O que achamos de… Haja Coração

Nova novela das sete, Haja Coração, carece de humor para ser uma boa comédia.

Esse é um país sem memória, as pessoas nem lembram mais dos ex-bbb’s” — LAMMAR, Leonora.

Havia uma dupla expectativa para a estreia de Haja Coração, a nova novela das sete. A primeira era a ingrata missão de substituir o estrondoso sucesso de Totalmente Demais. A segunda de, mesmo sendo uma releitura e não um remake, fazer jus à trama original de Sílvio de Abreu, Sassaricando. Infelizmente, a novela derrapou nas duas.

No primeiro caso, a nova novela não consegue ter a mesma linguagem de sua antecessora, ainda que se passe em épocas semelhantes, de forte apelo à imagem, como bem demonstrado pela obsessão de Fedora (Tatá Werneck) em conseguir seguidores e curtidas e suas redes sociais. É preciso mais que mostrar uns aplicativos para fazer essa comunicação digital acontecer na dramaturgia.

Mariana Ximenes Haja Coração

No segundo caso, ao fazer uma releitura, Daniel Ortiz tomou algumas decisões bem pontuais. Ao jogar a trama em cima de Tancinha (Mariana Ximenez) e Apolo (Malvino Salvador), o autor modificou a original que girava em torno de Aparício (Alexandre Borges) e como ele dava suas escapadas para viver seus ‘sassaricos’.

Como toda primeira semana, Haja Coração não escapou do didatismo ao apresentar seus personagens. No entanto, é constrangedor a maneira como ainda as tramas são colocadas. A novela ficará meses no ar. Por que é que tudo tem que ser condensado em dois ou três capítulos de maneira tão dura? As novelas poderiam gastar mais tempo para inserir seus personagens, sem tanta pressa. Tanta agilidade acaba subestimando o público e produzindo diálogos bem inverossímeis.

Vendida como uma trama leve, ágil e engraçada, faltou humor. Todas as cenas feitas para fazer rir não funcionaram. Ainda que Tatá Werneck continue fazendo uma variação de todas as personagens que já apresentou tenha sido a melhor coisa até o momento, apoiar-se apenas nela é um erro. Não dá pra sustentar sozinha durante muito tempo.

A construção das personagens foi outro aspecto que deixou muito a desejar. Todo o núcleo envolvendo Tancinha incomodou bastante, principalmente nos sotaques “paulista feat. italiano” exibido. Tudo soa tão forçado e acaba prejudicando. É ridículo. Se a Fedora precisa ser uma típica paulistana, porque é que não escalam uma típica paulistana para viver? Pra quê recorrer a uma tijucana?

Além disso, a impressão que fica é que todos os atores estão um tom acima na interpretação. O trio feminino que estão no SPA é um exemplo disso. Malu Mader, Carolina Ferraz e Ellen Roche estão mulheres à beira de um ataque de nervos, no pior sentido da expressão. Não flui, não é natural.

E a trilha sonora? Recheada de hits radiofônicos da estação passada. Anitta, Coldplay… complicado tentar ser atual com canções que já não são apelo. Quando a melhor música da trilha sonora é um antigo sucesso dos anos 80, então há um sério problema aí!

A Globo precisa repensar suas novelas e a maneira como elas são apresentadas. A melhor novela no ar, Êta mundo bom, investe em um arroz com feijão. Mas é um arroz com feijão bem feito, bem temperado. Haja Coração tenta ser alegre, ser divertida, ser divertida, mas também é um amontoado de clichês. E um amontoado mal costurado. Haja paciência!

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