Isso não envelheceu bem

Os anos se passam e aquele nosso filme ou série favorito podem ter se tornado um monstro. Aconteceu com você?

São tempos ótimos para ser fã de filmes e séries. A evolução da tecnologia permite o rejuvenescimento – muitas vezes inacredital – dos atores, cenas impossíveis, efeitos especiais e até animações sendo confundidas com live action

No comecinho dos anos 2000 tínhamos Neo e o agente Smith em uma luta incrível, com os dois voando e trocando golpes, ou mesmo o próprio Neo lutando contra centenas de clones do agente. Na mesma época, o Homem Aranha de Tobey Maguire enchia os olhos dos fãs. O realismo dessas cenas… bem, hoje não são nada realistas, mas na época era impressionante.

A qualidade da imagem, o nível de detalhes que as câmeras são capazes de captar e que os cineastas conseguem criar, isso tudo é fantástico. Muito do que um dia era possível apenas em filmes de animação, hoje dá para fazer. Talvez essa seja uma das razões pelas quais a indústria invista tanto em remakes. Mas certamente não é a principal.

As pessoas mudaram. Muito do que era comum antigamente, hoje não é mais aceitável. Já se tornou comum ouvirmos humoristas e comediantes reclamarem que “hoje em dia Os Trapalhões seriam censurados”. Bem, no tempo deles eles foram censurados, só que por outras razões.

De fato, muito do que eles fizeram foi genial naquele tempo, ajudou a formar o humor de muita gente. Ainda assim, aquele humor talvez já não tenha mais espaço para os dias de hoje. Na verdade, há críticas até mesmo para o humor violento de “Tom e Jerry” ou “Papaléguas e Coiote”. 

No início dos anos 1980, filmes como “Rambo: programado para matar” faziam todo o sentido. Veteranos da guerra do Vietnã voltavam para casa, sofriam preconceito e se ressentiam da falta de reconhecimento como heróis que acreditavam ser. Havia dificuldade de se reinserir na sociedade e ficavam marginalizados.

Filmes de ação, por mais de uma década, entregavam principalmente violência, tiroteios e explosões. Não precisava mais do que isso. Assim como filmes de terror, que só mostravam mortes bizarras e sustos. Qual o espaço para isso nos dias de hoje?

Quando remakes são anunciados, logo aparecem fãs do original apontando mudanças e tecendo críticas, incitando boicote: “desrespeito com o fã”. Imediatamente pipoca o argumento de que o original está lá, quem não gostar do novo, pode ficar com o velho.

Apesar disso, é engraçado perceber como nos condicionamos rapidamente. É difícil assistir a algum filme um pouco mais antigo e não o politicamente correto apitando o tempo inteiro. Piadas com gordos ou gays logo chamam a atenção. Mulheres sendo figurantes ou apenas expondo sua beleza fazem pensar. Você pode até rir, mas logo fica constrangido, pensando “ih, não pode rir não, isso é errado”. 

Assistir Married… with Children e ver Al Bundy dizer que as mulheres destroem a vida dos homens, a queridinha Friends, ridicularizando uma Monica gorda, ou mesmo Os Simpsons ironizando o sotaque indiano de Apu, isso tudo se tornou problemático.

No caso d’Os Simpsons a série fez questão de produzir um episódio apenas para dizer que não mudaria o personagem, que se era válido até outro dia, não deixaria de ser agora. Preferiam eliminar ele.

Acho que é importante ter em mente que todos esses filmes e séries antigos ajudaram a formar parte da cultura popular, mesmo que hoje já não sejam mais aceitáveis, faz parte. As novas produções estão mais adequadas, irão iluminar o caminho das novas gerações, mas é provável que um dia se tornem problemáticas também, e muito mais rápido.

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Thiago de Carvalho Rêgo

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