Doctor Who 7×00 — The Snowmen

Lembre-se disso. Agora. De tudo. Porque esse é o dia…esse é o dia…esse é o dia em que tudo começa!” — Doctor

Antes de tudo, é preciso antecipar que nunca fui o maior fã dos especiais de Natal de Doctor Who, principalmente quando Steven Moffat decidiu marcar sua era com homenagens a grandes obras da literatura inglesa. Só “Um conto de natal”, de Charles Dickens, já deve ser o campeão de adaptações ao redor do mundo. A série de C.S. Lewis, por outro lado, teve apenas uma infeliz adaptação cinematográfica e rendeu um especial não muito superior. The Snowmen não foi uma exceção, se levarmos em conta seu vilão ou a trama do episódio. Agradecemos, contudo, não ter sido apenas isso.

Depois de tantos anos no ar, após ser protagonizado pelos mais diversos rostos envolvidos nas mais tresloucadas aventuras, uma palavra óbvia vêm à mente para simbolizar nossa experiência: mudança. Sim, mas não aquelas revolucionárias que nos coloca diante de obras distintas porém unidas por um nome comum, fala-se aqui de uma, digamos, mudança imutável. Presenciamos, nas novas séries, as aventuras de três doutores diferentes, ao lado de cinco acompanhantes, sem contar os tantos outros que embarcaram na Tardis de maneira esporádica: Jack, Mickey, etc. Apesar dessa constante metamorfose, que permite tamanha longevidade, nunca nos distanciamos por completo daquele “quê” inominável que, a princípio, nos conquistou. Afinal, continuamos diante da mesma cabine azul de sempre, embora ela seja, agora, “menor por fora”.

Neste contexto, The Snowmen poderia ser assistido não apenas como um episódio natalino, mas como uma homenagem à dinâmica tão dolorosa e vital para a série. Como poderíamos, após a avassaladora despedida dos Pond, continuar, incólumes, nossas aventuras a bordo da Tardis? Como poderíamos encarar uma nova acompanhante por mais carismática que fosse? Como nos recuperaríamos de algo que já era previsto, mas que só por isso não o fora menos impactante? A resposta chegou no dia vinte e cinco de dezembro, ao fazer o Doctor e o espectador encararem a lógica que permeia a série e o universo, e que já se delineava em The Angels Take Manhattan: nada é eterno, não importa o quão eterno possamos (ou queiramos) ser, pois, no fim, tudo o que resta são as lembranças (as que deixamos e as que deixam em nós).

A abertura mudou (embora não tenha me agradado), o Doctor mudou (porém manteve a bow tie), a Tardis mudou, a acompanhante mudou, tudo para nos receber nesta nova fase da jornada. E que acompanhante seria mais perfeita do que a camaleônica Clara Oswin Oswald, não apenas dividida em uma dupla carreira profissional, mas em uma misteriosa multi-existência. Pelo menos três Claras, exatamente iguais, mas ainda assim diferentes. Nada poderia ser mais conveniente, mais claro e mais convenientemente claro do que isso.

Todo acompanhante é único, inovador e fascinante em sua própria maneira, por mais que seja natural acreditar que o último tenha sido o mais especial possível. Os Pond e a vitalidade que trouxeram para a série foi fascinante, mas Clara já parece definir sua postura revolucionária: uma acompanhante com tamanha engenhosidade, a primeira a encontrar a morte verdadeira, a curiosidade pela cozinha e etc, não poderia ter sido por acaso.

Por fim, relembro o que já foi dito por Steven Moffat e citado por mim: o Doctor se adequa ao seus acompanhantes. Eu iria além, afirmando ser uma influência mútua e contínua. O Doctor se adequa aos seus companheiros, estes se metamorfoseiam em relação ao seu guia de aventuras durante a estadia na Tardis, que por sua vez se transforma como que eufórica para dar as boas vindas aos novos visitantes. Para a misteriosa Oswin, a misteriosa língua indecifrável de Gallifrey. É um grande jogo onde criador e criatura se confundem, como os bonecos de neve que nascem influenciados pela mente que, por sua vez, só os imagina por tê-los visto anteriormente. Eles não são, porém, os únicos a se tornarem outros após a passagem pelo vórtice temporal, ou alguém poderia afirmar ainda ser capaz de olhar com os mesmos olhos para a ameaça da Consciência Nestene?

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