Drake tenta se consolidar em Views, seu novo álbum

Com Views, o artista precisa provar que vai além de um smash hit.

Tendo se tornado um dos rappers mais conhecidos mundialmente, Drake enfrenta com seu novo álbum a difícil missão de manter o interesse do grande público em seu trabalho. Se depender das previsões do número de vendas do Views na primeira semana, com mais de 1 milhão de cópias só nos Estados Unidos, a missão deve ser cumprida com sucesso.

Mas a questão até então era se ele seguiria a fórmula pop e radiofônica de Hotline Bling, que já havia se mostrado muito eficaz ao dar ao rapper seu hit de maior alcance fora dos EUA. A resposta para essa pergunta é dada logo nas primeiras faixas do álbum.

Drake tenta se consolidar em Views, seu novo álbum

Keep the Family Close: Drake abre o disco sendo mais cantor que rapper, exatamente como em seu hit dançante de 2015, mas as similaridades param por aí. A canção de mais de 5 minutos deixa bastante a desejar, com uma produção que cresce apenas após a segunda metade desse tempo, um pouco tarde demais.

9: Não seria difícil se destacar após a esquecível faixa de abertura, mas 9 consegue fazer isso de forma competente. Instrumental sem nenhuma novidade, mas ainda assim interessante de se ouvir. Lembra bastante alguns trabalhos antigos do rapper.

U With Me?: Outra música com o DNA do Drake. Poderia até se encaixar na tracklist de Thank Me Later, seu disco de estreia, de 2010.

Feel No Ways: A vibe anos 80 do instrumental já conquista o ouvinte logo de cara, e o nível se mantém quando entram os vocais. É a melhor do CD até então.

Hype: Um tanto quanto descartável, se parece com várias coisas já lançadas, inclusive pelo próprio Drake. É o primeiro sinal de que o disco contém alguns fillers.

Weston Road Flows: O álbum até agora parece se revezar entre uma música mediana e uma muito boa, e aqui essa lógica só se comprova. Mais uma faixa que consegue destacar a produção sem engolir os versos.

Redemption: Seguindo a lógica anterior essa canção deveria ser mediana, e de certa forma é mesmo. O instrumental mais minimalista, porém, acaba salvando, funciona muito bem com os versos mais contidos do rapper.

With You: O primeiro feat do álbum vem justamente na faixa mais curta até agora. Os vocais de PARTYNEXTDOOR e Drake se misturam de forma interessante, trazendo um clima mais animado e muito bem vindo ao CD.

Faithful: Mais uma faixa que parece com 300 outras. O destaque fica apenas para os featurings e as mudanças no instrumental durante os versos deles. Drake virou coadjuvante na própria música.

Still Here: Cara de single, tanto pela produção quanto pelos versos. Equilíbrio excelente entre os dois elementos. Os pouco mais de 3 minutos de duração ajudam.

Controlla: Essa segunda metade do álbum parece dar uma virada positiva no estilo das canções, com instrumentais e vocais muito mais interessantes que os do início do álbum. Assim como a faixa anterior, Controlla é um ótimo exemplo disso.

One Dance: O primeiro single oficial do disco deve dar a Drake seu primeiro #1 no Hot 100 da Billboard, e com toda a razão. Impossível ouvir e ficar parado, tem tudo para ser o maior hit do verão americano.

Grammys: Um pouco aquém do álbum conjunto com Future e o hit Jumpman, mas, ainda assim, comparada ao início morno da tracklist, mantém o nível alto.

Childs Play: A sequência de músicas boas é quebrada aqui, numa faixa que não faria falta nenhuma se não estivesse no disco.

Pop Style: A versão single dessa música, lançada antes do álbum, contava com a participação de Kanye West e Jay Z. Sem eles a faixa continua boa, mas os featurings seriam a cereja do bolo.

Too Good: O clima tropical iniciado em Controlla continua nessa parceria com a Rihanna, que, surpreendentemente, não canta só o refrão e tem um verso todinho pra ela. De todas as colaborações já lançadas entre os dois, porém, é a mais fraca. O final, sem nem ele nem ela cantando, é a melhor parte da música.

Fire & Desire: R&B gostosinho que lembra o auge do gênero nas paradas, lá no início dos anos 2000. Apesar de destoar das canções anteriores funciona bem na tracklist.

Views: A faixa que dá nome ao disco segue a vibe nostálgica da anterior, mas sem nenhum elemento que a evidencie dentre as outras 19.

Hotline Bling: Maior sucesso do rapper até agora, não tinha como ficar de fora do disco, mesmo que apenas como música bonus. Fica bem claro como ela destoa do resto das canções, com uma pegada bem mais pop.

No geral, as músicas de longa duração logo remetem ao último álbum de Kanye West, que se destaca justamente pelo oposto, com faixas bem mais curtas. Enquanto Kanye poderia ter aumentado algumas delas, Drake poderia ter arrumado um jeito de diminuir as suas. O excesso de sequências finais conceituais e/ou experimentais soam um tanto quanto desnecessárias.

O rapper, porém, não se preocupou com refrões grudentos ou estruturas radiofônicas. Quem o conheceu por meio de Hotline Bling ou das participações dele em músicas pop pode se decepcionar um pouco, e isso é ótimo, porque não é o que os fãs de verdade esperam.

O número grande de faixas faz com que a proporção de músicas esquecíveis e descartáveis aumente. Quase metade do disco poderia ser cortado facilmente, resultando num excelente trabalho final.

A percepção de uma evolução artística talvez exija mais algumas ouvidas ao CD, mas logo de cara a impressão que fica é a de um trabalho linear, nem melhor nem pior do que os projetos anteriores do rapper.

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