O legado de Lost

Não importa o que você achou do final de Lost, o fato é que a série deixou sim um legado e ele não pode ser subestimado só porque seu encerramento deixou a desejar (para alguns).

Mas qual é esse legado? O que será lembrado daqui há alguns anos quando olharmos para trás?

Lost teve mutas conquistas, isso é fato. A maior delas talvez está exatamente ligada às reações das pessoas em relação a ela, afinal é difícil encontrar alguém que seja indiferente a Lost ou que nunca tenha visto ou ouvido falar sobre ela.

Com sua trama intrincada, carregada de flashbacks, flashforwards e até flashsideways, Lost atraiu uma legião de curiosos, porque antes de serem fãs, no fundo, todos nós estávamos curiosos para saber o que raios se passava naquela ilha onde tudo parecia suspeito e cada resposta levava a mais perguntas.

Crédito aos produtores que conseguiram manter as pessoas com a pulga atrás da orelha até o fim e tiveram a coragem de servir migalhas aos espectadores e ainda dizer “cada pergunta que eu responder simplesmente levará a outra pergunta” (Across the Sea), então parem de perguntar!

Todo esse mistério aguçou a mente criativa do público e originou a segunda grande conquista de Lost: o fenômeno na internet. Poucos minutos depois que cada episódio era exibido, a internet mundo afora era inundada de teorias sobre o que poderiam ser os mistérios apresentados naquela noite, o que ele trazia para a mitologia da série e quais perguntas poderiam ser riscados ou, mais provavelmente, adicionadas a longa lista que a série acumulava.

Reviews, posts, comentários inflamados, podcasts e muita discussão entre os fãs defensores ferrenhos do drama e aqueles que só queriam saber das respostas fizeram do mundo virtual uma grande arena, onde todos tinham boas armas, mas o único vitorioso era a própria série, que cada vez mais aumentava sua fama, seja boa ou ruim.

Alguns até podem argumentar que outras séries antes dela já causavam essa comoção, como Arquivo X, por exemplo. Mas, talvez pela alcance que a rede mundial tenha hoje, foi Lost quem mais soube tirar proveito disso, com campanhas de marketing voltadas exclusivamente para este veículo, seja na forma de virais, jogos, hotsites, etc.

Agora, há duas maneiras de se analisar o terceiro feito de Lost: a geração dos mistérios.

Uma delas, pela qual imagino que serei apoiada pelos fãs que a defendem e com o aval dos produtores, é que a série é acima de tudo um drama de personagens. Para os que acreditam nisso, que importa por que Desmond viajava no tempo contanto que ele reencontrasse Penny? Ou a obsessão de Ben em descobrir a causa da infertilidade na ilha, uma vez que descobrimos os traumas que seu pai lhe causou na infância?

Ao fazer uso de recusos narrativos atraentes — principalmente os flashbacks — os produtores permitiram ao espectador conhecer as diferentes dimensões dos personagens e entender a motivação de cada um, fazendo com que torcêssemos para que os sobreviventes encontrassem sua redenção, seja escapando da ilha ou indo para Luz.

Por outro lado, para aqueles que não se conformam com o final da série, grandes mistérios merecem grandes respostas e falar que a série era sobre amor, redenção e Luz é uma fuga covarde para quem tinha jogado tantos ingredientes científicos neste caldeirão.

Obviamente, seria impossível responder cada pequena pergunta que seu enredo criou ao longo de seus seis anos, mas explicar a longevidade de Richard, por exemplo, dizendo apenas que era resultado do toque “mágico” de Jacob é uma simplificação idiota. E o que falar do final abrupto da briga sangrenta entre Ben e Widmore? E que raios tornavam Walt e Aaron tão especiais a ponto dos Outros sequestrarem e estudarem o primeiro e o fato do segundo só poder ser criado por Claire?

Talvez a necessidade de criar estes mistérios para continuar prendendo a atenção dos fãs e gerando comoção em torno da série acabou se transformando em uma armadilha para seus realizadores, afinal não é um trabalho fácil manter o nível de algo que se tornou tão grandioso quanto Lost.

No final, assim como os sobreviventes foram chamados a se decidir, nós também temos que escolher se somos homens de ciência — e portanto, detestamos seu final “espiritual” — ou homens de fé — e fomos felizes em direção a Luz. De uma maneira ou de outra, ninguém pode tirar os méritos de Lost, afinal, daqui para frente, muitas séries se beneficiarão (ou já se beneficiam) do que ela conquistou.

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