Minority Report: o futuro não é uma questão de destino

Inspirada no filme homônimo de Steven Spielberg, Minority Report mostra um mundo sem os Precogs

Acha que irá consertar o passado mexendo com o futuro?” — LIVELY, Agatha.

Em 2002, Steven Spielberg levou aos cinemas a adaptação de um dos mestres da ficção científica, Philip K. Dick. Minority Report — a nova lei tinha Tom Cruise como o principal detetive da divisão pré-crime, que prendia assassinos antes mesmo que eles cometessem os crimes. Isso só era possível graças às visões de três irmãos modificados geneticamente, que tinham a capacidade de prever o futuro: Agatha (em interpretação inspirada de Samantha Morton), Arthur e Dash.

Quem assistiu ao filme, sabe que a divisão Pré-Crime foi encerrada e todos os futuros assassinos foram soltos. A série retoma o filme dez anos depois. Quem não assistiu ao filme, não ficará perdido, pois o piloto de Minority Report faz uma rápida introdução para explicar a partir de que ponto iniciará. O melhor é que a série utiliza imagens do filme para mostrar isso ao espectador.

Centrada no elo mais fraco dos irmãos, Dash, o piloto não perde muito tempo e introduz logo sobre o que se trata. Dash continua sendo assolado pelas visões do futuro, mas não consegue vê-las por completo, já que ele está só. Se sua mente não estiver conectada com os outros irmãos, ele só recebe imagens parciais do crime. Sem conseguir aceitar passivamente isso, Dash decide impedir que os crimes aconteçam.

Minority Report

O piloto se concentra em mostrar Dash se readaptando no mundo e tentando auxiliar a polícia na resolução dos crimes. Coloca-o em contato com a detetive Vegas, que possui um bom faro investigativo e tem um ótimo vigor físico. O roteiro cria uma tensão sexual entre Vegas, Dash e Blake, parceiro profissional da detetive. Se por um lado Dash é frágil e emotivo, Blake faz o tipo latino sensual e autoconfiante.

O piloto sinalizou que Minority Report será uma série procedural, no estilo “caso da semana”. Isso pode ser um problema. Será que a televisão mundial precisa de mais uma série de ficção científica nesse estilo? A experiência com Almost Human não bastou? Talvez o maior diferencial e atrativo de Minority Report seja mesmo o filme homônimo. Os fãs da obra original vão se deliciar com a série. As referências são deliciosas. O que foi a 75ª temporada de Os Simpsons?

Por se passar em 2065, o futuro não é tão diferente do presente, com algumas pequenas intervenções tecnológicas. À época do lançamento do filme, Spielberg havia se cercado de arquitetos e engenheiros que pensaram um mundo crível, sem as invencionices à la De volta para o futuro. A série procurou manter isso. Se não reparar em alguns poucos detalhes, crê-se estar em 2015.

Apesar de não manterem as clássicas luvas de operação do sistema operacional, os detetives ainda executam os mesmos gestos de Tom Cruise.

Os efeitos especiais foram muito bem executados. Geralmente, é assim que acontece com o piloto, quando as produtoras investem pesado para terem suas séries aprovadas. Resta saber como ficará a pós-produção dos futuros episódios quando o tempo é pouco e a demanda aumenta. A Fox ainda não é uma HBO, que já possui um cuidado bem maior e bem mais acabado com seus produtos.

O ponto baixo da série é seu elenco. Starks Sands, como Dash, é o único que está realmente bem no piloto. Os demais são bem sofríveis, especialmente Meagan Good, como Vegas, e Wilmer Valderrama, como Blake. O que é ruim, já que esses dois fazem parte do time principal do elenco e precisam manter a atenção do espectador. Precisam melhorar muito para serem aceitáveis.

O roteiro também foi bastante previsível na resolução do crime proposto. Qualquer espectador mais atento e acostumado a séries do tipo consegue matar a charada antes do final. Isso é um problema, pois não segura o interesse e não mantém a tensão até o término. Precisa melhorar.

A série tem potencial e o piloto se encarregou de deixar algumas pontas soltas para os episódios seguintes. A mais instigante delas foi que fim levou Arthur. O irmão gêmeo de Dash começa desaparecido e só mais tarde é revelado que ele foi sequestrado. Na última cena, Dash recebe uma ligação do rapaz. Onde ele se encontra e o que de fato aconteceu com ele?

O problema é que apenas isso é bem pouco. Um piloto precisa cativar o espectador, fazê-lo querer saber mais. Infelizmente, Minority Report falhou muito nisso e só mantem o interesse de quem viu o filme. Quem está chegando agora, pensará tratar-se de mais uma série de ficção científica espertinha que será cancelada na primeira temporada.

Fica a expectativa que, quando estrear, o programa consiga reformular-se nos episódios seguintes e despertar a atenção. Afinal, diferente de um destino imutável, o futuro pode ser modificado. Ainda dá tempo.

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