Globo de Ouro 2017: A gente não entendeu um pouco direito

Fica a lição: nunca aposte dinheiro quando o assunto é Globo de Ouro. Capaz de ninguém levar nada. A lista de indicados deixou o público com os olhos brilhando, mas o resultado ficou mais confuso que o meme da Nazaré, a primeira temporada de Westworld e o início de The OA, juntos.

Na verdade, o que reinou na noite de ontem foi o desconforto. Jimmy Fallon perdeu a deixa com uma falha no teleprompter, e isso fez um efeito dominó: a direção nunca mais foi encontrada. Uma noite em que os posicionamentos contra Donald Trump ditaram as falas — desde um irônico apontamento ao caráter estrangeiro da associação que dirige o evento, até um infeliz trocadilho com os filmes Hidden Figures Fences.

O que é curioso que, mesmo com seu espectro inesperado, a HFPA ainda dá passos lentos quando o assunto é progressividade. E isso significa claramente que o Globo de Ouro não é termômetro para Oscar.

Veja bem: com uma lista de filmes e séries que questionam a sociedade, a tecnologia e a política, o que impera são as produções que comunicam com a própria Hollywood — Assim foi com Birdman e agora La La Land. O que é compreensível, é como a arte foi e é feita, mas não pareceu a medida certa com tanto descontentamento no palco.

Cerca de 80% dos discursos levavam à questão política dos Estados Unidos. Dos mais bem intencionados, nem todos disseram o que realmente importava. Sim, estou falando de você, Tom Hiddleston. A fala parecia exaltar um conteúdo humanitário, mas terminou no simples fato dos médicos do Sudão do Sul assistirem a The Night Manager. Faz parte, né.

O companheiro de elenco Hugh Laurie também escorregou no humor negro, mas vamos perdoar pelo despreparo — estava na cara dele que não esperava vencer dos advogados do caso O.J. Simpson e de Winston Churchill.

Que que tá a con te ceno?

Restou para Meryl Streep e Viola Davis salvarem a noite. A estrela de Fences introduziu a homenageada da noite com (mais) um discurso inspirador, e por fim deixou claro o porquê de uma cerimônia que celebra o bom trabalho em Hollywood, e porque a indústria existe. As palavras de Streep foram a melhor homenagem que Carrie Fisher, uma mulher que ajudou a modelar o cinema, poderia receber.

Não foi, afinal, uma noite perdida. As vitórias seguiram o roteiro geral dos eleitores da HFPA: novos e brilhantes atores, produções bem feitas esteticamente e estrelas inglesas com importantes papéis (o que ganhou ainda mais ressonância com toda a questão Trump). Daí as vitórias de The Crown e The Night Manager, mas também de Anthony Anderson e Tracee Ellis Ross, Atlanta e Donald Glover, e American Crime Story. A lista de indicados e vencedores da TV, inclusive, mostram o quanto a diversidade tem sido acolhida e reconhecida nesse universo.

Num evento de quase três horas de duração, o Globo de Ouro reservou alguns minutos preciosos para quem acredita nos valores da sétima arte. O filme Moonlight e a atriz Isabelle Huppert não deixaram a essa longa noite passar em vão — mas no final de tudo, foi a noite de La La Land e Meryl Streep.

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