O desnecessário Os Dez Mandamentos: O Filme

Tentativa frustrada da Rede Record de promover um dos seus maiores sucessos.

Meu veneno é muito mais forte do que qualquer cobra no Egito” — YUNET

Os-Dez-Mandamentos-O-Filme

O cinema brasileiro já teve, há alguns anos, uma “febre” de filmes envolvendo o espiritismo, graças ao sucesso da cinebiografia do médium Chico Xavier. Desde o seu lançamento, vários filmes abordando o tema foram lançados, todos com sucesso mediano de público, e com crítica especializada massacrando-os por diversas vezes. A febre passou e, desde então, não tivemos mais filmes envolvendo religião nos cinemas. Até que a Rede Record viu, em um dos seus maiores produtos do ano passado, uma oportunidade de arrecadar mais dinheiro e aproveitar o sucesso que Os Dez Mandamentos causou em uma certa massa do público. Porém, o que acabamos vendo nada mais é que uma recapitulação de 2h de um produto feito para uma certa parte do público, mas que ao mesmo tempo é quase que caricata e forçada.

Acolhido ainda bebê pela filha do faraó, Moisés cresce como príncipe do Egito, voltando-se contra sua família adotiva para ajudar o sofrido povo de Israel, que por ele deverá ser conduzido à libertação. O filme é uma adaptação cinematográfica baseada na Bíblia e na novela homônima da Rede Record, um dos maiores fenômenos de audiência dos últimos tempos da televisão brasileira.

Dirigido por Alexandre Avancini, a produção peca em praticamente todos os pontos ao contar a história de Moisés, simplesmente porque a produção nunca foi pensada para as telas de cinema.

Os roteiristas Joaquim Assis e Vivian de Oliveira entregam cenas nas quais os diálogos são, por diversas vezes, caricatos, transformando até mesmo as novelas mexicanas em produtos de excelente qualidade.

A maneira escolhida para comprimir 176 capítulos em pouco menos de 2h foi fazer cortes bem rápidos, transformando o longa em, praticamente, um grande trailer de divulgação. Personagens entram e saem de cena tão rápido que nem temos tempo de nos envolver com sua história.

O filme é contado em duas partes: uma narração pelo personagem Josué (Sidney Sampaio), a quem cabe o grosso das tais cenas adicionais. Nesta parte o personagem reúne seus semelhantes à beira do fogo para contar a história do passado de seu povo, ou seja, o relato que veremos a seguir. Será dele a segunda parte da novela, prevista para estrear em março deste ano. Na segunda parte, acompanhamos a história de Moisés e seu irmão Ramsés, que foi a principal história da novela.

A primeira parte do longa trata-se das tais cenas adicionais que a Record e os produtores da novela utilizaram para atrair o público, sendo elas o chamariz para o público acompanhar a nova fase, batizada de “A Terra Prometida”.

O tal “novo final” chamou bastante a atenção por estarmos falando da adaptação de uma história bem conhecida, afinal é da Bíblia que estamos falando. Ele realmente existe e nada mais é que a extensão de como seria caso a novela não ganhasse uma segunda temporada.

Foto: Divulgação/Record

O elenco traz Guilherme Winter e Sérgio Marone como protagonistas, os irmãos Moisés e Ramsés, que precisam comer muito arroz e feijão. Suas atuações são fracas e beiram a caricatura, principalmente a de Sérgio Marone, que transforma Ramsés em um personagem altamente histérico, devido aos seus constantes gritos. As atrizes Camila Rodrigues e Giselle Itié não precisam nem de comentários, qualquer atriz da Televisa tem mais expressão que essas duas.

Do ponto de vista mais técnico, tudo em Os Dez Mandamentos incomoda e muito. Ninguém vai realmente acreditar que as peças douradas usadas pelo núcleo de Ramsés são banhadas a ouro, sendo impossível não lembrar de um grande desfile de carnaval de bairro ao olhar os figurinos. Sem contar que os efeitos especiais fazem de qualquer filme realizado nos anos 80 uma grande produção.

Os Dez Mandamentos nada mais é que uma tentativa frustrada de alcançar mais público, aumentando a popularidade de um produto com prazo de validade vencido. Não precisamos dizer que a maioria das pessoas que estão indo assistir ao filme está envolvida com a Igreja Universal ou têm mais de 60 anos. Se você quer realmente assistir aos Dez Mandamentos, assista ao clássico de 1956, ou até mesmo ao desenho produzido pela Dreamworks, O Príncipe do Egito. Mas que fique claro, vocês devem fugir dessa catástrofe que é Os Dez Mandamentos O Filme.

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