O feminismo em Battlestar Galactica

O papel da mulher protagonista em ficções científicas como Battlestar Galáctica.

Ficções científicas em geral são feitas de homens para homens. O resultado é uma grande objetificação do corpo feminino. Um clássico exemplo é a cena em que Jabba faz a princesa Leia usar o famoso biquíni dourado em Star Wars. Contudo, de alguns anos para cá os padrões começaram a mudar. A série Battlestar Galactica (2003), disponível no catálogo da Amazon Prime Video, é uma prova disso.

A versão reimaginada da série de 1978 trouxe muitas mudanças. Isso acarretou em grandes polêmicas. A maior das mudanças envolveu Starbuck, um piloto beberrão, mulherengo e que estava sempre com seu charuto – personagem vivido por Dirk Benedict, na versão de 78. Já a versão de 2003 trouxe uma mulher briguenta, que amava charutos e álcool, e fazia homens de objetos sexuais – personagem interpretada por Katee Sackhoff. Essa mudança acabou trazendo todo o peso de um assunto que está em alta há alguns anos: o feminismo.

Starbuck fumando um charuto

Há algumas maneiras de descobrir se mulheres ocupam papel de protagonismo em qualquer obra de cultura pop. A primeira regra a ser aplicada sempre é o teste de Bechdel, que consiste em duas mulheres com nome que conversem sobre qualquer coisa que não seja um homem. E isso BSG tem de sobra.

Mas além disso, a série trata homens e mulheres como iguais, sem estereótipos. Temos mulheres mais “tradicionais” como Cally Tyrol (Nicki Clyne), que durante a série demonstra submissão e lida com depressão pós parto. Temos mulheres como Starbuck, que chega até a diferenciar homens para transar (como Apollo, encarnado por Jamie Bamber) e para casar (Sam Anders, vivido por Michael Trucco). Nenhuma delas é julgada ou questionada por suas escolhas.

Mulheres em posição de poder? Temos! Laura Roslin (Mary McDonnell), a Presidenta que, embora seja lógica em muitos momentos, utiliza-se de mitos religiosos para governar. Além de Roslin, Starbuck é comandante de voo da Galactica e a Battlestar Pegasus tem uma comandante mulher, a Almirante Cain (Michelle Forbes).

Laura Roslin tomando posse como presidente

Embora muitas vezes mulheres sejam sexualizadas (especialmente as cylons Número Seis e Oito, vividas por Tricia Helfer e Grace Park, respectivamente) e ameaçadas de estupro (novamente as cylons), essas questões não são exclusivamente femininas. Quantas vezes não vemos Apollo e Helo (Tahmoh Pennikett) sem camisa sem motivo algum? Em adição a isso, Gaius Baltar (James Callis) é torturado na nave-mãe e forçado a fazer sexo com D’Anna, a Número Três (Lucy Lawless, a eterna Xena), e com a Número Seis.

Outro ponto que conta muito no argumento é que durante as quatro temporadas, todos os personagens demonstram grandes emoções. No entanto, o único personagem que deixa seus sentimentos de fato atrapalharem seu julgamento é o Almirante Adama (Edward James Olmos), que em muitos momentos da série, arriscou a segurança da frota inteira por conta de seu filho Apollo, de Starbuck e da Presidenta Roslin.

Embora ainda hajam severas falhas (especialmente revendo em 2020 e considerando que era uma série feita por homens e para homens), temos um retrato muito verdadeiro da população feminina, mostrando que mulheres são iguais a homens.

Se hoje temos séries de ficção protagonizadas por mulheres, como Fringe, Star Trek Discovery, Continuum, The OA e Another Life (esta última estrelada por Sackhoff) muito se deve a Battlestar Galactica. E por esse motivo, todos precisam ver essa preciosidade. So say we all!

Sobre o Autor

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Michele Bernardes

Professora, tradutora, escritora, geek e nas horas vagas viciada em séries, música e gatos. Ex-SOS Sailor Moon.

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