O conservadorismo toma conta de televisão brasileira

Quando foi que nossa televisão ficou tão conservadora? Quando foi que ficamos tão cínicos?

Dia dos namorados chegando e eu só penso uma coisa: mais um ano se passou e não tem ninguém para me dar um presente. Não que eu me importo, claro, mas, poxa, em 32 anos e nunca ninguém me deu um mimo nessa data? Onde está o resultado da campanha #MaisAmorParaXico?

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E por falar em campanha, uma recente peça publicitária de uma conhecida marca de cosméticos brasileira tem sofrido uma onda de repúdio por parte da população devido ao fato de ter incluído dois casais gays em seu comercial. Turbas ensandecidas dos defensores da moral e dos bons costumes levantaram suas tochas e conclamaram todos os adeptos a boicotarem a marca. E esse não é o único exemplo recente.

A novela Babilônia de Gilberto Braga também passou por um processo de boicote. O motivo: o beijo entre Fernanda Montenegro e Nathália Timberg; a ninfomania de Beatriz; a garota de programa Alice e o cafetão Murilo. Resultado: encurtaram a novela, mudaram a trama, cagaram com tudo.

Até o Marcos Pasquim, que ia viver um tórrido romance o Marcelo Mello Junior, teve seu arco narrativo alterado, porque as tias do sofá não queriam ver um gajo como ele se atracando com outro macho. Queriam vê-lo pegando mulheres.

Cara, estamos falando de Marcos Pasquim. O cara não é um bom ator, aliás, é um péssimo ator. Passou a vida inteira atuando sem camisa em novelas do Carlos Lombardi passando o rodo em todo o elenco feminino. Quando ele tem a chance de chamar a atenção para um lado diferente de sua profissão, as tias não querem? Será que já não viram ele pegando mulheres o suficiente? Querem ver ele se atracando com fêmeas, comprem o DVD do “Quinto dos Infernos” e matem sua vontade, caramba!

Gente, será que vocês já não se cansaram?

O fato é que a televisão brasileira ficou mais conservadora, mais careta. Não faz muito tempo e a gente tinha na abertura mulheres e homens nus. Que falta faz o peitinho da Isadora Ribeiro em Tieta ou a bunda do Vinicius Manne em Brega & Chique! Hoje, o máximo que vemos, é tudo no contra plano, na penumbra ou depois das onze da noite. Estão nos empurrando para os guetos, para o obscurantismo.

A justificativa é que não dá para as nossas crianças assistirem a isso. Eu assisti a Xica da Silva com 14 anos e isso não me deixou traumatizado nem nada. Vi até Kananga do Japão e Dona Beja. Ah, que saudades da TV Manchete e de Walter Avancini. Saudades da putaria que rolava solta na televisão e não fazia mal a ninguém. O conservadorismo matou a criatividade.

Sem dúvida, O conservadorismo toma conta de televisão brasileira. Hoje tudo está muito careta! Tudo em nome de uma falsa moral e de falsos costumes de uma falsa família brasileira. Proíbe-se na televisão e abrem as pernas na vida privada. Não se pode isso, não se pode aquilo. E, ao invés do país melhorar, a coisas só degringola.

O mundo precisa de mais anarquia e menos vendas nos olhos.

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