IT – Capítulo 2: Crítica

IT - Capítulo 2 encerra saga com trama desproporcional, mas atuações brilhantes.
IT - Capítulo 2
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Resumo

Vinte e sete anos depois dos eventos que chocaram os adolescentes que faziam parte do Clube dos Perdedores, os amigos realizam uma reunião. No entanto, o reencontro se torna uma verdadeira e sangrenta batalha quando Pennywise, o palhaço, retorna.

IT – A Coisa não foi apenas uma adaptação acertada da obra de King, mas um dos melhores filmes de terror de 2017, dado o enredo cheio de camadas e belos efeitos visuais.

A sequência, no entanto, decepciona em vários aspectos.

O retorno do Clube dos Perdedores a Derry é eficaz ao dar um ponto final ao enredo do primeiro longa e é bem interpretado. Mas falha ao tentar cumprir a promessa de uma trama de terror ambiciosa e densa, tal qual o antecessor.

O enredo é o mesmo do material de origem: 27 anos depois que os membros do autoproclamado Clube dos Perdedores derrotaram Pennywise, o vilão retorna e faz novas vítimas. Mike Hanlon (Isaiah Mustafa), O único que permaneceu na cidade, ainda se lembra do que o grupo viveu em 1989. Ao perceber sinais de que o palhaço assassino está volta, convoca os amigos para retornar à Derry e cumprir a promessa de destruir a Coisa de uma vez por todas.

Quase todos atendem ao chamado de Mike, e quando se reúnem pela primeira vez em Derry – na famosa cena do jantar no restaurante Jade Of The Orient – suas memórias começam a voltar lentamente. É a partir deste ponto que o Capítulo 2 desvia do charme do seu antecessor. Isso porque leva bastante (bastante!) tempo para chegar ao clímax, que envolve o Ritual de Chud (um teste bem sucedido para os efeitos visuais), perpassando por momentos longos e até desnecessários.

Foto: Warner Bros. / Divulgação

Mas é preciso ser justo: muitos desses problemas vêm do material de origem. A parte adulta no livro é um apêndice do que eles viveram na adolescência, que obrigou Andy Muschietti e o roteirista Gary Dauberman a ligar os pontos com flashbacks próprios. Embora permitisse que o elenco do primeiro filme ganhasse um boa fatia de tela individualmente no segundo, essa cenas repetem o que já sabemos desde o primeiro e tiram o senso de ação do presente.

Todos os perdedores estão presos em seu trauma pré-adolescente. Beverly se casou com um homem tão abusivo e agressivo quanto seu pai, Bill não consegue escrever histórias de terror com um final adequado, Richie casou com uma versão de sua mãe e trabalha como agente de riscos, e Mike está literalmente preso em Derry, o que até certo ponto atrapalha no desenvolvimento vital da trama.

Dito isso, a missão de IT – Capítulo 2 é encontrar o equilíbrio entre o passado e presente, enfrentando os traumas do que eles passaram em Derry, para seguir na vida adulta. Enquanto os perdedores não recuperam as memórias sobre a primeira experiência com Pennywise, o enredo não segue, o que torna o filme exageradamente longo, com memórias que pouco contribuem e parecem mais pedaços do antecessor do que genuinamente novos desenvolvimentos.

Apesar desses problemas, o elenco jovem e adulto entregam performances agradáveis e uniformes. O destaque é de Bill Hader como Richie, que canaliza e renova a versão mais jovem para mascarar seus medos e vulnerabilidades, com uma série interminável de piadas. Hader apresenta uma camada sutil à dor real por trás do comportamento sarcástico do seu personagem e a verdadeira pungência no segredo que ele ainda esconde. Os núcleos se sincronizam muito bem, com a exceção de Jay Ryan, cuja missão é de fato interpretar uma versão renovada do Ben, de Jeremy Ray Taylor.

Foto: Warner Bros. / Divulgação

Bill Skarsgard desempenha o papel de Pennywise tão bem quanto no primeiro longa, com tons de comédia e horror, de uma maneira totalmente distinta. Em Capítulo 2, o ator aparece menos, mas deixa a sua marca.

Muschietti aproveita para mostrar outras extensões da Coisa (afinal, já conhecemos bem o visual assustador palhaço), explorando a voz e a sensação que ele causa.

Capítulo 2 é muito mais “solto” que o primeiro, com bastante humor e diversas referências à obra de King (inclusive uma participação do próprio autor), mas que, as vezes, se torna uma distração para o enredo.

Padece com um tempo de exibição longo, que nem sempre usa esse tempo para sua melhor vantagem, mas é inegável a qualidade que Muschietti entrega para encerrar a sua produção de 2017. As performances, as imagens e a interação entre o primeiro e o segundo filme transformam a história épica de terror de King numa catarse emocional.

Assista ao nosso vídeo com curiosidades dos filmes e livros.

Sobre o Autor

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Leo Sousa

Séries de TV, filmes, realities shows, livros, música e mais. Editor no boxpop.com.br.

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