Game of Thrones 6×02 — Home

Em Home, Game of Thrones explora o passado de Westeros, apresenta novos personagens e responde a uma das perguntas mais desnecessárias da série.

É lindo no fundo do mar, mas se você ficar tempo demais lá, você se afoga.” — Corvo de Três Olhos

Nesta semana, Game of Thrones entrega de vez a resposta para a pergunta que há um ano é feita insistentemente, mas que não precisava de uma resposta se fosse considerada a importância do personagem em questão. Jon Snow está vivo e esse é o fato menos importante de Home.

Como o próprio nome do episódio indica, o tema “Lar” é retratado de forma abrangente pela série. Um lar pode ser literalmente o lugar a qual você pertence, uma memória ou o oposto de “lá fora”. E o episódio explora isso através das visões de Bran com o Corvo de Três Olhos, que nos mostra Winterfell na época em que Ned Stark era apenas um garoto e que nos faz lembrar de como eram as coisas no início da série.

Aparentemente, a série usará o enredo de Bran para proporcionar mais contexto para o que se tornou o reino de Westeros, algo pouco explorado até agora, mas que resolve como o enredo de Bran irá se desenvolver, já que ele pode até não ter pernas, mas será os olhos de todos. Aqui teremos o personagem se comunicando diretamente conosco, ao invés de interagir com o resto do elenco.

E é nessa cena que descobrimos o verdadeiro nome de Hodor e que ele um dia era um jovem falante como qualquer outro. Pondo esta revelação em contraste com a ressureição de Jon Snow, sabermos mais sobre Hodor quando não esperamos que ele seja mais do que um grandalhão a serviço de Bran é mais satisfatório que termos a óbvia resposta sobre o comandante da patrulha.

Claro que as revelações possuem pesos diferentes por questões técnicas. Jon Snow é um dos maiores protagonistas desta história e sua morte significaria praticamente o fim da série. Mas é nesses momentos em que vemos a série perdendo um pouco do que a faz ser acima da média quando começa a depender de clichês narrativos, criando expectativa sobre o óbvio.

Um outro exemplo de como isso tem acontecido com certa frequência é a cena em que os selvagens aparecem para combater a trupe de Alliser Thorne. Em The Red Woman, não há menção deles e a série escolhe essa amnésia seletiva para nos fazer pensar que não há esperanças para o corpo de Jon Snow, para só então trazê-los para o episódio quando se é conveniente.

Esse tipo de articulação faz com que o enredo da muralha não se desenvolva de forma natural e que tudo literalmente possa acontecer, mas não porque os personagens são vívidos, mas porque você vê que os roteiristas da série fazem o que bem entendem com esse núcleo.

O fato é que há seis anos a série se tornou conhecida por não ter dó de seus personagens principais. Apoiar-se nessa subversão no primeiro ano funcionava porque estávamos pouco acostumados com a forma da série lidar com a história, e mesmo que os leitores soubessem antecipadamente das mortes, não havia garantias de que a série iria seguir pelo mesmo caminho, já que o comum é que personagens principais sejam poupados pelos produtores da série, que às vezes minimizam os riscos que correm ou constroem perigos fajutos para seus personagens (The Walking Dead).

Nesta altura, a morte de algum personagem principal só se torna significante quando é claro que o personagem está perdendo algo pelo qual ELE anseia. Ou seja, a morte de um personagem deveria ser sobre o personagem, e não sobre os espectadores.

Mas nem tudo foi prejuízo. Ao envolver Davos e Melisandre, o retorno de Jon Snow tem mais a dizer sobre a sacerdotisa vermelha do que qualquer outro personagem, já que a ela a morte de Snow afeta diretamente por causa de sua fé, que em Home vemos se esvaindo a ponto de não suportar o frio da muralha sem ajuda de um cobertor.

Particularmente, esta é uma das cenas mais minuciosas do episódio, já que Melisandre e sua fé em Rhollor emanam calor suficiente para que ela não precise de ajuda para se esquentar, uma prova de que Game of Thrones sempre ganha quando investe em riqueza de detalhes.

Riqueza essa que falta nas cenas de Ramsay, que neste episódio pareceu servir apenas para diminuir o elenco e provar sem necessidade sua maldade. É compreensível que Ramsay é mais malvado que Joffrey no que diz respeito à brutalidade dos dois, mas a grande diferença entre os personagens é que o filho de Cersei sempre foi naturalmente malvado, enquanto Ramsay parece escolher a malevolência. Ainda falta para a série explorar o que motiva Ramsay a ser como é, ao invés de mostrar o tempo todo o que ele é.

Além disso, com a morte de seu pai, madrasta e meio-irmão, a narrativa em Winterfell se torna enxuta o suficiente para abrir espaço para o núcleo das Ilhas de Ferro, que também apareceu de forma breve e corrida, acelerando a história da forma errada, sem sequer mencionar quem são os personagens que interagem com Asha.

Enquanto isso, velocidade não é o que se vê em Meereen, cujas cenas circularam sobre a pergunta “E o que fazemos agora?”, não avançando em nada no enredo, exceto pela libertação dos dragões, que também aparece conveniente que os filhos de Daenerys sejam misericordiosos desta forma. Desta vez, nem os elaborados discursos de Tyrion — por mais cômico que tenha sido — foi capaz de tornar a cena plausível.

Continuando a explorar o tema “Lar”, agora como sinônimo de refúgio, temos Sansa indo em direção a muralha com Brienne. Sansa é uma das poucas personagens relevantes que ainda está em jornada, o que contrasta bastante com esse traço característico da série. Em temporadas anteriores, a maioria dos personagens estavam indo para a algum lugar, em Home temos eles em situados em algum destino.

Isso faz com que a jornada de Sansa tenha mais destaque e importância, porque com exceção de Jorah e Daario, nenhum outro personagem está se deslocando pelo reino, e a procura por Daenerys é menos importante agora porque sabemos como ela está. Com Sansa, além da exposição aos perigos de ser reencontrada pro Ramsay, temos aquela sensação de que estamos próximos a ver uma reunião dos Stark, um fato ainda bastante aguardado que, se nutrido da forma certa, pode gerar satisfação mais genuína do que o retorno de Jon Snow.

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