Friday Night Lights: Ser teen com excelência

Olhos limpos, corações cheios! — Taylor, Eric

O que podíamos esperar de um enredo teen vindo da NBC? De fato, é uma junção que não proporciona certa segurança ou faz gerar grandes índices de expectativa. E é por isso que Friday Night Lights é uma ótima e arrebatadora surpresa: correu do preconceito, conquistou um alto nível narrativo, desconhecido pela emissora, e sambou nas concorrentes do mesmo gênero. A maior prova de quão fantástica a série foi é a recente posição da mesma na lista de 101 melhores scripts de todos os tempos: o lugar ocupado por Friday Night Lights é a 22ª posição, atingindo um reconhecimento crítico maior do que grandes séries como Sex And The City, Friends, The X-Files e Game Of Thrones. Diga-se de passagem que este não foi um mérito concebido injustamente; a série é digna de um caminhão de elogios e da atenção de um apreciador de boas produções, mesmo que voltada para adolescentes.

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A série se passa na pequena cidade rural de Dillon, no Texas, onde os títulos do campeonato estadual de futebol americano são de extrema importância. O promissor time da cidade, seu famoso quarterback e o recentemente contratado técnico Taylor sentem a grande pressão pelo orgulho e honra da cidade em seus ombros assim que a temporada começa.

Talvez o espanto venha daí: uma simples sinopse com um grande desenvolvimento. O território é preparado com simplicidade e emoção durante um piloto memorável, mas é no alicerce construído sobre seu embasamento que Friday Night Lights é consagrada a um patamar alto de qualidade. O roteiro não falha ao entregar arcos densos, saturados no melhor do drama sem ignorar uma boa e rica abordagem das mais diversas situações cotidianas da fase adolescente e da posterior à mesma.

A maestria da escrita refinada das tramas também não se ausenta na arquitetação dos diálogos. Maduros e igualmente bem desenvolvidos como as tramas, as conversas que preenchem os arredores de Dillon não decepcionam quando o assunto é qualidade.

As relações familiares, dramas pessoais, pressões do dia a dia e todos os dilemas da juventude são estudados muito bem desde a gênesis até fim da série. Tudo pode não ser feito com muita agilidade e ação ou auxiliadas por cliffhangers desesperados por nossa atenção, mas o não abandono da vitalidade das tramas e tudo o que as fazem ótimas, trabalhando juntamente com diálogos louváveis, já fazem Friday Night Lights valer a pena justamente por seu script sólido.

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Enquanto a série se firma como um teen diferenciado devido a sua qualidade, em meio a tudo isso, existe um elemento bem genérico, porém benéfico, infiltrado em meio a Friday Night Lights: a trilha sonora. Na narrativa, não existem brechas para futilidade ou intrigas banais como de costume no gênero adolescente, mas a boa tradição de uma ótima trilha sonora, característica obrigatória para agradar seu público alvo, é fielmente obedecida.

Composta pela mais vasta diversidade musical, os eventos e cenas são sincronizados com um suave country de raiz americano, sem esquecer-se dos hits que tomam conta das paradas musicais. Às vezes, somos até presenteados com um blues-rock e um folk. Além de uns lampejos de hip-hop ou uma guitarra gritante.

Por ser dona de tamanha ecleticidade, é seguro generalizar que qualquer apatia sobre a seletiva musical não apresenta um fundamento muito concreto. Se um roteiro fantástico já rotula Friday Night Lights como uma brilhante produção, a trilha sonora é outra forte prova de autenticidade deste tal posicionamento.

Friday Night Lights Season 5 Kyle Chandler and Connie Britton

Vulneráveis. Oprimidos. Singulares. Imperfeitos. Tais quatro atributos são partes inegáveis de todos os personagens da série, mas são traços característicos fortes e individuais de cada personalidade que fazem do núcleo dos mesmos o melhor elemento de Friday Night Lights. Tão acreditáveis, vivos e convidativos, a junção de atuações impecáveis aos devidos papéis rendem ainda mais motivos para intensificar tudo o que já é excepcional.

Com isso, temos os personagens mais bem idealizados que já vi em qualquer série adolescente que já assisti. De fato, são eles, seus devidos atores e a inigualável química que os une à alma da série, protagonizando impecavelmente cada uma das tramas propostas durante a longa e única trajetória de cinco temporadas.

Texas para sempre. — Tim

E isso é Friday Night Lights: o melhor que um espetáculo teen pode oferecer. Repito, tudo pode não ser feito com a maior agilidade narrativa, porém o conjunto de tramas maduras, igualmente bem escritas e desenvolvidas, os protagonistas virtuosos e a nobre trilha sonora complementar elegem a cidade de Dillon como um ótimo palco para todas os atritos e caminhos conturbados da vida apresentados pela série. E você, o que está esperando para escalar a série e seus jogadores para uma maratona, uma vez que os frutos que elas geram são os melhores para saciar a sede por qualidade de um bom e coeso fã de séries formidáveis?

Curiosidades

# Connie Britton e Brad Leland são os únicos atores do filme “Tudo Pela Vitória”, aquele que inspirou a série, onde mantêm seus papéis idênticos em Friday Night Lights.

# A série foi bem afetada em sua segunda temporada pela greve de roteiristas de 2007, pois a encomenda inicial foi de 22 episódios, mas somente 15 foram entregues. O resultado? Tramas não concluídas e, muitas delas, finalizadas brutalmente com resoluções fracas.

# O único motivo pelo qual a série atingiu o número de 5 temporadas foi um acordo entre a NBC e o DirecTV. A emissora aberta americana tinha o cancelamento certo para a série, até que o canal pago propôs um acordo para concluir a série em mais 3 temporadas, dividindo os gastos da produção.

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