“Loka”: as patroas do Brasil juntam forças para unir tribos

Sempre tem aquela amiga disposta a ficar Loka contigo, né?

Loka é o tipo de música que assim quando sai a gente já fica ansioso pra ir pra primeira festa que aparecer, só pra poder dançar muito com os amigos. É um reggaeton que vai ficando lento até dar uma virada de sanfona que joga a gente num sertanejo dançante. É bom demais pra ser verdade.

Ainda é a primeira semana de janeiro, mas as patroas Simone, Simaria e Anitta largaram na frente na corrida pelo hit de carnaval. E o público respondeu bem: com apenas 8 horas de lançamento, o vídeo de Loka já era o primeiro lugar do YouTube, com mais de 1 milhão de visualizações. No Itunes Brasil, a música já está em quarto lugar.

Tanto as coleguinhas quanto a rainha do funk pop se deram bem na parceria: Anitta tem estado em conexão com artistas de vários estilos, ampliando o alcance de sua arte e buscando novos públicos, numa tentativa de universalizar sua música — missão que não é nada fácil. Não é a toa que até no Villa Mix ela já tocou.

O sertanejo, gênero mais rentável do país, conquistou um status tão elevado e abrangente com o sucesso da santíssima trindade da sofrência Marília Mendonça, Simone & Simaria e Maiara & Maraisa que até os amantes de pop (como os fãs da Anitta) e os pseudo-cult (os haters de tudo isso) se renderam. Elas roubaram o espaço da mulher empoderada do pop e do funk e isso não passou batido pela visão de mercado apurada de Anitta e de sua gravadora.

Ensinando como se faz

Com Loka, a Universal Music vislumbra a possibilidade real de fazer Anitta bombar nas casas de sertanejo com aplauso dos “baladinhas top”. E de fazer Simone e Simaria entoarem performances coreográficas em festas LGBT.

Essa tem sido a prioridade da indústria musical a um tempo, no Brasil e no mundo: unir tribos. Logo, a jogada foi de mestre. A mescla de ritmos é fundamental para a quebra de preconceitos culturais e ver que dois grandes nomes do mainstream estão dispostos a se arriscarem musicalmente por esse desejo é animador.

A história da mulher que supera o chifre enchendo a cara na balada e dançando de camiseta molhada enquanto carros pegam fogo é irresistível. Mais do que companheirismo comercial, a música é um diálogo sobre a importância das mulheres se apoiarem — seja pra bombar uma música ou pra esquecer o boy que não tem futuro.

É um hino que qualquer um pode se identificar, versando sem pretensão poética sobre a importância de ter uma amiga que está sempre preocupada e disposta a virar algumas doses e dançar contigo até o chão só pra deixar o seu dia melhor. Imagina como a gente ia tá ferrado na vida se não fosse essa amiga que é homenageada na música?

Deixando claro pro miserável o que ele tá perdendo

O resultado não é ousado, mas sim perfeitamente equilibrado. Sem pender demais para um ritmo ou outro, a sonoridade é palatável na medida certa para ambos os públicos, sem assustar nem um nem outro. A única coisa que faltou foi uma dancinha babadeira no nível de Bang no clipe.

De resto, é um musicão que vai deixar geral rebolando, se esfregando, se libertando e mandando indiretas na balada. Tinha como 2017 começar melhor?

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