Homeland 3×04 — Game On

Antes de escrever sobre a reviravolta fantástica de Game On, é preciso primeiro discorrer um pouco sobre Carrie, e sobre um pouco do exemplo certeiro que tivemos de televisão de qualidade nesta semana. E é bom poder achar isso de Homeland novamente. Vamos esquecer a reviravolta por enquanto e falar sobre o episódio que passou como um todo até lá.

Homeland 3x04

Game On foi uma redenção, não só para Carrie como também para a série toda. E para haver redenção, é antes de qualquer coisa necessária a aceitação. No começo do episódio, Carrie acorda com os gritos relutantes de outra paciente, em uma situação pior que a dela, vai saber por quais motivos. Mais para frente, pouco antes de saber que seria liberada, ela olha para o canto do teto de seu quarto, com uma mancha de umidade enorme, e encara a visão desagradável deitada na cama com neutralidade. Essas coisas foram pequenos sinais que refletiam o estado da personagem. Nós que acompanhamos tudo, do nosso ponto de vista, já estávamos até cansados de enxergar as coisas como elas realmente são. Agora, pelo ponto de vista de Carrie, vimos que, pela primeira vez, pelo menos com um estado de lucidez maior, ela própria enxergou sua situação. Pôde de fato notar a decadência de seu estado de espírito através dessas pequenas coisas.

Isso é o passo mais importante para a melhora, abraçar a realidade e saber como dobrá-la. Carrie não sabe exatamente como fazer isso, mas ela não deixa de tentar. Sua vida agora é uma eterna fuga (mais uma vez, combinando com a situação de Brody), e o mundo está contra ela (de novo, assim como Brody). Só o fato de que uma pessoa com tantos problemas e tamanho problema mental ainda não tenha se matado e ainda tenha forças para encontrar uma saída é a prova de que, sim, Carrie é uma ótima personagem que continua lutando para sobreviver (por ela) e para continuar importante (por nós).

Se estiverem se perguntando como é possível eu passar as últimas reviews só reclamando da personagem e agora dedicar-lhe uma homenagem, pensem na resposta, que é a mais simples de todas: fomos enganados esse tempo todo, certo? Carrie não está curada, não está sã, não está em sua melhor forma, e sinceramente, talvez nunca esteja. Mas sua falta de rumo e propósito nunca fui gratuita. A equipe criativa de Homeland tinha por debaixo dos panos uma coisa especial. Não por ter sido uma boa reviravolta, mas por ter sido uma reviravolta única. Algo que não esperávamos, mas que não distorceu os parâmetros da série, mas reafirmou-os.

O relacionamento de Carrie e Saul sempre foi uma das partes mais queridas da série, e saber que os dois estavam confabulando o tempo todo enquanto achávamos que a amizade estava caindo em ruínas foi realmente algo muito bonito. A cena final entrou para a coleção impecável que Homeland tem de cenas finais espetaculares.

Homeland 3x04 (2)

O nome do episódio é exatamente o que podemos esperar de agora em diante. Quando tudo parecia perdido, na verdade, o jogo nunca fora abandonado. O cerne da história tomou forma novamente, e a maior prova disso foi que os side plots não tiveram relevância perto do estrondo que o plot principal apresentou. Até as cenas com a Dana não pareceram interessantes, mas isso se dá por fator de proximidade. E eu sou o maior (único?) defensor de Dana no mundo. Tendo isso de que no apartamento ao lado tem uma festa melhor em mente, é possível aproveitar o plot de Dana sem esperar muito. A cena com Leo no campo de treinamento dos soldados foi também uma prova de aceitação. Dana aceitou o pai nunca realmente ter voltado. Aceitou que a última vez que falou com o pai foi quando ele partiu. Quem voltou, pelo menos para ela, foi outra pessoa.

Game On foi justamente um episódio incrível por não ter apostado tudo no twist do final, tendo ele sido arquitetado com atenção para que o caminho até lá fosse igualmente aproveitável. Mas a nota máxima, na verdade, é graças ao final, sim. Por ele ter sido uma prova de que os personagens que nós tanto gostamos se mantém fiéis a si mesmos. Que Carrie e Saul continuam próximos e contando um com o outro e tramando em prol do bem. Que a série ainda mantém esse senso de familiaridade. Que Homeland parecia ter deixado de ser Homeland, mas Homeland nunca deixou de ser Homeland. E que, acima de tudo, eu me importo com tudo isso novamente.

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