Mission Hill — É difícil crescer

Assim como The Oblongs, que esteve por aqui na semana passada, Mission Hill foi uma animação veiculada pelo canal WB, e cancelada após dois episódios em 1999, devido aos baixos índices de audiência. As coincidências não param por aí, também como The Oblongs, depois de relegado à retransmissões em terras gringas e às madrugadas do SBT, encontrou uma nova casa no Adult Swim, onde conquistou a atenção do público e pôde completar, em 2002, a transmissão de 13 episódios (dos 18 programados).

Mission Hill foi uma produção criada por Bill Oakley e Josh Weinstein, produtores de The Simpsons e Futurama, e conta a história de Andy French (dublado por Wallace Langham, o David Hodges de CSI), um garoto de 24 anos que deixa a casa dos pais e passa a viver na vizinhança que dá nome ao seriado.

Ao mudar-se para Mission Hill, Andy deixa suas aspirações a cartunista e passa a trabalhar numa loja de colchões, onde conhece Gwen (dublada por Jane Wiedlin, a Kate de King of the Hill), sua namorada. Além de Gwen, fazem parte do cotidiano de Andy, seu melhor amigo de infância, Jim e Posey Tyler, ambos seus companheiros de apartamento e, mais tarde, Kevin, seu irmão mais novo, que se junta ao grupo após seus pais decidirem mudar para outro estado.

É dessa convivência que surgem as situações do seriado que, dentre todas as animações já produzidas, pode ser considerada a mais madura em termos de conteúdo. Por não ter foco em uma família, mas sim em um grupo adulto de amigos, o seriado foge daquela fórmula de “animações adultas que podem ser assistidas por crianças”, e foca mais nos aspectos reais da vida adulta.

Nenhum seriado de animação jamais tratou os temas cotidianos de maneira tão próxima ao seu público, desde assuntos triviais como relacionamentos amorosos e trabalho, até como suas escolhas influenciam àqueles que te cercam. Essa aproximação rendeu ao seriado diversos prêmios e o reconhecimento da crítica por tratar temas sexuais e morais de maneira séria e responsável, e não subestimar seu público.

Além do roteiro, a arte do seriado também se destaca. Uma estilização diferenciada, conquistada através do uso de recursos de animação tradicional conciliadas com incidências visuais, baseadas nos quadrinhos, e uma paleta de tons neon. Um verdadeiro testamento ao talento de seus criadores.

Assitir Mission Hill é lembrar o quão difícil é crescer — ter que esquecer seus sonhos em favor de um emprego, aturar um chefe insuportável, pagar contas… Está tudo ali, e é justamente isso que torna Mission Hill algo tão único. Pena que acabou.

Gosta de Mission Hill? E de ser adulto e pagar contas? Só não esqueça de comentar.

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