O glamour do Oscar 2016, suas justiças, injustiças e zebras

Os momentos mais destacáveis da cerimônia do Oscar 2016.

Domingo, dia 28 de fevereiro de 2016, aconteceu a 88º cerimônia do Oscar, que foi televisionada aqui no Brasil pela Rede Globo na transmissão aberta e na TV fechada pela TNT. Como em toda cerimônia, não faltaram momentos engraçados, controversos, primeiras vezes e muito glamour. Vamos juntos dissecar mais uma grande cerimônia da indústria do entretenimento.

Antes de falarmos dos ganhadores e perdedores em si, podemos parar um pouco para nos debruçarmos sobre a cerimônia. O Oscar 2016 teve uma edição engraçada e dinâmica como não se via há muito tempo. A bela direção de arte, a trilha sonora recheada de clássicos românticos das décadas passadas, as apresentações de Lady Gaga e The Weeknd, o momento in memorian com Dave Grohl cantando The Beatles e, principalmente, a escolha de Chris Rock como anfitrião da festa foi perfeito, cheio de piadas ácidas e paródias que subverteram a hashtag #oscarsowhite.

Porém, nem tudo foram flores. A ideia de colocar os agradecimentos no rodapé foi estranha e, às vezes, os agradecimentos no rodapé pareciam uma legenda interminável. Outro ponto foram as notas informativas no canto da tela, que informavam as ligações do Oscar com cada apresentador. Enquanto alguns eram apresentados como vitoriosos, outros eram descritos como participantes de algum filme que fora indicado ao Oscar. A combinação dos agradecimento em rodapé com as notas de canto foram estranhas e deselegantes em diversos momentos.

OSCAR 2016 - gloria pires

Muito se falou de Glória Pires ter ido comentar o Oscar sem ao menos ter assistido aos filmes indicados, e isso gerou diversos memes na internet. Todavia, Rubens Ewald Filho também não foi tão construtivo em seus comentários. Durante a categoria de Melhor Atriz Coadjuvante, o único comentário que o crítico conseguiu tecer sobre Rooney Mara, indicada pelo filme Carol, foi que “ela veio de uma família muito rica”.

Voltando nossa atenção para os prêmios, ver Leonardo DiCaprio ganhar o Oscar de Melhor Ator por seu trabalho em O Regresso foi o ponto alto da noite e mais aguardado pela internet e pelo público em geral. Foi emocionante ver o respeito que a indústria tem por ele e ele soube utilizar a proeminência de ganhar um Oscar para agradecer a todos que o modelaram como ator e defender suas próprias causas ambientais.

Entretanto, não foi só a primeira vez de Leonardo DiCaprio, outras justiças foram feitas na noite. Ennio Morricone levou o prêmio de Melhor Trilha Sonora pelo seu trabalho em Os Oito Odiados. Até aqui o compositor, que ficou famoso pelas trilhas sonoras dos faroestes do Sergio Leone, tinha apenas ganhado um Oscar honorário há exatamente 10 anos.

Alejandro González Iñarritu, pela Melhor Direção, e Emanuel Lubezki, pela Melhor Fotografia, ambos pelo filme O Regresso tornaram-se bi e tricampeão, consecutivamente. A Academia tem a mania de não premiar as pessoas seguidamente, e, dessa maneira, acaba promovendo grandes injustiças. Se tomarmos por exemplo o caso de Iñarritu, até então apenas duas vezes na história do Oscar um diretor tinha sido contemplado duas vezes seguidas e isso aconteceu a última vez com Joseph L. Mankiewicz em 1950/1951.

Outro ponto que merece bastante reflexão é que temos o sexto ano seguido que um diretor que não é norte-americano ganha o prêmio (Tom Hooper, Michel Hazanevicius, Ang Lee, Afonso Cuaron, Alejandro G. Iñarritu). Será que a Academia quer mandar algum recado para o mundo?

O Oscar praticamente ocorreu sem nenhuma grande surpresa. Talvez a injustiça da noite foi ver Lady Gaga e sua canção Til It Hapens To You, canção tema do documentário Hunting Ground que fala sobre os abusos sexuais nos campis universitários, sair de mãos abanando, ainda mais perdendo para Sam Smith, num tema mediano do 007.

As duas maiores zebras da noite ficaram por conta do filme independente Ex_Machina que levou para casa o prêmio de Efeitos Visuais desbancando Mad Max; e o ator Mark Rylance que levou o prêmio de Ator Coadjuvante por sua interpretação em Ponte dos Espiões. Para mim, ver Sylvester Stallone de mãos vazias foi um alívio. Caso ele fosse premiado, a premiação seria quase um prêmio honorário e deixaria de laurear performances marcantes como a do Mark Ruffalo e do próprio Mark Rylance.

Spotlight finalizou a noite superando Mad Max (que levou 6 prêmios para casa) e O Regresso (que levou três) e despertando certos questionamentos entre os críticos pela internet. Será que a Academia realmente premiou o Melhor Filme, aquele que usou as melhores ferramentas para contar uma história; ou premiou uma ideia a fim de mostrar uma consciência mais política e humanizada? A vitória de Spotlight não foi uma grande surpresa, já que o filme tinha saído vitorioso do SAG e do Critics Choice Awards, porém mesmo assim deixou muita gente de cabelo em pé, inclusive o próprio Morgan Freeman que apresentou a categoria.

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