‘It – Capítulo Dois’ é mais emotivo e menos assustador

Mais emotivo, menos assutador
6/10

Resumo

Vinte e sete anos depois dos eventos que chocaram os adolescentes que faziam parte do Clube dos Perdedores, os amigos realizam uma reunião. No entanto, o reencontro se torna uma verdadeira e sangrenta batalha quando Pennywise, o palhaço, retorna.

O palhaço mais assustador da ficção está de volta para continuar sua matança desenfreada e aterrorizar criancinhas. Dado essa introdução nível sessão da tarde que abro a crítica de It – Capítulo Dois.

Antes vamos relembrar…

O primeiro filme é inteiramente focado no grupo de crianças de Derry, no estado de Maine (cidade fictícia do universo de Stephen King). Bill, Ben, Beverly, Richie, Eddie, Mike, e Stanley formam o ‘clube dos perdedores’. A pacata rotina da cidade é abalada quando crianças começam a desaparecer e tudo o que pode ser encontrado delas são partes de seus corpos. Logo, os integrantes do “Clube dos perdedores” acabam ficando face a face com o responsável pelos crimes: o palhaço Pennywise.

A continuação…

O Capítulo 2 avança 27 anos depois dos incidentes do anterior – da mesma forma que o material de origem. Cumprindo a promessa feita anos atrás, O ‘clube dos perdedores’ – agora adultos – voltam a Derry para terminarem o que começaram. A intenção agora não é somente deter ‘a coisa’, mas sim matá-la!

O roteiro de Gary Dauberman (Annabelle) da um protagonismo ainda maior à fase criança dos personagens no segundo filme, tão grande que soa quase desesperado, evoca uma sensação que as questões adultas não são tão importantes assim afinal, mas de qualquer forma esse artificio fica bem evidente no fechamento do filme, quase como uma autoafirmação que o que vimos até aqui nos levou a fazer essas coisas e amar essas pessoas, ou relembrar a plateia de que eles eram crianças e despertar o sentimento de afeto mais rapidamente, porque é mais fácil se preocupar com crianças, certo?

A construção de cada personagem é divertida de acompanhar e temos até uma espécie de nostalgia. Ainda assim, fica impossível não comparar o tempo de tela de suas fases crianças e adultas. Repeti-las com tanto tempo de tela parece mais do mesmo, não parece algo diferente, só interessante. Temos uma expectativa de ver mais as questões enquanto adultos, seus medos, seus lados negativos, ir a fundo e tudo mais. O filme permeia quase que superficialmente o crescimento dos personagens principais, quando você acha que agora vamos ver algo de concreto ele aperta o freio e nos mostra mais um flashback fofo.

A missão de IT – Capítulo 2, na verdade, é encontrar o equilíbrio entre o passado e presente, enfrentando os traumas do que eles passaram em Derry (e os seguiram na vida adulta). Enquanto os perdedores não relembram a primeira experiência com Pennywise, o enredo não segue, o que torna o filme exageradamente longo, apenas apresenta memórias desenterradas que pouco contribuem, e parecem mais pedaços do antecessor do que genuinamente novos desenvolvimentos.

Apesar desses problemas, o elenco jovem e adulto entregam performances agradáveis e uniformes. O destaque é de Bill Hader como Richie, que canaliza e renova a versão mais jovem para mascarar seus medos e vulnerabilidades com uma série interminável de piadas. Hader apresenta uma camada sutil à dor real por trás do comportamento sarcástico do seu personagem e a verdadeira pungência no segredo que ele ainda esconde. Os núcleos se sincronizam muito bem, com a exceção de Jay Ryan, cuja missão é de fato interpretar uma versão renovada do Ben de Jeremy Ray Taylor.

Menos assustador, mais amizade

Uma das coisas do terror contemporâneo são os famosos jumpscares, artifícios utilizados para despertar uma reação da plateia, muitas vezes esses sustos são apenas uma forma de chamar atenção, e infelizmente esse foi o caminho que o a continuação de IT seguiu.

Muitas cenas usam dessa fórmula, mas esquecem de trabalhar o terror, o que não é muita desculpa, afinal, o filme tem quase 3 horas de duração – tempo mais que suficiente para trabalhar a atmosfera de horror, como vimos no primeiro filme. O multiverso do Stephen King é tão vasto e rico de detalhes que fica confuso pensar que não foi bem aproveitado, aliás, uma das cenas mais legais do filme, que passa essa atmosfera desesperadora foi divulgada antes do filme, onde se cresceu uma expectativa de que de alguma forma a continuação superaria o anterior, mas a história é outra. É um pouco triste pensar que desperdiçaram a melhor cena a divulgando.

Veja a cena abaixo:

OBS: A cena pode ser interpretada como um spoiler, mas nada que afete sua experiência. Se quiser ter uma experiência totalmente nova, recomendo que não assista.

As cenas viscerais e mais gores estão presentes mais fortemente na produção, o que enriquece ainda mais e pode ser um apelativo positivo na obra de horror. Pennywise agora alimenta a sua sede de vingança e está mais violento e impiedoso que nunca, vemos isso de forma clara no decorrer do filme, no qual temos mortes graficamente violentas que nos fazem ter ainda mais medo desse personagem. Da forma que a narrativa é construída temos muita ação do começo ao fim, sempre tem algo interessante de se acompanhar.

Se por um lado ele é menos assustador em comparação com o primeiro, ele também se torna uma personificação de amizade. Isso deriva do filme anterior e se mantém firme nesse, com um sentimento ainda maior de união. Depois de ver esse filme, com certeza você vai querer fazer parte do ‘clube dos perdedores’.

Mais dúvidas do que respostas

Esse foi o pulo do gato na produção, nem tudo é totalmente respondido. A origem da Coisa não fica clara, somente parte da sua mitologia é explicada. Somente o necessário para o fechamento desta trama foi utilizado do universo do Stephen King. A mitologia que envolve a cidade foi pouquíssimo explorada, o que poderia explicar alguns comportamentos dos seus habitantes, ou a rede de esgotos… Mas isso deve ser uma tática do estúdio para ter mais material para futuros filmes sobre a entidade.

Conclusão

O filme cumpre seu papel de fechar a história e faz isso de forma justa e grandiosa, o desfecho é um show de efeitos especiais e ação. O filme em si entretêm do começo ao fim e consegue entregar um horror gore, não como sua primeira parte, mas de forma diferente, talvez em menos intensidade de terror, mas com mais coração. É um desfecho emocionante. Vale a pena ir e conferir o filme que vai arrancar alguns calafrios.

Com roteiro de Gary Dauberman e direção do Andy Muschietti ‘It – Capítulo Dois‘ chega as cinemas em 5 de setembro.

Sobre o Autor

Guilherme Comim

Guilherme Comim

Uma mistura de gatos fofinhos, comidas, filmes e séries em uma pessoa só

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