Meghan Trainor segue o caminho mais fácil com Thank You

Em Thank You, seu novo álbum, a cantora abusa do pop chiclete.

Após um super hit, um debut album decente e um Grammy na prateleira de casa, Meghan Trainor quase não deixou que o público sentisse sua falta e já emendou todo esse sucesso num disco novo.

O primeiro single, NO, não atingiu o sucesso esperado nos charts mas ao menos trouxe uma sonoridade diferente e interessante comparada ao que a cantora propôs no último trabalho. Será que Thank You, seu novo projeto, segue essa fórmula?

Meghan Trainor segue o caminho mais fácil com Thank You

Watch Me Do: Os menos de três minutos da música que abre o disco parecem um refrão em repetição eterna. Porém, a mistura da bateria com instrumentos de sopro e alguns pequenos efeitos eletrônicos soam de maneira agradável.

Me Too: Os elementos eletrônicos tomam conta aqui, com direito a distorções na voz e efeitos saídos diretamente de algum dos últimos álbuns do Black Eyed Peas.

NO: As influências do R&B feito nas décadas passadas conquistam logo de cara. Ainda que não tenha ficado em primeiro lugar nas paradas foi uma ótima escolha para primeiro single, chamando a atenção de quem não se interessava muito num trabalho novo da cantora.

Better: Seguindo todos os passos de um disco pop atual, não poderia ficar de fora a participação de um rapper em alguma das músicas. Normalmente desnecessários, neste caso o featuring acaba trazendo frescor a uma música que passaria batida.

Hopeless Romantic: Ainda que em início de carreira, esperava-se alguma evolução de um disco para o outro e não a presença de uma aparentemente faixa descartada do último trabalho, como acontece aqui.

I Love Me: A participação não creditada ganha mais destaque que a própria Meghan, e talvez por isso essa música seja uma das melhores do álbum.

Kindly Calm Me Down: Na esperança de mostrar uma versatilidade lírica nas músicas lentas, essas são as mais longas em duração. A missão, no entanto, não é muito eficaz e só tornam essas canções cansativas.

Woman Up: Na metade do álbum a repetição da estrutura musical presente em todas as canções já se torna excessivamente cansativa. A sensação é a de que você ouviu a mesma faixa várias vezes.

Just a Friend to You: Deixando de lado as batidas pop e os sintetizadores essa música acaba sendo um respiro, se destacando mais por demérito das outras.

I Won’t Let You Down: Mais um exemplo da mesma fórmula usada várias vezes, e de maneira errada. O que deveria ser usado como saída emergencial passa a se tornar padrão.

Dance Like Yo Daddy: Até os instrumentos e efeitos musicais são os mesmos de outras músicas. A repetição de palavras no refrão acontece em todas as canções.

Champagne Problems: A falta de criatividade não se limita apenas aos instrumentais e atinge também as composições, com referências fracas e rimas pobres.

Mom: A música dedicada para a própria mãe, e com participação da mesma, seria a oportunidade de redenção, uma tentativa de algo mais profundo em meio a canções rasas, mas é desperdiçada de maneira cafona, com produção preguiçosa.

Friends: Quase no final do álbum já é bem óbvio que foi tudo feito no modo automático, sem muitas preocupações artísticas.

Thank You: A música que dá nome ao disco ficou restrita apenas à versão deluxe, e é mais uma que passa despercebida pela falta de personalidade, mesmo com uma participação especial. Fecha o ciclo da forma que começou: do nada para lugar nenhum.

O álbum é baseado em músicas curtas e grudentas, totalmente prontas para serem tocadas até cansar nas rádios. Numa época em que os grandes nomes do pop não se preocupam mais com refrões e estruturas musicais convencionais, a saída são artistas novos, como Meghan, que ainda dependem dessas fórmulas para fazer sucesso.

Nas primeiras músicas já é perceptível o quanto o álbum depende totalmente dos instrumentais. O pop de fácil digestão não é demérito algum, mas algumas canções seguem tão forte a mesma fórmula que acabam se confundindo e parecem a mesma. O primeiro single acaba enganando todo mundo.

Na mistura de elementos, de R&B ao reggae, passando pela música eletrônica, é como se a cantora tivesse pegado todo o top 40 da Billboard nos últimos anos e batesse tudo num liquidificador. Porém, na mesma facilidade com que esse tipo de música é ingerido também é esquecido. Fazer um álbum despretensioso não é desculpa para falta de qualidade.

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