Eduardo Spohr e seu pretensioso A Batalha do Apocalipse

Em A Batalha do Apocalipse, o autor cria um universo rico acompanhado de um trama insossa.

Todos nós aspiramos o inalcançável, e essa angústia é a centelha que acende o calor da existência. Quando todas as questões são respondidas, perde-se também o estímulo da vida.” Arcanjo Gabriel

Há muitos e muitos anos, há tantos anos quanto o número de estrelas no céu, o Paraíso Celeste foi palco de um terrível levante. Um grupo de anjos guerreiros, amantes da justiça e da liberdade, desafiou a tirania dos poderosos arcanjos, levantando armas contra seus opressores. Expulsos, os renegados foram forçados ao exílio, e condenados a vagar pelo mundo dos homens até o dia do Juízo Final.

Mas eis que chega o momento do Apocalipse, o tempo do ajuste de contas, o dia do despertar do Altíssimo. Único sobrevivente do expurgo, o líder dos renegados é convidado por Lúcifer, o Arcanjo Negro, a se juntar às suas legiões na batalha do Armagedon, o embate final entre o Céu e o Inferno, a guerra que decidirá não só o destino do mundo, mas o futuro do universo.

Acompanhamos então a jornada do anjo renegado Ablon pelas eras da humanidade, ao mesmo tempo em que vemos a Batalha do Apocalipse se formando.

Mortos. Estavam todos mortos. Inocentes, infelizes, lançados em uma guerra que nada tinha a ver com seus interesses mundanos. Vítimas da mais terrível maldição imposta aos renegados — a solidão.” Ablon

Inicialmente, é necessário parabenizar a iniciativa do autor, pois independente da qualidade da história, o livro por si só é um grande avanço na literatura brasileira, já que expande a temática ao universo fantástico em uma obra original muito bem construída.

A Batalha do Apocalipse possui uma universo muito bem elaborado, o autor aqui preocupa-se em não apenas criar toda uma mitologia baseada na Bíblia, como em explicar coisas de maneira extremamente interessante.

É tudo minimamente explicado, tendo capítulos para contar a história da criação, e dentro dos próprios diálogos dos personagens é detalhado muita coisa, para que os leitores possam compreender a história e a motivação dos personagens.

A escrita do autor não é ruim, mas é bastante formal, alguns termos utilizados não são muito usuais e soam exagerados, porém isso pode até se perdoar, se considerarmos que a maioria dos personagens existe desde o início dos tempos. E não deixa de ser uma escrita bonita, com trechos profundos.

As primeira páginas são confusas e é necessário bastante empenho para continuar e chegar nos melhores momentos, que duram cerca de duzentas páginas, depois disso chegamos a desnecessária parte do “meio”, onde não há evolução na trama e faz a mesma soar apenas como enrolação.

O quesito personagens é uma das maiores falhas da obra, pois não conseguimos nos identificar com o protagonista Ablon, que se torna um daqueles casos em que você simplesmente não consegue entender porque todos os outros gostam dele.

As personalidades deles são bastante rasas, e a desculpa pra isso seria que eles não possuem livre arbítrio e devem agir de acordo com a classe angélica a qual pertencem, algo bastante incoerente, pois já que não possuem poder de escolha, eles não deveriam decidir o lado em que ficam e não poderiam tomar atitudes pessoais, o que claramente fazem.

Shamira foi uma das poucas personagens que simpatizei, a feiticeira tem uma motivação mais clara e está presente nos melhores momentos da história, tornando o núcleo dos bonzinhos menos maçante. Lúcifer e seus aliados é outro lado positivo na trama, a torna mais dinâmica, nos dando outra perspectiva.

A aparência clichê dos anjos e seus incontáveis codinomes me confundiram um pouco no decorrer da leitura, pois às vezes, com tantos personagens com diversos títulos ficava difícil de lembrar a quem se referiam.

Deus é a totalidade do universo, e a compreensão do infinito. Ele é a pura bondade, o amor irrestrito e a aceitação do desigual.” Arcanjo Gabriel

O final, ao meu ver foi polêmico, nem todos concordarão com a decisão de Ablon, principalmente pelo clímax já não ter sido tão interessante. E embora a história feche, o autor preferiu deixar um motivo para uma continuação, que não é obrigatória para que se entenda a trama contada aqui.

Outra coisa que senti falta foi a explicação das trombetas, pois mesmo não tendo lido o livro do Apocalipse na Bíblia, sei que cada trombeta tinha um significado e uma conseqüência, e aqui eram apenas o tempo se esgotando. Entretanto, ter colocado as ações humanas como causadoras da catástrofe foi genial, principalmente pela forma como isso foi abordado.

A leitura é recomendada àqueles que não se importam com todos os defeitos citados, pois não atrapalham de todo a leitura. Apenas sugiro que não esperem uma obra épica, não é isso que encontrarão aqui. A Batalha do Apocalipse tem seus erros e acertos e cabe a cada um dar seu veredicto.

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