Game of Thrones — 6×10 The Winds of Winter

Sexta temporada de Game of Thrones chega ao fim encerrando grandes arcos e cumprindo promessas com The Winds of Winter.

O verdadeiro inimigo não irá esperar a tempestade. Ele trará a tempestade.” — SNOW, Jon

É normal que em episódios-chave, como os episódios-evento de Game of Thrones e os fins de temporada, causem alvoroço, trazendo clamores sobre a série e o episódio em questão. Mal The Winds of Winter terminou e o título de melhor da temporada se espalhava por todos os cantos da internet. E no fim das contas, não há qualquer evidência que prove o contrário.

Começando pelo princípio, o episódio dá seguimento aos acontecimentos da Batalha dos Bastardos, encerrando outra história pendente na temporada: o julgamento de Cersei e Loras. Para este momento marcante da história, Game of Thrones oferece competência técnica do mais alto nível, tornando este não só um dos melhores episódios no que diz respeito à condução da história, quanto também no alinhamento de trilha sonora, efeitos visuais, figurino e fotografia.

Coordenando as tomadas com a melodia de Light of the Seven, The Winds of Winter preparava o tom para a avalanche de sensações que iria descarregar sobre quem assistia o episódio. Resolver toda a história do alto Pardal com uma explosão de fogovivo, simplesmente apagando três personagens da história em segundos de exposição, era apenas o começo de um episódio que se manteve no ápice durante toda a sua duração.

O brilho desta cena está justamente no desfecho abrupto e não organizado que a história recebeu. Muito semelhante à Batalha dos Bastardos, os conflitos nem sempre se resolvem com formalidade, e explorar o caos traz mais realidade para a série de fantasia.

Com Cersei no balcão, rindo com uma taça de vinho na mão condensa ao mesmo tempo a breguice das vilãs de novela com a satisfação torta de vermos o mal triunfando sobre seus algozes. Cersei, obviamente, não pode ser simplesmente definida como uma mera vilã, ou como uma pessoa ruim. A personagem é uma das que possui características psicológicas variadas e sutis, invocando simpatia nesses momentos em que acabamos torcendo pela concretização de uma tortura contra uma freira (e ouvir “vergonha” repetidamente de Cersei invoca nossa moralidade dúbia que faz com que a entendamos).

Enquanto a vingança de Cersei era um ponto da série que era esperado, o episódio reservou surpresas que apelaram para outras forças da série: a total falta de ciência sobre alguns acontecimentos sendo uma delas. Da última vez que vimos Arya, sabíamos que ela abandonaria Braavos e que voltaria para Westeros. Omitir completamente seu plano de continuar a eliminar os nomes de sua lista funciona não só pelo fator surpresa, mas porque redefine a personagem como ciente de seu papel no mundo deturpado de Game of Thrones.

Semelhante a Sansa, que compreendeu que para seguir adiante, é preciso tirar sentimentos do caminho, Arya prossegue sem medo de sujar as mãos com o sangue daqueles que a fizeram sofrer (direta ou indiretamente). E o mais interessante desta cena é que ao vermos dilacerar a garganta de Walder Frey (de modo semelhante ao que aconteceu com sua mãe), vemos que Arya não está moralmente distante de Cersei, e que novamente, o significado de bom e mal é muito mais profundo e intrincado em Game of Thrones. A esta altura, é impossível categorizar bondade e maldade, quando ambos os extremos possuem elos indissolúveis.

The Winds of Winter é também um episódio que se beneficia do encerramento de grandes linhas de história, despontando outras imediatamente a seguir. O retorno de Dorne ao episódio soa irônico, mas bem colocado após os desfechos em Porto Real. Ao unir Ellaria, Oolena e Varys, o enredo de Dorne aponta para Daenerys (principalmente com o eunuco proferindo o lema dos Targaryen). A mãe dos dragões também traz muita promessa para o futuro da série. Finalmente a bordo dos navios de Yara, Daenerys e a série abandonarão a monótona Meereen em direção a uma participação mais variada no jogo dos tronos.

Vale a menção de que, enquanto Sansa desponta como uma das personagens que mais evoluiu na trama, Daenerys é a que se transforma de forma mais lenta. Passando por boa parta da temporada servindo pouco para a trama, Dany demonstrou mais variedade assim que a série resolveu flertar com os aspectos perversos de sua dinastia.

Tyrion neste episódio se tornou a janela que faltou durante grande parte da temporada para a psique de Daenerys. O nível de importância que é saber que a personagem nada sentiu ao se despedir de Daario tem muito a dizer sobre como a cabeça dela funciona, que somada à demonstração de fragilidade a torna mais real, e não uma construção mitológica distante.

De volta a Winterfell após a Batalha dos Bastardos, era de se esperar que as ações na Casa Stark fossem mais calmas do que as que ocorreram no episódio anterior. Ainda assim, as cenas proporcionaram sua reserva de emoções ao conflitar Davos com os atos de Melisandre. Ter personagens menores sendo protagonistas por um breve momento também revela o poder do elenco da série, que se encaixa perfeitamente quando personagens maiores do mesmo núcleo precisam “respirar” após receberem grande foco do enredo.

Esta não será, provavelmente, a última vez que veremos a devota de R’hollor, mas já é possível considerar, pelo menos por enquanto, seu papel na série como cumprido. Não só por ter trazido Jon Snow de volta à vida, mas porque sua presença na série nesta temporada representou o questionamento do divino, que recebeu reforço em Porto Real. Se ainda há utilidade para a personagem na trama, esta função deverá ser revelada em um futuro distante.

E falando sobre futuro, algumas cenas do episódio também apontam para o que pode vir acontecer na série, dando continuidade à forma da produção se comunicar com os fãs que gostam de criar teorias sobre os rumos da trama. Desta vez, o retorno de Jaime durante a coroação de Cersei nos faz pensar se não estaria na mão do personagem o destino final de Cersei.

Mas enquanto isto parece uma promessa distante, The Winds of Winter entrega a resposta para uma das mais clássicas teorias sobre a série (e os livros): a origem de Jon Snow. Com a confirmação de Lyanna Stark como mãe de Jon, há quem ainda teorize sobre a veracidade de Rhaegar Targaryen ser o pai. Enquanto esta teoria ainda não encontra sustentação, considerar Jon Snow também como pertencente da linhagem Targaryen o torna mais propenso ao trono do que Daenerys, e somente esta informação já é capaz de mudar todo o panorama dos eventos que começaram a se desenvolver.

Mas a questão é: Como Daenerys reagiria se soubesse que ela não é a Targaryen com direito ao trono? Após tanto trabalho para cruzar o mar em direção a Westeros, Dany desistiria de sua causa, ou peitaria as políticas que dão preferência aos homens na linhagem de sucessão aos tronos (principalmente em uma temporada que deu atenção especial às personagens femininas)?

Com atenção aos mínimos detalhes, Game of Thrones encerra sua sexta temporada cumprindo promessas que enriquecem a série e tornam seu futuro promissor. The Winds of Winter deixa claro que estamos a poucos anos do fim definitivo da série, mas que não há momento melhor para chegar ao fim com ventos como este.

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