Lost: O Principal das Seis Temporadas

O corpo nem esfriou e eu ja estou aqui fazendo a linha carniceiro, certo? É, é isso mesmo! Mas vou ser sincero, quando o projeto do Box começou, e ainda era Box Fechado, a gente morria de ansiedade para poder falar de Lost. Esperei esse dia chegar como nunca. Mal prevía as próprias mudanças no projeto… Hoje, se bobear, até evito entrar na discussão mais viva e polêmica da semana. Mas se a coluna Box Fechado hoje é minha, nada mais justo do que escrever sobre Lost. Semana que vem é a Ana, será que rola 24 horas? rs

Antes de lançar o podcast Lost: For Dumies (S03E04), preparei uma recapitulação. Como a série não havia acabado, parei onde podia. Agora vim terminar o que comecei e você pode ler abaixo o principal de todas as temporadas. Não se trata de uma resolução de perguntas que ficaram no ar. É apenas uma recap mesmo. Se quiser relembrar, continue conosco!

Em 2004, durante a ComicCon, o episódio piloto de uma série estranha foi apresentado e ele teve buzz imediato. Esta era uma das primeiras sinalizações do efeito ‘internet’ em relação a um forte produto de TV. Os fãs de ficção científica simplesmente ficaram de cabelo em pé com o que viram, já se perguntando “O que é esta ilha?” e “O que está acontecendo?”. A primeira pergunta se mantém até hoje. A segunda, para alguns. Muita coisa aconteceu no decorrer destas seis temporadas e com isso uma nova maneira de ver televisão.

De 2004 para 2005 acompanhamos a primeira temporada dos tais perdidos na ilha misteriosa. Pode-se dizer que o primeiro ano basicamente nos apresentou aos personagens e aos mistérios principais. Entre eles o tal monstro de fumaça, o navio Black Rock, e o fato de que há algo de estranho em termos exatamente aquelas pessoas envolvidas na queda do fatídico vôo 815. A estreia disso tudo se deu no dia 22 de setembro de 2004 e a história contada na TV começa também neste dia.

Os primeiros 25 episódios da história nos expõem a uma aventura misteriosa. Calmamente nos acostumados a ver surgir um número impressionante de perguntas a medida que cada capítulo nos é dado. O vôo 815 da Oceanic Airlines caiu na costa de uma ilha até então deserta, totalmente misteriosa. O acidente de proporções terríveis teve porém alguns sobreviventes, o que forçou tal grupo de estranhos a se manterem juntos se quisessem continuar vivos.

No entanto, sobreviver naquela ilha seria muito mais difícil do que simplesmente buscar por água e comida. Há o que todos acreditam ser um monstro, além de aparições de mortos e uma escotilha enigmática, isso sem contar a existência dos “outros”. Ainda neste primeiro ano, os sobreviventes liderados por Jack (Matthew Fox) descobrem que um dos seus não é quem parece ser, além de encontrar uma francesa considerada louca.

Mas além do lado funesto, a ilha tem também coisas boas: uma delas é o fato de que John Locke (Terry O’Quin) agora pode andar. Antes de cair na ilha ele era paralítico. Há um ar de mistério que cerca o personagem, mas não só ele. Todos têm sua porção de enigma, como é o caso de Kate Austen (Evangeliny Lilly), assassina de seu padrasto que conseguiu fugir de seu destino ao cair na ilha.

É por ela que Jack nutre certa afeição, o que acaba ficando complicado por conta do envolvimento de James Ford, a.k.a. Sawyer (Josh Holloway), o loirão que deixa Kate balançada. Aliás, vale deixar claro que não foram apenas pessoas aleatórias que caíram na ilha. Tivemos ainda Michael (Harold Perrineau) e seu filho Walt (Malcolm David Kelley), além dos coreanos Jin (Daniel Dae Kim) e sua esposa Sun (Yunjin Kim), que aparentemente nem inglês falavam quando chegaram por lá.

A quantidade de personagens no elenco da série é um dos agregadores principais de dúvidas àqueles que acompanham a trama, afinal a cada episódio acompanhamos um pouco do passado destes personagens antes de caírem na ilha, o que ajuda a desenvolvê-los e aprofunda a trama.

Como havia dito, eles não estavam sozinhos. Um personagem-chave para os primeiros anos da série foi fundamental para a tensão dos primeiros capítulos e ela se chamava Danielle Rousseau (Mira Furlan). Sobrevivente de outro acidente, Rousseau resistiu a um naufrágio que aconteceu 16 anos atrás junto com sua equipe agora morta. Segundo ela, todos foram infectados. Restaram apenas ela e sua filha, abruptamente sequestrada — sabe-se lá por quem.

Rousseau foi encontrada por Sayid (Naveen Andrews), um ex-guerrilheiro iraquiano que ainda vive assombrado pelas torturas que cometeu durante seus tempos de guerra. Sayid encontra um cabo na praia, e ao seguí-lo se depara com a francesa, que o sequestra e então conta sua história. O interessante de Rousseau é que a personagem fez um contra-ponto com Claire (Emilie de Ravin), a australiana que chegou à ilha grávida, cujo bebê poderia ser a chave de todo o mistério da ilha.

Aliás, as crianças pareciam ter papel fundamental na trama de Lost desde o primeiro ano, afinal algumas dúvidas passam a envolver o filho de Claire, Aaron, que acaba sendo sequestrado futuramente, assim como sua mãe foi por Ethan, até então considerado passageiro do mesmo vôo, porém os Losties descobrem que este não é o caso e ele foge levando Claire consigo. Mas logo tudo se resolve (por algum tempo) e Claire, ainda que atordoada, acaba voltando para o acampamento e Charlie (Dominic Monaghan), o roqueiro em recuperação acaba se aproximando dela, o que torna muito mais fácil a tomada da figura paterna quando seu filho nasce.

É na busca por Claire que John Locke, com ajuda de Boone (Ian Somerhalder), descobrem uma escotilha. Com ajuda de Rousseau, Locke consegue dinamite para explodir a entrada vedada do tal esconderijo, mas um acidente torna impossível Boone dividir a descoberta com o careca. É a explosão da escotilha que deixa o final do primeiro ano da série mais tenso do que qualquer episódio apresentado até então, isso combinado ao rapto de Walt por quatro desconhecidos durante a fuga da criança com seu pai e Sawyer, em uma jangada construída por eles.

A segunda temporada temporada (24 episódios) começa quando os perdidos finalmente têm acesso a escotilha misteriosa, descobrindo que há um homem vivendo dentro dela, Desmond (Henry Ian Cusick), que há anos vem digitando códigos num computador durante um certo intervalo de tempo. Tudo com o intuito de conter uma forte energia magnética que poderia acabar com a vida de todos em caso de vazamento. À partir daí um tema se torna forte em praticamente todas as discussões envolvendo os personagens: o conflito entre fé e ciência representado respectivamente por John Locke e Jack Shepherd.

Desmond foge da escotilha e cabe aos Losties que acreditam em sua história continuar digitando os tais códigos a cada intervalo de 108 minutos. Através das descobertas no interior da escotilha passamos cada vez mais a ter acesso à Iniciativa Dharma, braço da Fundação Hanso que parece exercer algumas experiências na ilha. Isso explica não só a existência desta escotilha, mas também a de inúmeras outras espalhadas pela ilha — logo sabemos que elas servem como laboratórios para os mais diferentes tipos de pesquisas. É também neste segundo ano que somos apresentados a um novo grupo de sobreviventes, os que estavam na cauda do avião e acabaram jogados em outra praia.

Entre os tais novos sobreviventes está Ana-Lucía Cortez (Michele Rodriguez), Bernard (Sam Anderson), Libby (Cynthia Watros) e Mr. Eko (Adewale Akinnuoye-Agbaje), que foram confusamente denominados como ‘Os Outros’, afinal logo depois somos apresentados aos verdadeiros outros, ou ‘Outros Outros’, liderados por Benjamin Linus (Michael Emerson), que em sua primeira aparição se denomina Henry Gale.

Enquanto isso os computadores da estação Cisne, nome originalmente dado à escotilha, não são usados apenas para digitação de códigos. Quer dizer… Isso até Michael iniciar diálogos via chat com quem acredita ser seu filho Walt, anteriormente raptado. Michael sai em busca do filho e acaba encontrando-o no acampamento dos outros, que prometem devolver a criança caso ele liberte o tal Henry e lhes traga Jack Shephard, Kate Austen, Hugo Reyes (Jorge Garcia) e James Ford.

Michael retorna com um plano, mas nada dá certo. Ele mata Ana Lucía e acidentalmente Libby. Henry é libertado e Michael atira em seu próprio ombro para ter um álibi. Assim todos acreditam que Henry fugiu após atirar nele e matar as duas mulheres. Michael lidera então o grupo que perseguiria o fugitivo assassino. É assim que ele entrega os quatro amigos para os outros e foge com Walt para fora da ilha.

Em uma crise de fé, Locke acaba implodindo a escotilha e isso muda aspectos da série em definitivo, tendo Desmond sendo exposto a uma enorme quantidade de energia magnética. Fora da ilha, próximo ao pólo norte, dois homens captam uma anomalia magnética e ligam para Penelope Widmore passando tal informação. Logo descobrimos que ela é a antiga namorada de Desmond, filha de um Magnata que possui ligações misteriosas com o local onde os perdidos estão.

Já na terceira temporada (23 episódios) chega a hora de entrar a fundo no cotidiano dos outros. Jack, Sawyer e Kate foram mesmo capturados pelos capangas de Ben e agora são mantidos como refém em jaulas separadas, que anterioremente serviam para pesquisas envolvendo animais.

As jaulas estão no acampamento dos outros e justamente por conta disso somos apresentados ao modo de vida do grupo. É então que descobrimos que até mesmo os ‘outros outros’ sofrem divisões. Há um acampamento com membros afastados desse time, o que não tem motivo esclarecido logo de início, formando mais um dos mistérios de Lost.

Passamos a perceber que as escotilhas espalhadas pela ilha são estações de experimentação da Dharma, uma instituição que está a par dos efeitos sobrenaturais da tal ilha. Tudo nos é apresentado à partir da visão deste povo que já vivia por lá antes mesmo da queda do avião, como a personagem Juliet (Elizabeth Mitchel) que mais tarde se envolverá numa espécie de ‘quadrado amoroso’ envolvendo Sawyer, Kate e Jack.

Além disso temos o lado mítico de um Desmond clarividente se desenvolvendo, por conta da tal exposição à explosão magnética. Será? O personagem passa a sofrer alucinações que logo são explicadas. Ele passa a prever acontecimentos, como a morte de um dos personagens principais e a possibilidade de resgate do grupo. De início ele soa como um profeta.

Além de Juliet, a temporada incluiu vários novos personagens como o brasileiro Paulo, interpretado por Rodrigo Santoro, além de Naomi Dorrit, uma paraquedista que veio a ilha procurar Desmond. Mas Juliet é a personagem de destaque em definitivo, afinal ela é a médica trazida para a ilha para pesquisar o motivo da morte de todas as grávidas que viviam ali. Isso ganha importância porque descobre-se que Sun está grávida de Jin, que até então era estéril.

Em paralelo, Ben e Locke acabam criando um vínculo quase que doentio. O primeiro leva o segundo para conhecer Jacob, entidade misteriosa que poderia pôr fim aos mistérios da ilha. Ao chegar em sua cabana, Locke não consegue vê-los mas pôde escutá-lo pedindo por ajuda. Por conta disso, Ben tenta matar Locke (pela primeira vez). A situação coloca a liderança de Ben em dúvida entre todos aqueles que o seguiam.

É no final deste ano que Jack faz contato com um navio cargueiro enviado por Widmore, tudo isso após o sacrifício de Charlie, que havia se prontificado a visitar a estação espelho da Dharma — esta ficava em alto mar e cortava o sinal de comunicação da ilha com o exterior. Lá Charlie descobre algo terrível, mas nada poderia fazer para ajudar seus amigos. Cabe a ele apenas avisar: a equipe do cargueiro não é o que todos pensam ser. O contato com o tal navio é estabelecido. Todos esperam ser resgatados por este. Um chocante season finale revela que alguns dos sobreviventes realmente saíram da ilha mas que algo acima do compreensível os fará voltar para resolver pendências. É aí que temos o primeiro flashforward — vislumbre do futuro dos personagens.

É na quarta temporada que temos bruscas mudanças na série. A greve dos roteiristas acontece em Hollywood, tendo a história de Lost prevista para um número exato de episódios, no caso 16. Os produtores anunciam que a série se encerrará no sexto ano e o clima de encaminhamento ao final parece ficar cada vez mais forte entre a audiência. Pela primeira vez Lost estreia no mês de janeiro. Como a greve dura mais do que foi previsto, os iniciais 16 episódios foram convertidos a quatorze, o que é compensado no ano posterior, agregando dois novos capítulos na história.

Este é talvez um dos anos mais planejados pelos escritores da série, agregando mais suspense à trama. Com o encerramento do terceiro ano alterando a linha de tempo, agora somos apresentados a uma narrativa totalmente diferente da que nos acostumamos a ver. Lost não traz apenas o passado de seus personagens, mas também lances de seu futuro — os tais flashforwards. Acompanhamos então a vida daqueles que saíram da ilha (Kate, Jack, Hurley, Aaron, Sun e Sayid), os Oceanic Six.

A série passa então a mostrar o passado, o presente e o futuro, sendo os dois primeiros dentro e fora da ilha. No presente temos o navio cargueiro estabelecendo contato com os sobreviventes, sendo que sua equipe realmente não era quem parecia ser. Com o pessoal do cargueiro, recebemos novos personagens como o estudioso Daniel Faraday (Jeremy Davies), a geóloga Charlote (Rebecca Mader), o piloto Lapidus (Jeff Fahey) e o paranormal Miles (Ken Leung).

Mas o grande mistério é descobrir quem são os seis que saíram da ilha e como isso aconteceu. Parece bizarro quando lembramos, mas é isso mesmo. No começo sabemos que um grupo de seis pessoas saiu da ilha, porém não temos certeza quais e quem são no total. Isso até o season finale que nos mostra a fuga no helicóptero pilotado por Lapidus. O cargueiro é explodido e Ben consegue mover a ilha de lugar, sendo enviado para o meio do deserto. Com os Losties fora da ilha, os flashforwards cessam e passamos a acompanhar cada um deles no tempo presente, só que fora da ilha. Mas antes do tempo na ilha se tornar o mesmo fora dela, descobrimos que John Locke morreu fora dela. Mas como isso aconteceu, continua um mistério.

Na quinta temporada Jack está a frente de todos, além de Ben, tentando fazer com que os seis da Oceanic retornem para a ilha por algum motivo ainda não explicado. As viagens do tempo são tratadas talvez como o mote principal da história. Os sobreviventes que ainda estão na ilha passam a experimentar essas viagens ativados por Ben, ao girar a tal manivela que o transportou para fora da ilha — o que acionou um mecanismo que altera a posição da ilha no tempo e no espaço. Jin, que estava no cargueiro, sobreviveu a explosão. Descobrimos como Rousseau chegou à ilha, enquanto Ben se torna um personagem muito mais ambíguo do que já era.

Kate, que estava fora da ilha, está com problemas em relação a Aaron, o filho de Claire que ela levou embora. Alguém está tentando tirar o garoto dela, o que acaba sendo revelado como uma armadilha de Ben na tentativa de fazê-la voltar para a ilha. Com o mesmo intuito, Locke parte em missão. É então que começamos a perceber melhor as relações entre o pessoal do cargueiro com os da Iniciativa Dharma.

Locke é assassinado por Ben em Los Angeles e o motivo não fica claro. Os sobreviventes que viajavam no tempo agora estão estabelecidos na década de setenta, onde fazem parte da Iniciativa Dharma e Ben é uma criança. Os flashs no tempo pararam de acontecer. No presente, Sun encontra Frank Lapidus e Ben. Todos formam um plano para voltar para onde nunca deveriam ter saído e isso envolve a queda de mais um avião, desta vez da empresa Ajira — com a ajuda da misteriosa Eloise, que calcula o momento exato em que o vôo deveria acontecer para que os losties pródigos encontrassem a ilha no tempo atual. Ao que parece ela conseguiria determinar quando exatamente a ilha, em constante viagem no tempo e espaço, aportaria em nossa realidade e possibilitaria a chegada de novos e clássicos personagens na ilha, incluindo o corpo de John Locke.

Somos então levados cada vez mais a acreditar que a ilha serve de cenário para o embate entre o bem e o mal, sendo um deles representados por Jacob, figura enigmática que nos foi apresentada por Ben como o líder dos outros, tendo Richard Alpert, o homem que nunca envelhece, como porta voz. É no final deste ano que conhecemos a figura física do contraponto de Ben, até agora chamado de Homem de Preto. É ele quem tenta enganar Ben, materializando-se como John Locke fazendo o cara matar Jacob. E já que citamos Ben, vale dizer que o Sayid da década de 70 tenta matá-lo, mas acaba levando um tiro.

Ilana, Bram, Lapidus e os seguidores de Jacob que estavam no vôo da Ajira mostram a Richard, Sun e aos Outros que o verdadeiro John Locke está morto. A temporada se encerra logo após o assassinato de Jacob, culminando com Juliet explodindo uma bomba de hidrogênio de acordo com o plano de Jack, isso obviamente durante a década de 70. O plano é de que se a ilha fosse destruída nos anos 70, o vôo 815 nunca cairia por lá.

A bomba explode, todos são arremessados novamente ao tempo presente, e é aí que começa o último ano da série. O season finale é marcado pelo simbólico fundo branco com o letreiro de Lost em preto, notoriamente contrário ao que nos acostumamos a ver nos últimos cinco anos, representando talvez o quanto tudo havia mudado.

Hoje não temos dúvidas disso. Se o branco representa a luz, ali já havia um sinal. No sexto ano, enquanto vemos todo o elenco reunido no tempo presente, acompanhamos os tais flashsideaways, onde a ilha está afundada e o vôo 815 nunca caiu — mesmo assim todos parecem estar ligeiramente vinculadas aos acontecimentos da ilha. Claire é ainda uma fugitiva, Sayid não resolveu sua culpa quanto ao fato de ter sido um torturador, Sun e Jin formam um casal, mas o pai da coreana não pode nem sonhar com isso, entre outros exemplos. Mas nenhuma vida foge tanto à original do que a de Jack, que agora é pai.

Voltando à ilha, temos uma sequência inexplicável de episódios que nos levam a um templo onde os caras tentam salvar Sayid da morte, o que de fato acontece, mas o cara parece não ser mais o mesmo. A trama de sua sexta temporada se baseia no confronto entre Jacob e seu adversário. É claro que mesmo morto Jacob continua a aparecer na ilha dando dicas à Hurley, afinal a estas alturas a morte nunca foi um empecilho em Lost. As viagens no tempo deixaram de acontecer e somos levados a crer que isso é resultado da explosão da bomba de Juliet, plano que deu certo em partes.

Descobrimos que o antagonista de Jacob é realmente o monstro de fumaça, seu irmão gêmeo que nasceu em tempos ancestrais após sua mãe grávida sobreviver a um naufrágio. Uma personagem misteriosa a auxilia a parir as crianças e logo depois a mata. A falsa mãe parece preparar os meninos para que eles um dia possam herdar sua responsabilidade, a de proteger uma fonte de luz misteriosa e de poderes sobrenaturais que no final das contas acaba sendo a responsável por todos os fenômenos inexplicáveis que aconteciam na ilha.

O problema é que Jacob e seu irmão Samuel (nome revelado pela colunista do E!, Kirsten dos Santos) têm comportamentos muito contrários. Enquanto Jacob confia em sua suposta mãe, seu irmão é curioso e quer descobrir o que há fora da ilha. O irmão de Jacob abandona sua família e ambos crescem separados. Jacob se torna oficialmente o protetor da fonte. Samuel continua tentando sair dali, porém sua falsa mãe está determinada a fazê-lo ficar. Em uma discussão com o já adulto Samuel, este acaba matando-a.

Jacob, furioso, vai atrás do irmão. O embate se dá diante da fonte de luz misteriosa. Jacob nocauteia seu gêmeo, que cai desacordado dntro da fonte e se torna a tão falada fumaça negra que durante todo o sexto ano passa a maior parte do tempo sob a forma de John Locke — isso explica a aparição de diversos mortos durante as temporadas anteriores, afinal o monstro de fumaça pode tomar a forma deles. Charles Wildmore, pai de Penny e antigo ativista Dharma, chega na ilha em um submarino. Desmond, que havia saído da ilha anteriormente, é trazido de volta nele.

O antigo morador da escotilha parece ter papel fundamental para a trama, ao que tudo indica. Widmore testa as capacidades do mesmo colocando-o dentro de um aparelho gigante que o bombardeia com ondas de eletromagnetismo. Desmond sobrevive, provando que estava apto para seu destino. O fantasma de Jacob se encontra com os Losties e avisa que um deles deverá o suceder na tarefa de proteger a ilha.

Jack assume a tarefa e leva Desmond consigo rumo a fonte misteriosa. No caminho ambos deparam-se com o monstro de fumaça, que está disposto a tudo para fugir dali. O desafio está lançado. Jack, Desmond e o falso John Locke seguem até a fonte onde Desmond é levado a literalmente remover uma rolha que liberaria outra gigante massa de energia magnética que o deixa desacordado. A ilha entra em pane e o falso John Locke perde seus poderes, passando então a ter a forma que estava naquele momento.

Em uma luta num penhasco próximo ao barco que levaria o monstro de fumaça ao avião da Ajira, este consertado por Miles e Lapidus, o falso Locke acaba levando um tiro de Kate, mas é Jack quem o mata, jogando-o penhasco abaixo. Jack e Kate assumem o amor que sentem um pelo outro, mas eles não podem ficar juntos. Jack precisa reverter o que Desmond havia feito para assim Kate, Sawyer e os outros fugirem dali.

Hurley e Ben decidem voltar com Jack, que encontra Desmond ainda vivo na caverna. O amor de Penny é resgatado e Jack atinge seu objetivo. Hurley e Ben passam então a serem os protetores da ilha, sabe-se lá até quando. Jack não resiste aos ferimentos da luta contra seu rival e morre exatamente no mesmo local onde acordou quando caiu na ilha.

À partir daí somos apresentados ao que explica a realidade alternativa onde todos estavam felizes, uma espécie de Limbo criado pelas consicências ou espíritos dos sobreviventes do vôo 815, mesclando suas dúvidas, incertezas e inseguranças a conceitos metafísicos e religiosos que nem todo mundo entende apenas assistindo o episódio. Um lugar onde o tempo não existe e nem se faz necessário, mas onde todos se encontram após o fim de suas existências únicas quebrando o estigma do live together, die alone — Ali, até então, a história da ilha nunca existiu e todos simplesmente tocaram suas vidas estando, de certa forma, conectados.

Mas é a conexão física entre eles, representadas pelo toque entre um e outro assim como a vivência de experiências similares ao que se passou na época mais importante de suas vidas (a época na ilha) que os faz lembrar de que um dia eles se conheceram e passaram pelo que passaram. Mas ali eles estão juntos, livres do mal, mas aptos a seguirem adiante e em paz pois já não eram como haviam chegado na ilha — nas palavras de Jacob, fudidos sozinhos!

Assim acaba Lost, goste você… ou não.

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