Homeland 2×09 — Two Hats

De umas três semanas para cá, tenho notado uma preocupação muito grande com Homeland. O medo de não conseguirem manter a qualidade impecável da série ao estendê-la com a recem anunciada terceira temporada tem crescido a cada semana, a cada acelerada no coração, a cada reviravolta.

O que vem aí? Até onde vai? Qual o propósito disso? Tudo tem alimentado essas dúvidas pessimistas, e eu também tenho me irritado com algumas coisas sobre a série recentemente. No entanto, não consigo ver um episódio novo e não escrever uma crítica, no mínimo, boa, simplesmente porque Homeland é boa demais para permitir que a preocupação com o futuro atrapalhe o que está acontecendo agora.

Uma hora a imprudência de Carrie vai ter que parar, e vamos precisar receber informações mais diretas sobre quem Brody realmente é. Mas temos que dar pelo menos um voto de confiança para esses roteiristas, que não estão recebendo títulos de melhores atualmente à toa.

Já era de se esperar que Brody não fosse desmascarado por Nazir. A teatralidade do terrorista foi apenas para testar a fidelidade do aliado que, finalmente, foi apresentado ao plano de ataque da vez: explodir uma cerimônia de boas-vindas aos soldados chegando agora da guerra. E com a mesma velocidade que descobrimos o plano, ele já é arruinado pela CIA, que chega prendendo todo mundo, inclusive Roya. E Nazir, obviamente, continua por aí. Brody, prepare-se para mais algumas semanas trocando de cor.

O mais atraente no episódio, no entanto, foi descobrir que Quinn não é nada do que parece. Primeiro, porque ele mantém contato com alguém que Saul conhece, mas não consegue ligar os pontos. Segundo, porque Brody não está nem um pouco exonerado. Deixa a Carrie saber disso…

Não dá para negar que, às vezes, parece que Homeland não sabe construir sua história sem nos deixar mordendo o canto da mesa. Existem thrillers de todos os jeitos, e o do perigo constante foi o designado para a série. É aí que entra Saul, como persona, como personagem, como elemento de roteiro. Saul representa muito mais do que parece. Ele lida com a ternura e com a calma. Quando tudo desaba, basta olhar para ele que você se sente bem. Nós sabemos que, por dentro, ele está queimando todos os circuitos assim como todos os outros personagens, mas ninguém ali trabalha como ele.

Os roteiristas, sempre com isso em mente, desenvolvem cenas extremamente humanas e sensíveis e dão um jeito de inserir o personagem no meio. Assim, sabemos que tem sempre a luz Saul Berenson no fim do túnel. Quando ele surge em arcos próprios, podemos ter certeza que vem aí um momento de partir o coração. Seja consolando Carrie no telhado em Beirute, sofrendo com a esposa o deixando, querendo fazer o bem pela terrorista na prisão e ajudando a protegida a sempre se manter sã e responsável. Um verdadeiro anjo.

No mais, já tinha passado da hora da Jessica acalmar os nervos e se entregar logo a algo que ela nunca nem quis ter parado. E, aparentemente, o arco da Dana perturbada com a culpa já acabou. Sinto muito medo por vários desses personagens. Que fiquem presos naquele apartamento maravilhoso por muito tempo, que é para não atrapalhar e nem se envolver na desgraça que tem ocorrido lá fora.

Tentar acompanhar a série sem o pessimismo é o melhor a se fazer. Temos inúmeros exemplos de séries arruinadas com o passar do tempo, mas Homeland não precisa ser uma delas. Eu, pelo menos, prossigo, mesmo que um pouco e inevitavelmente irritado com algumas figurinhas, com total confiança nessa equipe brilhante que nos entregou esse drama de primeira.

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