Globo aposta em True Blood às sete

Nossa, só agora eu percebi que saiu True Blood! Eu quis dizer Good Blood ou Sangue Bom, a nova novela das sete que chegou com a irrisória fácil ridícula missão de substituir Guerra dos Sexos, que foi uma bela porcaria um grande sucesso no horário. A essa altura, você, internauta amigo, já deve ter visto os dois capítulos iniciais da trama e está ansioso esperando minhas impressões sobre o folhetim escrito por Maria Adelaide Amaral e Vincent Villari.

E aí que você acabou de ler os nomes dos autores e se pergunta quem é Maria Adelaide Amaral na noite? Ela foi a responsável por grandes sucessos em minisséries como A muralha e em remakes de novelas de Cassiano Gabus Mendes. Já o Villari colaborou com ela em Ti Ti Ti recentemente. Dizem que ele é uma das grandes promessas da teledramaturgia brasileira (sic). O que não é muito difícil. Qualquer sujeito que consegue criar um “roteiro” de Malhação (se é que Malhação tem um roteiro) vai logo sendo aclamado de salvação da teledramaturgia brasileira. Resgata a foto do moço aí e deixa o público tirar suas próprias conclusões.

E a novela começou e eu não sabia se estava assistindo a uma nova novela das sete ou a uma versão mais “amadurecida” de Malhação. O que ajudou foi o elenco, boa parte oriunda da trama de mais cedo. E também as fracas atuações de boa parte deste mesmo elenco. Também pudera. Quem faz Malhação jamais chegará a Shakespeare. Aquele Jonathan James? Pablo Morais tinha tudo pra ser o novo cigano Igor, mas acabou morrendo no primeiro capítulo. Sorte dele (e nossa!). Notaram como a Fernanda Vasconcelos tem cara de velha? Parece que a cara dela surgiu primeiro e ficou esperando por anos o resto do corpo nascer.

Quem deu pena mesmo foi a Giulia Gam. Ela ganhou até certo destaquezinho, mas ficou com uma impressão tão Norma Desmond Reloaded. Com direito a um último close e tudo mais. Caricata define. Ela até que é uma atriz razoável, mas tanta teatralidade mais ajuda que atrapalha. Outra que entrou na vibe normadesmondiana foi a Orth, sumida das novelas. Em pouco tempo no ar, me passou uma sensação de Bette Davis tupiniquim numa versão piorada de O que terá acontecido a Baby Jane? No mínimo, deprimente.

E já que é pra falar, vem cá: desde quando Malu Mader convence como classe média? E que sotaque foi aquele? Fez várias aulas com fonoaudióloga para perder o chiado do “x”. Meu povo, Mader tem que fazer novela que se passa no Rio de Janeiro e ser rica. Aí sim ela consegue ser uma boa atriz. Do contrário, dá uma peninha da moça.

Tudo ali soa tão filme indie wannabe, mas sem a mesma naturalidade. O figurino reforça essa ideia. E ainda por cima você, uma turma que trabalha com publicidade. Quer algo mais descolado que pessoas trabalhando em agências de publicidade? Ainda mais em novela. Parece ser o melhor trabalho do mundo, onde todos se divertem, as sacadas são geniais e todo mundo é descolado. Tudo tão fake.

E a trilha sonora toda trabalhada nas atrações do Rock in Rio? Além de tudo, a escolha das músicas foi óbvia e reforçou antigos clichês. Se o personagem é revoltadinho com o mundo e maltrata a mãe, ele vai ter um rap como seu tema. Sem contar o tema de abertura. Até quando seremos obrigados a aguentar essas versões em samba de músicas de rock? Não, é sério. Depois que Caetano Veloso enterrou Come as you are, achei que nada poderia ser pior. Mas aí me vem esses arranjos de samba, que já deu o que tinha que dar. E ainda mais logo na abertura! E com a música do Lulu!

Isso porque não vou falar nada sobre a abertura à la Final Fantasy piorado, todo carregado nas tintas rosas. Alguém na Rede Globo está aprendendo a construir pessoas na computação gráfica e acharam que seria maneiro colocar isso na abertura de uma novela moderna e jovial. Sem contar as transições de uma cena a outra com direito a imagens de smartphonestablets.

E o que foi aquele flash mob no final? A mescla de Que país é este/Sabotagem/Brasil ao som de samba (novamente o onipresente ritmo) foi, no mínimo, equivocada. Músicas de protestos para mostrar a classe C paulistana se “revoltando” contra um grupo imobiliário. Nada mais “honesto”. Sem contar o final com direito a encontro romântico.

Sangue Bom mirou na modernidade e acertou na comédia romântica barata. E ainda teremos mais, pelo menos, seis meses com isso no ar. Deve conseguir audiência. Afinal, existe audiência pra tudo. The Vampire Diaries está aí no ar pra provar o que eu digo.

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