Da telona para telinha

Ontem enquanto assistia ao novo filme do Martin Scorsese — A Ilha do Medo, recomendo! — me peguei pensando em como minha relação com o cinema mudou de uns tempos para cá… E a culpa é das séries de TV.

Apesar do cinema ter sido uma paixão tardia em minha vida — eu já tinha quase 20 anos quando “olhei” para ele de um jeito diferente — também foi avassaladora. Até uns 4 anos atrás, eu estava sempre por dentro do que rolava na sétima arte. Jamais pensei que chegaria o dia em que eu não teria visto todos os indicados antes da festa do Oscar (às vezes até acontecia, mas por conta das datas de lançamento aqui no Brasil e eu ficava muito frustrada).

Só que algo mudou em meados da década 00. Os filmes ficaram cada vez mais reciclados e Hollywood foi perdendo a mão com sua megalomania tecnológica. Enquanto isso, na telinha uma “enxurrada” de boas histórias começou a brotar e não fui a única a perceber isso e virar a casaca.

Atores renomados, ganhadores de Oscar e outros que andavam esquecidos na telona encontraram um veículo para ficar em evidência e, melhor ainda, com qualidade. O que antes era um retrocesso — sair do cinema e fazer TV — hoje é fonte de reconhecimento e sucesso.

Para ilustrar melhor tudo isso, decide pegar cinco exemplos bem diversificados dessa transição:

1) Anna Paquin (True Blood): depois que você ganha um Oscar com apenas 11 anos de idade, o que você ainda pode almejar no cinema? Não sei se foi por isso que Anna resolveu se mudar para telinha ou se foi porque ela já tinha olhos para Stephen Moyer, mas na série da HBO, ela conseguiu se destacar, coisa que seria difícil na telona com tantas outras atrizes da sua idade e igualmente talentosas. Como a interiorana Sookie, que começou ingênua e agora já enfrenta os vampirões mais barras-pesadas, ela encontrou seu lugar… ao sol!

2) Glenn Close (Damages): ela também já ganhou Oscar, na verdade, dois (Atração Fatal e Ligações Perigosas), mas assim como Paquin, a idade foi determinante para sua mudança de ares, afinal só há espaço para uma Meryl Streep, certo? Assim, com as portas se fechando mais rápido do que as folhinhas do calendário voavam, Glenn partiu para TV decidida a conquistar ali o mesmo reconhecimento que já tinha no cinema. E num é que deu certo! Tão astuta quanto suas personagens, Gleen já ganhou dois Emmys e um Globo de Ouro. O que será que ela vai tentar agora? Cantar?

3) Charlie Sheen (Two and a Half Men): quem vê Charlie — o ator e o personagem — hoje em dia nem imagina que o cara já foi ator sério de filmes densos como Platoon e Wall Street, ambos do renomado e polêmico diretor Oliver Stone. Mas o fato é que ele nunca estourou mesmo no cinema. Daí, cansado de papéis coadjuvantes, ele foi para telinha fazer companhia para outro ator de cinema, Michael J Fox, em Spin City. E num é que ele ganhou um Globo de Ouro por isso? Animado, resolveu continuar por ali mesmo e emendou Two and a Half Men, onde não tem que fazer esforço algum já que interpreta basicamente ele mesmo. Bon vivant é isso!

4) Alec Baldwin (30 Rock): assim como Charlie, Alec Baldwin fez muito sucesso

nos anos 90, mas por razões diferentes. Ele era o galã! Casado com a linda Kim Basinger, Alec sempre foi o mais famoso e bem-sucedido dos irmãos Baldwin, sendo objeto de desejo e estampando capas de revistas a torto e a direito. Mas a idade chega para todo mundo e não deve ter ajudado o fato de que no início dos anos 2000 sua mulher era mais famosa que ele — ela ganhou um Oscar em 1998 por LA Cidade Proibida. Depois do divórcio, Alec foi procurar uma nova “casa” e logo resolveu dar uma chance para comédia, já que suas participações no programa Saturday Night Live sempre renderam boas críticas. Sua passagem por Will & Grace lhe deu a certeza de que era bom em fazer rir e agora ele pode esfregar na cara da ex os seus 2 Emmys e os 3 Globos de Ouro por sua atuação em 30 Rock. Não tem o mesmo peso, mas…

5) Sally Field (Brothers & Sisters): não podemos dizer exatamente que Sally migrou para TV. Na verdade, ela simplesmente voltou para casa. Durante quase 10 anos, de 1965 a 1974, era por ali que ela mostrava seu talento até conseguir papéis de destaque no cinema e abocanhar não um, mas dois prêmios da Academia. Depois de um tempo, ela ficou com saudades e resolveu fazer participações em ER como a mãe da Abby (Maura Tierney) e não demorou nada para ela pegar gosto pela coisa de novo e arranjar um papel fixo em Brothers & Sisters. É, não há lugar como a casa da gente mesmo.

Como vocês puderam ver, não importa o motivo, o importante é que a TV virou o jogo com ótimos roteiros atraindo cada vez mais atores e atrizes consagrados. E nada melhor do que apreciar uma boa história comendo pipoca no conforto do nosso sofá!

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