Game of Thrones 6×05 — The Door

The Door surge carregado de emoções, mostra evolução de personagens e abre a porta para discussões e teorias populares nos livros.

Suponho que seja difícil para um fanático admitir um erro. Mas não é isso que significa ser um fanático? Você está sempre certo. Tudo é a vontade de deus.” Varys

Diversos aspectos de Game of Thrones mudaram desde que a série tomou liberdade para se distanciar da história criada por George R. R. Martin. Arcos foram expandidos ou encurtados, personagens foram trocados de lugar e até unificados, mas nenhuma mudança tem sido tão latente quanto a distribuição de tempo entre os personagens e a passagem de tempo na série.

Podemos encontrar bons exemplos dessa mudança na chegada de Sansa à Muralha e a ida de Theon à Pyke. Ambos levaram cerca de um episódio para chegarem ao seu destino e isso reflete diretamente na forma como os roteiristas se deram liberdade para acelerar a série sem comprometer os episódios.

Isso se deve ao fato de que não é mais preciso aproveitar os livros ao máximo para que eles durem o maior número de temporadas possíveis. Agora, livres de usarem as obras originais como muletas para o roteiro, Game of Thrones se apresenta de forma revitalizada em um momento em que a série que já demonstrava sinais de cansaço.

Mais do que em qualquer outro episódio, a forma de lidar com a passagem de tempo se mostrou eficaz para que The Door combinasse a carga emocional com um bom ritmo, que só trouxe benefícios para a cena final.

A atenção aos detalhes é outro aspecto digno de nota. Algumas tomadas serviram para reforçar a evolução dos personagens ou mostrar o quão longe eles chegaram. E Sansa é o melhor exemplo disso. Sua primeira cena a mostra bordando, que remete a criança que existia antes dos eventos da série. Porém, logo em seguida, contemplamos seu diálogo com Mindinho, mostrando o quanto Sansa se tornou independente, esperta e madura. E o contraste nas cenas potencializam o valor de sua jornada até aqui.

Há também uma outra cena que serve para fazer referência a evolução de um outro personagem. À primeira vista, o close no pênis do ator que interpretava Joffrey pode não significar muita coisa, porém, ela se dá alguns momentos antes do enredo mostrar as ilhas de ferro e a escolha do novo rei. Nos diálogos que incluem menções ao membro perdido de Theon, a rima do episódio fica tão clara quando a percepção de sua evolução.

Theon é um dos que mais se transformou na série, e mesmo sendo um coadjuvante, sua existência em diversos momentos é responsável por narrativas mais sólidas. E a maior prova disso é o fato de que as cenas em Winterfell perderam bastante força após a fuga de Theon e Sansa.

Mas não é sempre que o episódio acerta no quanto de tempo dá para cada história. No que diz respeito à história de Arya, seu treinamento na casa do Preto e Branco tem tomado tempo demais com poucos avanços, por vezes atrapalhando o andamento do episódio. E embora não tenha sido o caso em The Door, a presença de Arya em alguns episódios serve mais como uma forma da série exibir personagens por serem favoritos do público do que pela sua utilidade para a história.

Daenerys quase serve a esse mesmo propósito, não fosse o fato de que sua cena com Jorah traz peso emocional para a personagem (cuja fragilidade colabora para sua evolução), a cena teria sido um desperdício de tempo.

A partida de Jorah em busca de uma cura é um pouco preocupante. Só neste episódio um grande conjunto de personagens voltaram a entrar em jornada. Mesmo sabendo que a série tem dado pouco tempo para a movimentação dos personagens no mapa, avançando para o momento em que chegam ao seu destino, não deixa de ser alarmante que a série retorne a retratar longas viagens justo agora que encontrou um novo ritmo. O problema é: como a série manterá o ritmo desses personagens sem ignorar completamente os percalços de suas viagens?

Enquanto isso, Meereen se torna cada vez mais palco de maquinações políticas, um contraposto ao clima de guerra iminente que envolveu grande parte do episódio, principalmente nas terras mais ao norte. O problema com isso é que a cada cena Meereen se torna mais desinteressante, com personagens isolados cuja interação um com os outros é pouco produtiva.

Porém, a chegada de uma nova sacerdotisa do fogo pode tornar o enredo um pouco mais interessante, mas justamente porque ele aponta para fora de Meereen. Kinvara não deixa de ser um clone de Melisandre, entretanto seu discurso de entrada demonstra que ela possui visões opostas daquela que trouxe Jon Snow de volta à vida. Ter que lidar com essas possibilidades distintas ajuda a encaixar melhor as peças sobre os rumos dos enredos que se desdobram.

Se de um lado temos Melisandre, crente de que Snow é o verdadeiro enviado de R’hllor (depois de ter percebido seu equívoco com Stannis). Do outro, Kinvara acredita que Daenerys é a escolhida, e possui argumentos fortes baseados na jornada da mãe dos dragões até Meereen. Desta perspectiva, Daenerys é responsável por uma reparação histórica para os Targaryen, devolvendo para sua família o trono de ferro que foi usurpado por Robert. O que nos indica que sua causa é mais forte e nos faz crer que talvez Kinvara esteja com razão.

Mas é exatamente nesse ponto do enredo que se encaixa uma das melhores novidades da temporada: Bran. Suas viagens no tempo têm fomentado teorias antigas sobre a mitologia de Game of Thrones. Isso mostra uma intenção honesta da série em dialogar com o que é externo a ela. Sem contar que por vezes as cenas de Bran são as mais interessantes e divertidas justamente porque permite a série explorar histórias inéditas, além de solidificar outras.

Com a invasão dos Caminhantes Brancos na caverna do Corvo de três Olhos, a série aproveita a oportunidade de despejar diversas informações tanto visuais como narrativas de uma vez só, escalando para um final que condensa a importância das cenas de Bran, e como sua participação caminha para ser de alta relevância.

Somente neste episódio descobrimos que os Caminhantes Brancos foram criados pelas Crianças da Floresta, que também mostraram um pouco de seu poder bélico. Bran pode se mover não só para o passado, mas caminhar pelo presente também. E por fim, descobrimos porque Hodor é como é em uma cena que além de forte, aponta diretamente para uma teoria que o coloca Bran como responsável pelos principais eventos da história de Westeros.

Agora, sem o auxílio do Corvo de Três Olhos, Bran terá que assumir o posto, mesmo sem ter finalizado seu treinamento. Isso significa que mais erros como os cometidos em The Door estão por vir, mostrando que não há pressa que possa resolver o que não está pronto.

[taq_review]

Sobre o Autor

Avatar

BOXPOP

Site especializado em cultura pop, fundado em agosto de 2007. Confira nossos podcasts, vídeos no youtube e posts em redes sociais. Interessados em contribuir como autor no site podem entrar em contato: contato@boxpop.com.br

Deixe um comentário

clique para comentar

Esse site utiliza o Akismet para reduzir spam. Aprenda como seus dados de comentários são processados.

OUÇA O BOXCAST

VIDEOCAST

Personagem afeminado de Cavaleiros do Zodíaco será mulher em remake da Netflix.

Confira o que achamos da versão ilustrada de Harry Potter e o Prisioneiro de Azkaban em português.

Wanessa tá de clipe novo. E o clipe define o que "é ruim mas é bom".

SEJA UM PADRINHO!

Contribua!