O amor supera tudo em Dançando Sobre Cacos de Vidro

Dançando Sobre Cacos de Vidro é a história de um amor inspirador que supera todos os obstáculos para se tornar possível.

Agora sei a diferença entre tristeza e depressão. A depressão clínica não tem uma origem — simplesmente existe. A tristeza intratável não tem nada a ver com sinapses, química cerebral ou nutrientes essenciais; ela é fruto de algo. É o produto da injustiça e da impotência. Pode ser anestesiada, suponho, mas depois que o efeito da medicação passa, fica ali, inalterada, como um intruso que invadiu nossa casa e continua nela, manhã após manhã, ao acordarmos. Se pudesse escolher, eu preferiria estar deprimido. Da depressão já voltei.” CHANDLER, Mickey

Lucy Houston tem um terrível histórico familiar de câncer de mama. Ela e suas duas irmãs, Lily e Priss, vivem à sombra da doença, com check ups frequentes e sempre um terror enorme ao imaginar o resultado dos exames.

Cercada de amigos e vizinhos queridos em seu aniversário de 21 anos, Lucy conhece o enigmático, engraçado e interessante Michael “Mickey” Chandler. Ela ainda não sabe, mas ele sofre de um severo transtorno bipolar, o que torna uma possível relação entre os dois quase bombástica e impossível de acontecer.

Mas, contrariando todo o sentido das coisas, Lucy e Mickey começam um relacionamento que tinha tudo para ser desastroso, mas mostra-se doce, forte e repleto de amor. Sabendo de suas limitações, ambos firmam pequenos compromissos por escrito, que incluem a promessa de Mickey sempre tomar seus remédios e de Lucy ser compreensiva a respeito do que ele não pode controlar.

Alguns dias são ótimos, outros são terríveis, como em qualquer relacionamento. Às vezes Mickey tem surtos aterrorizantes, outras Lucy tem dias ruins pensando em câncer. Até que, depois dela quase morrer em função da doença que tanto teme, eles decidem acrescentar uma nova linha no acordo que os ajuda a manter a relação: nada de filhos. Nunca.

Ambos morrem de medo de passar adiante a herança genética carregada que possuem, e, apesar de sofrerem, sabem que essa é a melhor decisão que poderiam tomar. Pelo menos é o que pensavam até a chegada de seu 11º aniversário de casamento, quando Lucy é pega completamente de surpresa com uma notícia que vai mudar suas vidas para sempre.

Lucy me amava — mesmo com parafusos soltos, peças sobressalentes e partes danificadas. Ela amava o pacote todo — dizia que devia ser assim ou não faria sentido me amar. Jurou, faz uma eternidade, que isso era verdade e fez jus a esse juramento. Quem teria acreditado nisso ?” CHANDLER, Mickey

Acompanhar a história de amor de Mickey e Lucy é algo encantador. Temos vislumbres do passado, do início de tudo, enquanto acompanhamos o presente — e tentamos adivinhar o futuro. Conhecemos Michael em seus piores momentos, em surtos épicos e difíceis. Conhecemos Lucy em momentos de fragilidade e incerteza, quando nem mesmo suas irmãs parecem entendê-la e apoiá-la.

Ka Hancock atingiu um nível de sensibilidade na escrita muito alto, sabendo conduzir sua história muito bem. Considerando que a premissa da história tem drama o bastante para sair dos trilhos e virar um dramalhão mexicano de mal gosto, podemos dizer que a autora soube muito bem dosar o drama e a tristeza com momentos felizes, criando assim uma história perfeitamente possível e real repleta de carinho e cumplicidade.

A forma com que a autora descreve os sentimentos dos personagens é sensacional. O leitor consegue entender os sentimentos, pensamentos e ideias de cada um, mesmo que a história seja narrada por um personagem específico. Por alternar os dias atuais com lembranças do passado de Mickey e Lucy, o livro acaba sendo um grande oceano onde o leitor esbarra com a paz, com tempestades e com a calmaria que as procedem.

A leitura é fluída, porém densa com o que diz respeito a gama de informações que recebemos ao longo da narrativa. Mas fique tranquilo que a história de Lucy e Mickey não é nenhum prontuário médico disfarçado de romance. Todas as informações necessárias para compor a história de seus personagens estão inseridas na história dentro de um contexto. Portanto, a leitura não se tornou enfadonha em momento algum. Pelo contrário, queremos saber como termina essa linda história de amor e superação.

Posso avaliar a sanidade mental do meu marido com base no modo como ele me beija. Na fase da hipomania, ele é rude — muito rude -, o que nem sempre é ruim. Simplesmente sei quando ele está em ebulição. Se a depressão se instala, seus lábios ficam quase sem vida, de início. Não há elasticidade, não há paixão, mas de repente seus beijos adquirem um desespero assustador. Se ele já embarcou na loucura, assaltado por delírios, até o gosto da sua boca é diferente, parece desagradável. Porém, uma vez que as estrelas estão alinhadas, como agora, nós dois somos a personificação da perfeição cósmica, nossos lábios, dentes e línguas em completa harmonia.” HOUSTON, Lucy

dançando sobre cacos de vidro

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