Comentários sobre Gravity

Ofereca-se a pequenos choques e surpreenda-se. Como uma série que trata de um tema tão deprimente, com personagens quase tão deprimentes quanto seu tema central, pode ser tão interessante?

Gravity flerta com uma das leis mais fortes da natureza e eu nem tô me referindo a gravidade, que puxa todo mundo pra baixo (seja lá qual for a forma que você tenha entendido isso que acabei de dizer). Tava falando sobre a vida e a ‘necessidade’ de continuar nela. Mas o roteiro desta não desconsidera a morte, de jeito nenhum. Ambas estão balanceadas muito bem, enquanto estas permeiam personagens detalhadamente disfuncionais, colocando o telespectador em uma posição no mínimo esquisita.

O desagradável está ali o tempo inteiro e você (pela primeira vez?) se interessa por ele; e por eles! A jornada apresentada pelo canal Starz começa com Lily Champagne (Krysten Ritter) em mais um dia tedioso como atendente de uma dessas lojas de maquiagem. Ao chegar em casa ela prepara uma ‘deliciosa’ solução para sua vida: um bolo recheado de suicídio.

Tudo é desconcertante. Desde enquadramentos a falta de foco e iluminação estranha. A qualidade é duvidosa, mas se estamos falando em suicídio, qualidade é uma coisa que já foi esquecida há algum tempo, certo? Talvez por isso tudo ali pareça até mais sujo do que deveria.

Enquanto Champagne engole o bolo que a levará ao hospital e a deixará em coma (pensando num cara misterioso), o oftalmologista Robert Collingsworth (Ivan Sergei) dirige seu carro a toda velocidade rumo a um desfiladeiro à beira do oceano. Nem preciso encerrar dizendo que os planos de ambos não dão certo e à partir daí são unidos em uma espécie de A.A. de suicidas. Ops, acabei de dizer…

No grupo estão ainda um detetive que passa o dia reunindo imagens e informações sobre todo o time de mórbidos, além de uma dona de casa a la Desperate Housewives que parece ter TOC na potência máxima, um garoto superprotegido por sua mãe, uma ex-modelo que lida com o esquecimento de sua fase de glória todo dia, entre outros.

Parece estranho e desconfortável, certo? E o pior é que funciona! Você se sente intrigado com o rumo de cada personagem em sua vida, após ter tentado acabar com ela. Suas culpas, suas esperanças, seus desejos de que tudo dê certo. Seus desesperos…

Não viu ainda? Então larga a mãe de Gossip Girl, Heroes, Cougar Town e afins. Vá ver algo que preste. Antes que o elenco tente alguma coisa contra si mesmo.

Sobre o Autor

BOXPOP

Site especializado em cultura pop, fundado em agosto de 2007. Confira nossos podcasts, vídeos no youtube e posts em redes sociais. Interessados em contribuir como autor no site podem entrar em contato: contato@boxpop.com.br

Deixe um comentário

clique para comentar

OUÇA O BOXCAST

VIDEOCAST

Personagem afeminado de Cavaleiros do Zodíaco será mulher em remake da Netflix.

Confira o que achamos da versão ilustrada de Harry Potter e o Prisioneiro de Azkaban em português.

Wanessa tá de clipe novo. E o clipe define o que "é ruim mas é bom".

SEJA UM PADRINHO!

Contribua!