Norma

Chris é a perfeita antagonista feminina e, mesmo sendo a bitch do colégio, ela não cai nem um pouco nos clichês atuais. Ela tem um instinto de raiva pela protagonista que por incrível que pareça tem suas razões, por mais egoístas que sejam, e é possível ao menos entender as motivações da personagem. Billy Nolan é insano e muito interessante, fechando o incrível casal de vilões.

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Mas a melhor personagem é Margaret White. A mãe de Carrie faz com sua vida em casa seja incrivelmente pior que na escola, suas atitudes sendo justificadas em seu fanatismo religioso beira a insanidade e causa muito choque ao leitor. Os diálogos entre as duas são impressionantes, o autor deve ter feito muitas pesquisas sobre fanatismo na religião cristã. Sue Snell também merece ser citada, pois é uma pessoa fascinante e crível dentro deste universo.

A obra foi bastante reflexiva, principalmente sobre valores pessoais, a questão da raiva, da vingança, do bullying. Todos temos histórias relacionadas à essas questões e sabemos que a vida escolar pode ser um verdadeiro inferno para os alvos de gozação. Foi bastante intrigante essa leitura do ponto de vista da vítima e dos agressores e ver que o autor estava bastante a frente do seu tempo, pois embora essas ocorram há muito, faz pouco tempo que receberam a devida atenção.

Um dos poucos pontos negativos que senti foi que o livro foi muito curto, acho que a primeira parte poderia ter sido mais desenvolvida. Não aproveitamos nada do tempo de Carrie em aulas, ver como era seu cotidiano, a exceção da cena do banheiro e do próprio baile, não temos mais nada a não ser menções. Outro ponto que senti falta foi uma explicação sobre de onde surgiu o fanatismo de Margaret, pois não vinha de uma família cristã.

Acredito que o autor tenha se contido um pouco, já que esse era seu livro de estréia, mas não é nada que atrapalhe a obra em si. A leitura continua super recomendada, Stephen King é de fato um dos maiores autores contemporâneos, e não é pra menos que é conhecido como o mestre do terror.

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