Game of Thrones 6×08 — No one

Pressa expõe furos em No One, episódio que traz resoluções fracas, mesmo com personagens sedentos por violência.

Metade das coisas horríveis deste mundo é feito por algo maior que nós mesmos.” — CLEGANE, Sandor

Nesta semana, em Game of Thrones, quase todos os personagens escolheram a violência. A frase é originalmente de Cersei, e optar por violência não é novidade na série, mas especificamente em No One, há uma espécie de alinhamento entre os personagens que aceitam seu lado ruim como forma de seguir adiante.

Começando por Cersei, aparentemente, optar pela violência não servirá de muita ajuda quando o rei, que também é seu filho, resolve banir o julgamento por combate. Este era o único recurso que Cersei tinha de ser absolvida de seus pecados. Seu erro foi contar vantagem antes da vitória, e demonstrar a força de Robert Strong para os fiéis seguidores do Alto Pardal.

Seu irmão, no entanto, parece saber mais sobre dosar o lado ruim com o lado bom. Jaime tem sido retratado desde a terceira temporada como um homem regenerado, principalmente depois de perder a mão e conhecer Brienne. Em No One vemos o potencial para crueldade que Jaime possui assumir o comando por um momento.

Ameaçar catapultar o filho de Edmure pode até não ser uma promessa que veríamos Jaime cumprir, mas vê-lo proferir tais palavras causa espanto e terror que nos faz lembrar que, por amor a Cersei, Jaime será capaz de fazer coisas tão ruins quanto assassinar um rei. E mesmo assim, tais atos não traem a constituição do personagem…

…Diferente do que aconteceu com Brynden Tully. Após uma boa reapresentação à trama da série o personagem encontra um fim decepcionante para quem esperava que o Peixe Negro fosse impor algum desafio para Jaime. A culpa nem é tanto do personagem, mas da forma incoerente como o roteiro se seguiu em No One, os erros deste episódio ficam mais evidentes quando comparado com seu antecessor.

Em The Broken Man, Brynden desafiou um dos filhos de Walder Frey a matar Edmure. Naquela cena, nenhum soldado do Senhor de Correrrio se opôs à provocação perigosa do Peixe Negro, muito diferente da reação que seu exército teve em No One.

Isso mostra que a série tem preferido correr com a história mesmo que isso signifique deixar lacunas que enfraqueçam a história como um todo, ora mostrando tal personagem como forte e imbatível para em seguida desconstruir isso mostrando uma situação oposta.

O problema é que a série deixa aparente que o que guia tais escolhas não são a coesão e a coerência da narrativa, mas a falta de controle das linhas de histórias que se emaranham de forma complicada, e forçam a produção a ter que lidar da forma mais rápida possível.

E este não foi o único furo do episódio. Em Meereen, a cidade começa a ser atacada pelos mestres e Daenerys chega sem qualquer dificuldade para interferir na continuidade do ataque que estava acontecendo.

É compreensível que a série tenha optado por ignorar o que acontecia do lado de fora para mostrar a chegada de Daenerys como salvadora, mas é exatamente essa insistente retratação de poder da personagem que torna sua narrativa exaustiva.

Também fica claro que ao serem atacados por uma frota de navios, a oportunidade para o surgimento de Eron Greyjoy foi estabelecida pela série. Nisso surgem algumas dúvidas: Quanto tempo leva para construir mil navios? De onde os homens de Pyke tirarão a madeira necessária para construi-los.

Games of Thrones é uma série em que mágica têm um papel importante em algumas questões, e quando inserida com propriedade, não deixa espaço para questionamentos (como o renascimento de Jon Snow), mas No One deixou expostas lacunas que incomodam quem aprecia a história pela riqueza de detalhes e teve que presenciar a forma relapsa como o episódio se desenrolou.

Parece absurdo querer ser detalhista deste jeito com a série, mas são elementos como estes que atrapalhar nossa imersão na história. E o maior exemplo disto é o desfecho do enredo de Arya, a qual o episódio faz referência em seu título.

Após ser esfaqueada no abdômen, tudo que precisou para Arya se recuperar a ponto de estar bem o suficiente para pular de uma sacada e correr por Braavos foi uma noite de descanso induzida por leite de papoula.

Para quem não sabe, a bebida é uma espécie de sonífero pesado usada em casos de ferimentos graves ou ato de misericórdia para quem está prestes a morrer. O líquido não contém propriedades curativas ou mágicas, portanto, não foi o responsável pela rápida recuperação de Arya.

Não bastando a recuperação quase mágica, a assassina da Casa do Preto e Branco, conhecida por matar seus alvos de forma discreta, faz o serviço que era originalmente de Arya produzindo muito barulho. O assassinato da atriz foi suficiente para que Arya acordasse e desse início a uma cena frenética de perseguição, sendo conveniente demais para a situação.

Por fim, Arya mata sua rival e pendura seu rosto na parede da Casa do Preto e Branco. Um momento simbólico perdido para a personagem graças a falta de ritmo que sua história teve até aqui.

E o episódio não termina sem mais uma decepção: Arya se torna “ninguém” ao mesmo tempo que reafirma sua identidade com uma Stark, dizendo que quer ir pra casa, logo após ter dito para atriz que gostaria de descobrir o que há a oeste de Westeros.

Arya pode até ter reencontrado sua identidade, mas sua narrativa está perdida e esse é o único aspecto que pareceu coerente com o episódio.

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