Madonna e a grandiosidade de Like a Prayer

Polêmico, grandioso e, definitivamente, um dos melhores álbuns da carreira de Madonna, entrando facilmente em qualquer lista do tipo.

Em 1989, Madonna já era um nome consolidado na indústria musical e, claro, já tinha algumas boas polêmicas em seu currículo, como a inesquecível performance de Like a Virgin no VMA de 1984, onde desce de um bolo, vestida de noiva, rola no chão e simula sexo no palco, além da letra de Papa Don’t Preach, do álbum True Blue, que fala sobre uma jovem grávida e que pretende ter seu bebê, pedindo para que seu pai a compreenda e apoie.

Polêmico, grandioso e, definitivamente, um dos melhores álbuns da carreira de Madonna, entrando facilmente em qualquer lista do tipo. Com um leve toque rocker e gospel, foi em Like a Prayer, lançado em 21 de Março de 1989, que ela amadureceu musicalmente, deixando para trás aquela imagem de garotinha, implantada nos primeiros dois álbuns, Madonna e Like a Virgin, mostrando ser uma contestadora nata.

Confira a review do BOXPOP para o álbum que é, indiscutivelmente, uma das maiores obras-primas da Rainha do Pop e do mundo da música.

Like a Prayer— Música que dá início ao álbum de mesmo nome, começa com um solo de guitarra e o som de uma porta batendo. Temos Madonna cantando com um coro de igreja e, com certeza, esta é uma das melhores músicas de sua carreira, além de ser uma das mais famosas e o ponto alto de seus shows, já que o público inteiro canta em alto e bom som. O clipe da música fez bastante polêmica na época, devido as cenas em que Madonna beija um santo negro e dança com várias cruzes em chamas no fundo, o que fez com que a Pepsi, pressionada por religiosos que ameaçaram boicotar a marca, cancelasse o contrato deles com ela, já que patrocinariam a vindoura Like a Prayer World Tour, e o comercial dela para eles, ao som da música. A quebra de contrato rendeu à Madonna 5 milhões, parece vantajoso não? A música tem um verso que gruda na cabeça e, sem dúvidas, é uma das mais emblemáticas de sua carreira. ❤

Just like a prayer, your voice can take me there, just like a muse to me, you are a mystery, just like a dream, you are not what you seem.”

Madonna Like a prayer shoot 2

Express Yourself — Um hino ao empoderamento feminino, é o mínimo que se pode dizer da excelente Express Yourself. Aqui, Madonna canta sobre como ser amada e valorizada é melhor do que “anéis de diamante, ouro 18 quilates e carros chiques e velozes” e que os homens devem se expressar e mostrar que o amor deles é verdadeiro, além de que devem colocar as mulheres no alto e faze-lás se sentirem como uma rainha no trono. Uma coisa é certa: Madonna é rainha, tem seu trono a mais de 30 anos e desde sempre empodera as mulheres, mostrando que não são inferiores aos homens e que não devem ser julgadas como tal. Amo esse girl-power da nossa velha amada.

Love Song — Muitos não gostam dessa música e a elegem como a pior do álbum, sendo que esse posto cabe a Dear Jessie, mas a verdade é que ela é bem gostosa de ouvir e os vocais de Madonna e Prince combinaram e teria sido ótimo ouvir mais parcerias dos dois, além de vermos a suposta Royalty Tour. Aqui, temos a rainha e o príncipe cantando sobre as dúvidas em um relacionamento. Seu parceiro está sendo apenas gentil e fazendo você desperdiçar seu tempo, quando poderia estar com alguém que te valorizasse mais? Vale lembrar que Madonna sampleou a música no hino Hung Up, do excelente Confessions on a Dance Floor. Para quem não sabe, foi de Love Song que saiu o verso ‘’time goes by so slowly for those who wait’’. Ainda assim tem quem diga que a música é ruim, não dá pra defender.

Till Death Do Us Part — Aqui, Madonna canta sobre o fim de seu casamento com Sean Penn e é curioso notarmos como o instrumental alegre difere bastante do conteúdo da letra, que diz sobre como o tempo, e a sorte, deles está acabando e como ela gostaria que ele mudasse. O casamento de Madonna e Sean foi turbulento, ele era agressivo com os paparazzi e é fato conhecido que ele agrediu Madonna e, inclusive, chegou a colocar a cabeça dela dentro de um forno ligado.

Madonna exorciza os demônios de seu casamento, o que, curiosamente, rende uma das músicas mais divertidas do álbum devido a seu instrumental alegre, que é delicioso de ouvir.

Promise To Try — De longe, a música mais emocional do álbum e uma das mais autobiográficas de Madonna.

Acompanhada de um piano, ela canta sobre a perda precoce da mãe, já que ela tinha apenas 5 anos quando a mãe faleceu devido a um câncer de mama, e como foi difícil aceitar isso, ser forte e tentar se lembrar dela. No documentário Na Cama com Madonna, a música está presente em uma cena verdadeiramente tocante, com Madonna deitada do lado do túmulo da mãe e sua voz em off, falando sobre como foi difícil perde-lá, enquanto a música toca ao fundo. Bela e emocionante, uma das melhores do álbum.

Madonna Like a prayer shoot 5

Cherish — Admito, não é uma das minhas favoritas e parece resto do True Blue, mas é gostosinha de ouvir. Madonna canta sobre como adora seu amado e como deseja que o cupido acerte a flecha nela e nele, para que ele a ame também. Mais True Blue que isso impossível.

Dear Jessie — Mais uma música à la True Blue, porém extremamente inferior a divertida Cherish. Música com um toque bem infantil e que, provavelmente, foi inspiração para a doceira Katy Perry em seu sonho adolescente.

Sem dúvidas, poderia ter sido unreleased pra dar espaço à excelente Supernatural, que ficou com o posto de B-side do single de Cherish.

Madonna, eu te amo, mas assim não dá pra te defender.

Oh Father — Assim como Promise To Try, essa é outra música emocional e, enquanto a outra é um tiro, essa é uma facada. Madonna canta sobre o difícil relacionamento com seu pai, Silvio, após a morte da mãe.

Keep It Together — Música de encerramento da famosa e bem sucedida Blond Ambition Tour, originada pelo Like a Prayer. Aqui, Madonna canta sobre como é bom estar em família, com todos unidos, mesmo com a vontade de se afastar e ir para longe de todos. Fraca, mas nada que se compare à Dear Jessie, essa consegue ser melhorzinha. A ideia de usar ela como encerramento da turnê é bacana, um estádio inteiro cheio de fãs e a equipe de Madonna, todos reunidos como uma grande família, mas ainda teria escolhido outra faixa para encerrar, talvez Like a Prayer devido a toda a grandeza que ela evoca em seu instrumental e na voz de Madonna.

Madonna Like a Prayer shoot 4

Spanish Eyes — Uma das melhores músicas de Madonna e, infelizmente, uma das mais injustiçadas e esnobadas por ela. Com toques espanhóis, é difícil saber o significado por trás da música, já que há quem diga que é dedicada a um amigo dela que faleceu devido à AIDS e há quem diga que a música fala sobre um romance do pintor Salvador Dali com outro homem.

Prefiro acreditar na teoria de que a música é dedicada ao amigo, a letra faz mais sentido se olharmos por esse lado. Aqui, Madonna lamenta a morte dele, dizendo que sabe que o coração dele está com ela, mas o deseja de volta, e questiona Deus sobre como um bom homem pode ter nos deixado tão cedo e que tipo de vida é esta, devido ao que aconteceu, e pede ajuda para rezar pelos ‘’olhos espanhóis’’. Também fala sobre a dura luta contra a AIDS, em uma época onde não se sabia quase nada sobre a doença e questiona quem será o próximo a cair, como olhos espanhóis, já que a luta era muito difícil na época. Definitivamente, uma das músicas mais belas de Madonna e deveria ser mais valorizada.

Act of Contrition — Um encerramento interessante para um álbum excelente, aqui Madonna pede perdão por seus pecados e espera ter sua entrada no paraíso garantida, porém a ira toma conta dela ao, no final, perceber que sua reserva não está no computador.

Madonna Like a Prayer shoot

A música título rendeu uma das maiores polêmicas de sua carreira e foi onde seu embate com a igreja católica começou, o que perdura até os dias atuais, tendo atingido seu ápice, muito provavelmente, na belíssima performance de Live to Tell na excelente Confessions Tour.

Uma das obras-primas de Madonna e muito pessoal, Like a Prayer é um álbum incrível que merece ser ouvido várias vezes e, com certeza, é um dos mais importantes da história da música.

A capa do álbum, para quem não sabe, é inspirada em uma lembrança da infância da cantora, já que sua mãe, muito religiosa, cobriu uma estátua do Sagrado Coração de Jesus quando uma mulher usando jeans com zíper entrou na casa delas, já que, na época, jeans significavam sacrilégio. O álbum também é dedicado a mãe dela, contendo a seguinte dedicatória no encarte: “This album is dedicated to my mother, who taught me how to pray.” (“Este álbum é dedicado à minha mãe, que me ensinou como rezar.”)

E você, o que acha do álbum? Deixe sua resposta nos comentários, express yourself.

Madonna Like a Prayer cover

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