Exposição O Mundo de Tim Burton leva visitante ao universo intimista do Diretor

Conferimos a exposição O Mundo de Tim Burton, que leva o visitante ao universo intimista do diretor e expõe seu processo de criação ao longo da carreira.

Se você, assim como eu, é muito fã das obras cinematográficas do diretor de cinema Tim Burton, um aviso: deixe todas as suas expetativas em casa e vá ao MIS de cabeça limpa.

A exposição O Mundo de Tim Burton, que estreia hoje (4) no Museu da Imagem e do Som de São Paulo, nada tem a ver com os sucessos anteriores de Castelo Rá Tim Bum e Stanley Kubrick, onde pudemos ver de perto peças de cenários e figurinos. Desta vez o clima é mais intimista e, porquê não, minimalista.

A organização do evento explica aos jornalistas que o MIS foi procurado pela equipe de Tim Burton em meados de 2014. O próprio diretor se encarrega de escolher os locais e o conteúdo de sua própria exposição, o que o levou a querer que o público entendesse muito mais sobre seu processo criativo do que apreciar um vestuário de cena. Mas sintam-se lisonjeados pois é a primeira vez que essa exposição é feita na América Latina.

Repleta de sketches e pinturas de todos os tipos, a experiência te leva a entender quem é Tim Burton, quais as suas influências e o que se passa em sua cabeça. Ao menos a gente tenta.

Desenhos do começo da década de 80 nos remete à obras atuais o tempo todo. Em meio a palhaços assustadores, personagens sarcásticos e cachorros narigudos, é possível, por exemplo, identificar um personagem caricato bem parecido com a futura caracterização do personagem Pinguim, do filme Batman Returns, dirigido por ele na década de 90.

Passados alguns corredores, conseguimos entender que o menino Tim, fã de filmes japoneses de terror e do famoso ator do gênero Vincent Price, dedica sua vida à homenagear seus ídolos. Numa mistura de surrealismo e fantasia, seus desenhos feitos em guardanapos, possivelmente durante um café e o muffin, conseguiram se libertar do papel e tomar vida nas telas de alguma forma.

Tudo gira em torno do terror, do medo e da melancolia, mas isso nós fãs já sabemos.

Tim Burton nasceu em Burbank, uma cidadezinha atrás (literalmente) da famosa placa de Hollywood, na Califórnia, e é na sala que reproduz o título Projetos Não Realizados vistos de costas, que conseguimos ver alguns desenhos de projetos que, ou não foram mesmo realizados como o título sugere, ou foram modificados desde a ideia original do criador.

A parte interativa (e divertida) da exposição fica por conta de um escorregador gigante que leva o expectador do primeiro andar do passeio ao segundo ambiente. Você pode optar pela escada também, mas eu sugiro entrar no clima e escorregar observando a reprodução gigante do “Menino Balão” que te acompanha com os olhos enquanto você se joga na brincadeira. O recurso é chamado video maping e você pode, mesmo do chão, brincar com o boneco chamando sua atenção com as mãos ou movimentos do corpo.

Outra ideia genial está na sala seguinte. Um suporte, como esses de partitura de música, indica que você pegue a placa que está apoiada nele e posicione entre seus olhos e a tela branca a frente. A surpresa se dá quando você consegue, finalmente, identificar o som que vem ao redor: a tela branca é uma TV e o som vem dos filmes ali reproduzidos. A mágica se dá devido a um processo de despolarização da TV. A película que fica em frente à televisão foi descolada e colocada na tal placa que você segura em frente aos olhos. Não sei de quem foi a ideia, mas ela realmente é genial, pois este é um dos poucos momentos em que a gente interage com a exposição.

Lembra que eu falei pra você fã, guardar as expectativas em casa? Pois bem, a sala dedicada aos filmes é o lugar para respirar fundo e relaxar. Não tem cenário, não tem figurino, nem objetos de cena, mas tem sketches, bonecos de oompa loompas e outros personagens como Victor Frankestein, o garotinho cientista da animação Frankenweenie. Tem até um poema datilografado por Tim inspirado pelas gravações de O Estranho Mundo de Jack, chamado Valerie.

Aliás, não basta ele criar todo universo para seus filmes, ele ainda pira durante as filmagens. Uma exposição de fotos polaroids relevadas em formato gigantes, trazem cenas inusitadas e surreais que remetem ao universo de determinados filmes como A Noiva cadáver e O Estranho Mundo de Jack. As fotos são realmente lindas e dá vontade de levar pra casa e colocar na parede da sala.

A impressão que tive sobre a exposição é a de que a cabeça do cara não para um segundo sequer, seja desenhando personagens aleatórios, ou pintando possíveis cenários surrealistas, ele é mais do que um cineasta, é um artista inquieto e de genialidade ímpar, na qual todos os personagens e histórias parecem circular no mesmo universo.

Não tem cenário, nem figurino, mas a imersão nos pensamentos e devaneios de Tim Burton valem os quase 2 anos de espera. Respire, relaxe e divirta-se.

Serviço

Datas: 4 de fevereiro a 15 de maio de 2016

Local: MIS — Museu da Imagem e do Som de São Paulo / São Paulo, capital

Ingressos e horários.

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